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terça-feira, 17 de setembro de 2019

Kodoish .'. Adonai Tsebayoth: o que significa e como utilizar.

Kodoish, Kodoish, Kodoish Adonai Tsebayoth: o que significa e como utilizar.


Os mantras são fórmulas de misticismo que são pronunciadas ou cantadas para atrair energias. Essa ideia significa que o controle da mente está sendo ativado quando praticamos um mantra de forma correta. Ou seja, ao praticar um tipo de mantra acionamos nosso contato interior com as energias contidas nele para que nossa vida as receba da maneira como estamos mentalizando.
Assim, muitos tipos de mantras são utilizados desde a Antiguidade, de modo a clamar perdão, pedir bençãos, dons e livramentos, além de ajudar na concentração, na meditação, nas energias, nos sentidos, no sono, na vida pessoal, financeira e amorosa, etc.
 

O mantra Kodoish, Kodoish, Kodoish Adonai Tsebayoth é um dos mais recitados e traz a entoação de um dos muitíssimos nomes de Deus na Cabala a partir de clamores sobre o recebimento de luz celestial e energia divina. A partir disto o mantra seria benéfico para curas e renovações mentais e espirituais.

Canais do Blog TarotCabala Meditação Terapêutica e Mente SubVersa.


Como utilizar o MantraKodoish, Kodoish, Kodoish Adonai Tsebayoth

Para bem utilizar o Kodoish, Kodoish, Kodoish Adonai Tsebayoth, é necessário criar uma rotina de realizá-lo diariamente em repetições de três ou seus múltiplos. Em situações desagradáveis é necessário aplicá-lo ainda mais vezes, como forma de reforçar o trabalho que foi construído internamente até então.

Seu significado gira em torno da expressão: “Santo, Santo, Santo é o Senhor, o Soberano deste Universo”, unindo todas as conexões humanas e divinas nesta aclamação ao Pai Altíssimo por misericórdia, perdão e paz, além de pedir por discernimento para saber separar as forças benignas das malignas que estão ao nosso redor.

Este cântico ao Pai é elevado como uma reflexão energética aos céus, de modo a exaltar o Criador que nos deu vida e nos abre os caminhos e a alma para vivermos em sua glória em terra e no dia de nossa partida, ideal para ser usado como pedido de proteção e de livramento.

Recomenda-se recitar o Kodoish, Kodoish, Kodoish Adonai Tsebayoth sobretudo ao amanhecer e também nas noites de lua crescente e nova. Assim, deve-se entoar de forma rítmica e em repetições:
“Kodoish, Kodoish, Kodoish Adonai Tsebayoth, meu Pai! Kodoish, Kodoish, Kodoish Adonai Tsebayoth, meu Guia! Kodoish, Kodoish, Kodoish Adonai Tsebayoth, livrai-me e abençoai-me nestes momentos de aflição para um novo dia melhor e mais santo!”.

fonte: WeMistic.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Menorá - Símbolo de Dinamismo e Otimismo

A Menorá (candelabro) é um dos utensílios mais importantes que havia no Tabernáculo no deserto e no Templo Sagrado de Jerusalém. Foi construída de uma só peça de ouro puro e adornada com gravuras e flores que lhe outorgavam um aspecto belo e imponente.

A Menorá do Tabernáculo tinha sete braços. O braço central era a parte fundamental da Menorá e delo saiam três braços para cada lado. Cada braço estava decorado com copas em forma de flores de amêndoas. Quando a Menorá estava acesa, as três velas dos lados estavam dirigidas a vela do meio. A vela central simboliza o princípio fundamental, a luz central.

O azeite para a Menorá era de grande pureza e estava destilado especialmente para servir a tal propósito.

É necessário assinalar que enquanto a Menorá do Tabernáculo possuía sete braços, a Menorá de Chanucá, a que estas habituados em nossos dias, possui oito braços, em lembrança do milagre de Chanucá, quando a Menorá ardeu durante oito dias com um recipiente de azeite que era suficiente apenas para um dia.

A menorá era o único utensílio do Tabernáculo e do Templo que estava construído totalmente em ouro. O ouro, o metal precioso, não sofre mudanças diante das condições ambientais, o tempo e o clima; não oxida nem se deteriora. O material do qual está construída a Menorá simboliza o princípio estável que não se modifica nem está sujeito a influência alguma.

Aaron o Cohen e depois seus filhos, os Cohanim Haguedolim (grandes sacerdotes), acendiam todas as manhãs as velas de azeite da Menorá. No momento do acendimento ordenavam e limpavam as velas, preparavam as mechas e retiravam as mechas queimadas do dia anterior. A Menorá deveria estar acesa durante todas as horas do dia e da noite, todos os dias do ano.

Na época do Segundo Templo, a Menorá estava construída de estanho. Quando a situação econômica melhorou, ela foi banhada em prata. Depois o corpo central da Menorá foi banhado em ouro, em forma similar a Menorá do Primeiro Templo.
Durante a destruição do Templo, a Menorá foi saqueada junto com os demais objetos sagrados, desconhecendo-se seu paradeiro. Com base na gravação do Arco do Triunfo em Roma, no qual aparece com clareza a Menorá, existem os que sustentas a teoria de que ela foi levada para Roma. Outros, ao invés disso, acreditam que os romanos não conseguiram levar a Menorá, pois esta foi escondida pelos judeus nas catacumbas abaixo do Templo, para evitar que os conquistadores a levassem.

Podemos considerar que a Menorá de sete braços do Templo que aparece na nossa parashá e em outras parashiot, era um instrumento ritual que tinha o único objetivo de cumprir com uma função religiosa: entretanto, podemos contemplá-la de forma alegórica, simbólica. Em nosso caso, parece que este é o significado profundo da Menorá e dos demais utensílios do Templo. 

A Menorá não era apenas um ornamento do Templo. A Menorá e sua luz  possuíam um valor simbólico que a Torá busca comunicar ao povo. A função da Menorá é a de dar luz através de suas velas. Na Torá e no judaísmo a luz simboliza a sabedoria e a inteligência. O poder da vela é sua influência sobre o homem. A luz da vela penetra no homem através dos olhos, porém exerce sua influência também sobre sua mente e sua alma.

A luz da vela, com o fogo que sobe e desce, não é estática, mas muda constantemente de cor e de forma; está em eterno movimento. Por isso o homem se deleita na contemplação do fogo, que lhe recorda seu próprio movimento interior, seu desejo de avançar e mudar, obter resultados, elevar-se constantemente.

Existem aqueles que acreditam que a Menorá representa o homem. As velas que estão voltadas para o centro ensinam ao homem a contemplar o seu interior, rever seus próprios atos. O judeu que contempla a Menorá de ouro aprende sobre o significado da vida saudável. A Menorá ensina que o segredo da felicidade humana depende de sua possibilidade de pôr seu espírito e seu corpo a serviço de um objetivo superior e elevado, um objetivo altruísta, que lhe outorgue a sua alma a união e a paz.

No marco de uma interpretação alegórica do Templo como representação simbólica de todo o universo, Filón de Alexandria acredita que a Menorá representa o céu, que irradia a luz. As sete velas representam os sete satélites que existem no céu, segundo a astronomia da antiguidade.
As velas da Menorá deram origem a vários costumes e leis, como as velas do Shabat, a vela da recordação (Yzkor – em memória de um ente querido) e a luz eterna (Ner Tamid). As velas de Shabat foram escolhidas como símbolo deste dia e servem para diferenciar entre os seis dias da semana e o Shabat. A luz assinala o limite do tempo, entre o dia e a noite, e também entre os seis dias da semana e o Shabat. A luz marca uma divisão no passar do tempo e o correr dos dias.

Os textos de nossos sábios fazem especial referência as velas do Shabat, mas além da função prática de iluminar a mesa al redor da qual se sentam os convidados no Shabat. Os sábios consideram que as velas simbolizam aqueles valores que transcendem a percepção sensorial e simbolizam o mundo dos conceitos metafísicos nas esferas do espírito e do pensamento.

A luz simboliza também a presença da luz Divina no lar e no mundo hoje, mediante seu acendimento, simbolizamos sua existência.
Assim como as velas do Shabat representam a entrada do Shabat e a santificação do dia, também acendemos a vela de Havdalá (Separação) na saída do Shabat. Ela diferencia entre o santo e o profano, entre a luz e a escuridão, entre Israel e os demais povos (segundo a própria bênção).

Depois do falecimento de uma pessoa alguns costumam acender duas velas e colocá-las próximo a cabeça do morto. Existem aqueles que deixam uma vela acessa durante todo o primeiro ano do luto, e outros o fazem apenas durante os sete dias após o falecimento. Todos acendem uma vela no dia do aniversário de morte. 

A luz de recordação simboliza a relação que existe entre a pessoa que faleceu e seus parentes. A luz nos lembra que o morte não foi esquecido, e sua lembrança permanece em nosso coração e nos acompanha.
Em lembrança da Menorá que ardia constantemente no Templo, acostumamos deixar uma luz acesa permanentemente ao lado da arca no Beit Hakenesset (Sinagoga).

A Menorá, o símbolo religioso mais importante na história do povo judeu, constitui hoje o símbolo nacional do povo que voltou a sua terra. Uma das razões das quais a Menorá é o símbolo do Estado de Israel, foi criar um antagonismo em relação a menorá que aparece no arco de Tito. Lá, a menorá simboliza a derrota e a humilhação dos judeus perante outros povos. Entretanto, a Menorá como símbolo do Estado de Israel representa a libertação, a independência, o orgulho judaico.

Sobre o significado da Menorá e a luz da vela, podemos aprender de um conto chassídico que descreve a ação da vela: Um Rabino pediu a um aluno seu que baixasse ao sótão para buscar-lhe um livro. O discípulo foi ao sótão, porém a total escuridão que reinava aí o impediu de cumprir com o pedido de seu rabino. Retornou ao rabino e lhe disse: “Tudo está escuro e não pude encontrar o livro”. O rabino lhe contestou: “Qual é o problema? Pega um cajado e vai novamente ao sótão, golpeie a escuridão e então poderás espantá-la e encontrarás o que buscas”.

Retornou o aluno novamente ao sótão fazendo o que lhe disse seu rabino e  mesmo assim, mais uma vez não conseguiu cumprir com seu objetivo.
Voltou ao seu rabino e lhe disse: “Não consegui espantar a escuridão”.

Então lhe disse o rabino: “Toma essa pequena vela, acenda-a e a pequena luz espantará a escuridão. Não é possível espantar a escuridão, o mal, a negação, sem acendermos uma pequena luz que espante a escuridão e ilumine um grande salão”.

O povo de Israel compreende que a Menorá não constitui apenas um objeto de culto, mas é também um meio de recordação. O homem a contempla e acende suas velas para acender a menorá de sua vida que então lhe outorgará a luz de seu sustento.
Por: Rabino Eliahu Birnbaum - Tradução: David Salgado
Fraternalmente.
Paz e Luz

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O misticismo judaico da Cabala.

Qual a origem do Universo? Por que estamos aqui? De onde vem a vida? O que acontece depois da morte? Imagine se você pudesse fazer todas essas perguntas diretamente para a autoridade máxima no assunto. Isso mesmo: que tal ter uma conversa com Deus e ouvir dele todas as respostas? Agora imagine que as respostas já existem, e foram passadas de geração a geração por um grupo de sábios estudiosos, do início dos tempos até os dias de hoje. Pois essa é a definição da cabala: uma revelação feita por Deus para os homens, capaz de esclarecer todos os mistérios que rondam a humanidade. Conheça aqui a história do misticismo judaico e saiba como a cabala está conquistando o planeta.

No princípio, Deus criou os céus e a Terra. "Faça-se a luz", e a luz foi feita. Depois, Deus criou o homem e o chamou Adão. Findos os 7 dias da Criação, o Senhor viu que tinha feito algo bom. O homem habitava o paraíso e tinha contato direto e constante com Ele. E daí Deus resolveu passar ao homem toda a sabedoria da cabala. "Adão conhecia a cabala", dizem alguns praticantes. O assunto, porém, é controverso entre os próprios cabalistas. Teria o conhecimento da cabala sido passado de Adão a seus descendentes até Noé, depois até Abraão, Moisés e em seguida aos grandes mestres históricos, que selecionavam rigorosamente aqueles que estariam aptos a ser seus discípulos? Não há consenso sobre o momento em que a cabala foi revelada ao homem, mas todos os cabalistas concordam que o ensinamento sagrado veio diretamente do Criador, assim como os 613 mandamentos judaicos contidos na Torá, a bíblia judaica, que os cristãos chamam de Pentateuco. "A cabala é além do tempo, ela não tem nem começo nem fim", diz o rabino israelense Joseph Saltoun, ex-professor do Centro de Estudos da Cabala, em São Paulo, e que hoje leciona em Vancouver, no Canadá.

Mas, afinal, o que é a cabala?
Bem, para tornar mais simples a tarefa de explicar, vamos começar dizendo o que ela não é. Ok, cabala NÃO É religião, autoajuda, superstição, magia, bruxaria, sociedade secreta, meditação, adivinhação, interpretação de sonhos, ioga, hipnose ou espiritismo, embora possa estar relacionada a todas essas coisas. Agora fica mais simples entender o que a cabala É: um conjunto de ensinamentos sobre Deus, o homem, o Universo, a Criação, o Caminho, a Verdade e coisas afins; uma revelação de Deus para o homem. "Ela nos diz por que o homem existe, por que nasce, por que vive, qual é o objetivo de sua vida, de onde vem e para onde vai quando completa sua vida neste mundo", diz Marcelo Pinto, representante do centro de cabala Bnei Baruch no Brasil. "O ser humano tem muitas questões, e a cabala é um caminho espiritual que permite trazer de volta o elo com a verdadeira origem de tudo", explica Ian Mecler, professor de cabala no Rio de Janeiro e escritor de livros como O Poder de Realização da Cabala (Editora Mauad). Para Shmuel Lemle, professor da Casa da Cabala, também no Rio, "nada acontece por acaso. Existem leis de causa e efeito. Assim como existem leis físicas como a lei da gravidade, existem leis espirituais".

Independentemente de quando a cabala tenha surgido, o modo como a conhecemos hoje é o resultado da transmissão desses ensinamentos por meio da tradição judaica. A palavra cabala (????, em hebraico, cuja pronúncia mais próxima do original é "cabalá") significa receber/recebimento. A cabala é uma forma de misticismo, pois ensina que é possível ao homem ter contato direto com esferas superiores da realidade, ou mesmo com manifestações do próprio Criador. Portanto, de um modo simplificado, a cabala é o misticismo judaico, ou a corrente mística ligada à tradição do judaísmo, para ser mais exato.

União com o criador

Grosso modo, a cabala está para o judaísmo assim como o gnosticismo está para o cristianismo e o sufismo está para o islã. Gnosticismo e sufismo são as correntes místicas ligadas respectivamente às tradições cristã e muçulmana. Como misticismos, essas 3 correntes têm muito em comum (veja o quadro da página ao lado). A maior parte das diferenças está no modo de transmissão do conhecimento, adaptado à tradição em que aquele tipo de misticismo se desenvolveu. Esse raciocínio não vale apenas para as 3 religiões chamadas abraâmicas (por serem todas herdeiras do patriarca Abraão) mas também para as místicas orientais, como hinduísmo, tao e budismo, além do zoroastrismo na Pérsia, só para citar as mais conhecidas.

Se a cabala é um tipo de misticismo, talvez seja o caso de explicar: o que é misticismo? Em poucas palavras, é a crença na possibilidade de percepção, identidade, comunhão ou união com uma realidade superior, representada como divindade(s), verdade espiritual ou o próprio Deus único, por meio de forte intuição ou de experiência direta em vida. Na intenção de atingir esse tipo de experiência, as tradições místicas fornecem ensinamentos e práticas específicos, como meditação e aperfeiçoamento pessoal consciente. Nosso foco nesta reportagem, a cabala, não é exceção. Para entender melhor, vamos dar uma espiada no passado?

Tradição oral

Seja qual for o primeiro e privilegiado homem a ter recebido o conhecimento esotérico da cabala, ninguém discute que os ensinamentos foram transmitidos oralmente ao longo de muitas gerações, até que alguém resolvesse eternizá-los na escrita. Os primeiros escritos conhecidos com referências a esses ensinamentos datam do século 1. São livretos reunidos numa coleção chamada Heichalot ("Os Palácios"), que versam sobre os passos necessários para ascender evolutivamente através de 7 palácios celestiais, com ajuda de espíritos angelicais. Mas os livros mais importantes da cabala são o Sefer Yitizirah (Livro da Criação) e o Zohar (Livro do Esplendor), ambos de origem incerta. O primeiro teria sido escrito no século 2, mas seu autor é desconhecido. No caso do Zohar, a situação é ainda mais complexa. Para alguns cabalistas, ele foi escrito pelo rabino Shimon bar Yochai, também no século 2. A maioria dos estudiosos, porém, acredita que o Livro do Esplendor seja de autoria do escritor judeu-espanhol Moisés de León, que divulgou os manuscritos no século 13.

Embora o Sefer Yitizirah e o Zohar concentrem em suas páginas os principais ensinamentos da cabala, é importante lembrar que a Torá é tão importante quanto eles. Isso porque, segundo a cabala, a Torá contém ensinamentos preciosos codificados dentro do texto sagrado - decifrar esses ensinamentos ocultos é, por sinal, um dos principais propósitos do misticismo judaico. Uma das maneiras de interpretar a bíblia hebraica é recorrer a códigos e números: a guematria, a face matemática da cabala, atribui valores numéricos a cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico. A ordenação dessas letras no texto bíblico seria uma das maneiras que Deus teria encontrado para revelar ao homem os segredos do Universo.

As interpretações da Torá são tão importantes que foram divididas em 4 níveis de profundidade. O 1º nível, Peshat, é aquele com que todos leitores estão acostumados, mais simples, que compreende o sentido literal do texto. O 2º, Remez, já considera os significados alegóricos da linguagem (alusões). No 3º nível, Derash, entram comparações entre trechos similares e metáforas. O último nível seria aquele que compreende o sentido secreto e misterioso da mensagem divina: Sod. Juntos, os nomes das interpretações já possuem um significado próprio. Combinando-se as primeiras letras de cada um, obtém-se a palavra PaRDeS, que significa paraíso e remete à finalidade última do esforço de interpretação. Isto é, ao finalmente compreender a mensagem que Deus colocou nos textos sagrados, o cabalista receberia de volta o conhecimento do paraíso, como se lhe fosse devolvida a chave para retornar ao Éden, do qual Adão foi expulso por desobediência. "É como uma gota retornando ao oceano, de volta à realidade divina. Não é um processo fácil", diz o rabino Leonardo Alanati, da Congregação Israelita Mineira.

Mestres e discípulos
Durante séculos, especialmente após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém pelos romanos, no ano 70, a sabedoria da cabala foi cuidadosamente transmitida "por mestres iluminados somente a pequenos grupos de seus discípulos mais brilhantes e inspirados", conta Alanati. Os discípulos ideais eram homens maduros (mais de 40 anos), pais de família, de comportamento exemplar e ávidos por descobrir os segredos do Universo. Não eram muitos, portanto, aqueles que se tornavam mestres e davam continuidade à transmissão do conhecimento oral.

Para boa parte dos cabalistas, as restrições tinham uma razão clara: o público não estava preparado para receber esses ensinamentos. "Esse é o principal motivo para a transmissão restrita", opina Mecler. "Hoje, a evolução da ciência ajuda a compreender muitos dos ensinamentos antigos", diz. Mas o motivo de tanto segredo não era somente a escassez de discípulos ideais. Em diversas épocas, por razões diferentes, os judeus foram proibidos de professar publicamente sua fé - a perseguição aos cabalistas atingiu o clímax no século 16, durante a Inquisição espanhola. Além disso, "a cabala contém uma reinterpretação revolucionária do texto bíblico, que usa uma simbologia complexa e uma linguagem ambígua", diz Alanati. Por causa disso, em muitas ocasiões os cabalistas foram considerados hereges. Até hoje, o estudo da cabala é condenado por várias vertentes do judaísmo.

Entre o período final da Idade Média e o fim da Idade Moderna, houve um ressurgimento da cabala. No século 13, o Zohar foi distribuído pelo escritor espanhol Moisés de León; no século 16, os conhecimentos foram sistematizados pelo místico Moisés Cordovero, um dos sábios a se refugiar na cidade israelense de Safed; em seguida, Isaac Luria divulgou novas interpretações dos ensinamentos, que foram espalhados por vários mestres pela Europa, fazendo da cabala a teologia dominante em círculos escolásticos e no imaginário popular judaico; e, no século 18, o rabino Baal Shem Tov fundou o hassidismo, variante ortodoxa do judaísmo que ensinava uma versão mais "fácil" da cabala. De todo modo, "a essência é a mesma há 4 mil anos", diz Mecler. "O conhecimento não muda, assim como as leis da física não mudam. Muda só a forma de transmitir", diz Lemle.

Hoje, com o advento da internet, o conhecimento da cabala é acessível a qualquer interessado, ainda que de forma simplificada. "Estamos prontos, então a hora chegou", conclama Lemle. Nos séculos 20 e 21, foram feitas diversas traduções do Zohar para o hebraico moderno (o idioma original é o aramaico) e para o inglês (não existe uma versão completa em português). Mas o fator que mais contribuiu para a popularização da mística judaica foi a recente adesão (desde a década de 1990) de celebridades como Madonna, Mick Jagger, David Bechkam, Britney Spears e outras..

A organização responsável pelo surgimento da cabala pop é o Kabbalah Centre, uma escola de cabala fundada em 1984 na cidade de Los Angeles. Lá, como você pôde perceber ao ler o nome dos famosos, o acesso aos ensinamentos não é restrito a judeus. "Temos alunos de várias religiões", diz Yehuda Berg, um dos coordenadores do centro americano. "Não vejo problema nisso."

Nem todos estudiosos aceitam a ideia de que a cabala deva ser acessível a todos. A atitude do Kabbalah Centre provocou reações indignadas de cabalistas mais tradicionais, como o iraquiano Yitzhak Kadouri, um dos mais importantes estudiosos da cabala no último século. "A cabala não é moda", disse em 2004, comentando a adesão de Madonna ao misticismo. "Ela deve ser estudada somente por judeus."

Controvérsias à parte, a verdade é que a cabala ganhou milhares de aspirantes de diversas religiões nos últimos anos. Mas essa não é a primeira vez que acontece esse tipo de "sincretismo". Veja a seguir como diversas crenças e religiões encontraram na cabala uma parceira de peso.


Parcerias poderosas
Durante o Renascimento, a cabala despertou interesse de grupos místicos cristãos, intrigados com a compatibilidade entre as duas tradições. O resultado foi a criação da cabala cristã (ou católica), que levou novos níveis de interpretação aos textos sagrados cristãos. "Considero Jesus um mestre de cabala", diz Mecler. Um sincretismo mais profundo resultou no surgimento da chamada cabala hermética, que reúne ensinamentos de gnosticismo, alquimia, astrologia, religiões egípcia, greco-romana e pagãs, tarô, tantra, maçonaria, hermeticismo, neoplatonismo, hinduísmo e budismo, em uma espécie de síntese de todas as tradições místicas ditas autênticas. Outra variante é a cabala prática, que trabalhava com o uso da magia, incluindo a criação de amuletos e encantamentos, e teve seu apogeu na Idade Média.

Mas, além dessas tradições cabalísticas distintas, a própria cabala judaica tem diferentes correntes. Uma delas é a já citada cabala pop. Outra variante tem como expoente o Bnei Baruch Kabbalah Education & Research Institute, fundado em 1991. Autodenominado o maior grupo de cabalistas em Israel, o Bnei Baruch não considera a cabala um misticismo, mas "uma ferramenta científica para o estudo do mundo espiritual". A proposta deles para compreender o Universo é aliar os estudos científicos da física, da química e da biologia às ferramentas cabalísticas. Seu fundador e atual diretor, o filósofo Michael Laitman, é Ph.D. em cabala pela Academia Russa de Ciências e mestre em biocibernética médica.

Além dessas e, claro, do judaísmo hassídico, existem outras correntes - mais conservadoras, mais literais, mais flexíveis... "Cada escola se liga mais em um ou outro mestre", esclarece Mecler. As diferenças são na ênfase em cada aspecto da sabedoria, mas todas seguem a base comum dos textos sagrados e da tradição oral. "Existem muitos mestres, e cada um pode escolher aquele com o qual se identifica, mas não há diferença na base do ensinamento", diz Lemle. Afinal, como costumam dizer, "a Verdade é uma só". Que tal conhecer um pouco dela?

Deus-infinito
Assim como a religião judaica, a cabala afirma que tudo o que existe vem de Deus. Entretanto, o Deus único não é compreendido exatamente da mesma maneira. Se, para a religião tradicional, Deus é o todo-poderoso Criador de todas as coisas, para a cabala Ele não é somente o Criador mas é também a Criação. Ou seja, a Criação não é dissociada do Criador, mas parte d’Ele. A existência de Deus não seria, portanto, distinta do espaço e do tempo; o espaço e o tempo estariam contidos no próprio Deus-Infinito. Mas não vá pensando que já entendeu, porque isso não é assim tão simples. E nem imagine que essas racionalizações vão proporcionar a você um entendimento profundo de Deus. Por um simples fato: segundo a cabala, ou mesmo a religião judaica, o Deus-Infinito não pode ser compreendido pela nossa mente física limitada.

Claro que, apesar disso, os cabalistas não deixam de estudar esses ensinamentos, porque os consideram fundamentais para prosseguir no caminho da evolução espiritual. Um dos estudos mais importantes é justamente o que diz respeito à natureza da divindade. Para começar, os cabalistas preferem o termo Deus-Infinito - uma tradução para ??? ??? (lê-se da direita para a esquerda), ou Ein Sof, aquele que veio antes de tudo, que precede a Criação. Veja o que diz o Zohar sobre o Ein Sof: "Antes de dar qualquer formato ao mundo, antes de produzir qualquer forma, Ele estava só, sem forma e sem semelhança com qualquer outra coisa. Quem então pode compreender como Ele era antes da Criação? Por isso é proibido emprestar-Lhe qualquer forma ou similitude, ou mesmo chamá-Lo pelo Seu nome sagrado, ou indicá-Lo por uma simples letra ou um único ponto... Mas, depois que Ele criou a forma do Homem Celestial, Ele a usou como um veículo por onde descer, e Ele deseja ser chamado por Sua forma, que é o nome sagrado ‘YHWH’".



Pode parecer estranho não poder dar um nome a Deus, tornando-o de certa maneira inacessível para os homens. Afinal, se é assim, como pode existir uma experiência mística que permite esse acesso? Bem, a cabala explica que o contato com Deus é realizado indiretamente, por meio de um de seus desdobramentos. "Para tornar-se ativo e criativo, Deus criou as 10 sefirot ou emanações. As sefirot formam a Árvore da Vida, que representa os aspectos de Deus existentes dentro de nós", explica o rabino Alanati. Ou seja, uma maneira de ter o contato místico com Deus é através de uma das 10 sefirot, as mesmas representadas no famoso diagrama. Alanati explica que as 7 esferas mais baixas estão diretamente relacionadas com os 7 dias da Criação descritos no livro do Gênese.

Mas como teria se dado exatamente a Criação? A cabala tem um livro dedicado a esse tema: o já citado Sefer Yitizirah. O texto ensina que a primeira emanação do Ein Sof foi ruach (espírito/ar), que em seguida gerou fogo, responsável por formar água. A existência real dessas substâncias potenciais foi comandada por Deus, que as utilizou como matérias-primas de toda a Criação. Por exemplo, a água deu origem à terra, o fogo originou o céu e o ar ocupou o espaço entre eles para formar nosso planeta. Ainda segundo o Sefer, o Cosmos é dividido em 3 partes (cada uma delas contendo uma combinação dos 3 elementos primordiais): o mundo (ou, com alguma abstração, o espaço), o ano (tempo) e o homem.

A cabala divide o Universo em 4 planos de existência, divididos hierarquicamente a partir da emanação do Ein Sof até nós. Nessa ordem, teríamos então: o Atziluth (Mundo da Emanação ou das Causas), que recebe a luz diretamente do Ein Sof; o Beri’ah (Mundo da Criação), onde não há matéria e onde moram os anjos de mais alta hierarquia; o Yitizirah (Mundo da Formação), onde a Criação assume forma material; e o Assiah (Mundo da Ação), onde se completa a Criação e se localiza todo o Universo físico e suas criaturas. No sistema luriânico, um quinto mundo é mencionado, acima do primeiro, e que serviria de mediação entre o Ein Sof e o Mundo da Emanação.

Planos superiores
É curioso observar que, na cabala luriânica, desenvolvida no século 16 pelo rabino Isaac Luria, há um conceito que lembra a Teoria do Big Bang. Segundo essa linha cabalística, a primeira ação de Ein Sof para criar o Universo teria sido uma contração sobre si mesmo, que teria provocado uma catástrofe inicial chamada tohu, gerando um vácuo. Em seguida, esse váculo teria sido preenchido com as emanações divinas (de uma maneira explosiva, tendo em vista a grande velocidade dos acontecimentos narrados) e, a seguir, "retificado" nos mundos que você conheceu no parágrafo anterior.

Enquanto estiver no Mundo da Ação, o homem está sujeito a dirigir o corpo físico que lhe foi concedido, mas seu objetivo deve ser sempre o mesmo: aprender e evoluir para ascender aos planos superiores. "O judaísmo acredita que a alma é eterna e subdividida", diz Alanati. "A vida continua em outras realidades além da nossa, aguardando a ressurreição. A cabala é a única corrente dentro do judaísmo que defende o conceito de reencarnação: algumas almas retornam a este mundo em outro corpo, até acabar de cumprir a sua missão. Ou então elas voltam para nos trazer bênçãos e luz através de seu ser altamente desenvolvido". Segundo ele, seria possível uma alma atingir o estágio de evolução necessário em uma única vida, mas é comum receber mais algumas chances, num processo de reencarnação que também faz parte dos aprendizados evolutivos.

Segundo a cabala, a alma humana é dividida em 3 partes básicas. A mais "baixa", chamada nefesh, é a parte animal, responsável pelos instintos e reflexos corporais. Acima dessa estaria ruach, o espírito ou alma média, que contém as virtudes morais e a habilidade de distinguir o que é bom e o que é ruim. A alma alta, neshamah, seria a terceira parte, que representa o intelecto e distingue o homem das outras formas de vida, por permitir a vida após a morte. É a neshamah que permite a percepção da existência de Deus.

Outras duas partes da alma humana são discutidas no Zohar: chayyah, que permite a consciência da força divina, e yehidah, a parte da alma que é alta o suficiente para atingir o maior nível possível de união com o Criador. "A meta é alcançar o propósito para o qual fomos criados: a equivalência de forma com a Força Superior. Todo o trabalho na cabala tem esse objetivo", resume Marcelo. Na hipótese remota de a humanidade finalmente se unir ao Criador, em uma fusão completa e perfeita, o que aconteceria? O fim do mundo? O começo de uma nova e gloriosa Criação? Bom, isso nem mesmo os mestres cabalistas sabem responder...

VOLTA ÀS ORIGENS
Grupo de jovens israelenses se reúne em uma caverna perto da vila de Beit Meir, em Jerusalém, para estudar a cabala, em maio de 2010. Uma vez por semana, cerca de 12 judeus ortodoxos se encontram nesta caverna perto da cidade sagrada para repetir um ritual antigo: analisar e discutir, por horas a fio, os textos de livros como o Zohar.

FESTA MÍSTICA
Mais de 2 mil estudantes da cabala se reuniram na Times Square, em Nova York, para celebrar a chegada do Ano-Novo Judeu, Rosh Hashana, em setembro de 2001. O canto, a dança e as vestes brancas são típicos de uma nova geração de cabalistas, que considera a festa, a celebração e a alegria tão importantes quanto a meditação e as longas sessões de estudo dos textos antigos.

LADO A LADO

Judeus ortodoxos e soldados israelenses rezam juntos na tumba do rabino Isaac Luria, em Safed, Israel. Luria, um dos mais importantes cabalistas de todos os tempos, foi o responsável pela renovação do misticismo no século 16 com a criação da cabala luriânica e a divulgação de seus ensinamentos para além dos círculos judaicos.

BANHO SAGRADO
Um judeu se banha nas águas geladas da Mikve HaAri, localizada em Safed, Israel. Cabalistas repetem há anos o ritual, prestando homenagem ao rabino Isaac Luria, que teria utilizado as mesmas águas no século 16. Alguns se banham todos os dias, mas o mais comum é realizar o ritual na véspera do Shabat.

SÓ PARA JUDEUS
O cabalista Yitzhak Kadouri segura um exemplar do Zohar na biblioteca de sua casa em Jerusalém, em 2004. Um dos maiores estudiosos contemporâneos da cabala, Kadouri ganhou notoriedade por sua influência política e por suas declarações polêmicas. Em 2004, durante visita de Madonna a Israel, ele se recusou a falar com a cantora, dizendo que "o estudo de cabala é proibido para as mulheres, e também para os que não são judeus".

A cabala no tempo Conheça a evolução da corrente mística judaica, da criação do Universo até os dias de hoje

Criação

Origem - 3700 a.C.
Deus cria Adão. Há quem defenda que ele teria sido o primeiro conhecedor da cabala, obtida diretamente do Criador.

Patriarca - 1800 a.C.
Nasce Abraão, patriarca dos judeus, dos cristãos e dos muçulmanos. Para alguns, ele seria o primeiro conhecedor da cabala.

Êxodo - 1500 a.C.
O profeta Moisés teria recebido a cabala diretamente de Deus no monte Sinai, juntamente com a Torá e os Mandamentos.

Templo - 516 a.C.
É erguido o Segundo Templo em Jerusalém. A chamada Torá Oral é transmitida ao longo dos anos.

Formação
Diáspora - 70 D.C.
Perseguição romana e destruição do Segundo Templo. Segunda diáspora. Cabala é mantida em segredo.

Palácios - Séc. 1
É escrita a coleção de literatura judaica conhecida como Heichalot ("Os Palácios"), que inspirou motivos cabalísticos.

Manuscritos - Séc. 2
É escrito o livro Sefer Yitizirah, a obra mais antiga do chamado esoterismo judaico. Segundo a tradição, é escrito também o Zohar, no idioma aramaico, pelo rabino Shimon bar Yochai.

Título - Séc. 11
O termo cabala passa a ser usado para identificar o misticismo judaico. Não há consenso se o pioneiro nesse uso foi o filósofo judeu Shlomo ibn Gevirol ou o cabalista espanhol Bahya ben Ahser.

Expansão
Redescoberta - Séc. 13
O Zohar é descoberto (ou escrito, segundo alguns estudos) e distribuído pelo escritor judeu-espanhol Moisés de León.

Renovação - Séc. 16
Sábios cabalistas refugiam-se na cidade de Safed, em Israel: entre eles está Isaac Luria, criador da cabala luriânica.

Vivência - Séc. 18
Fundado pelo rabino e místico judeu Baal Shem Tov, o judaísmo hassídico, ramo ortodoxo que prega a vivência mística da fé judaica, populariza uma forma mais simples de cabala no Leste Europeu.

Tradução - Séc. 20
O rabino Yehuda Ashlag, fundador do Kabbalah Centre de Israel, completa em 1922 a primeira tradução do Zohar para o hebraico moderno. Em 1984, Philip Berg funda o Kabbalah Centre de Los Angeles.

Ao acompanhar esta linha do tempo, você vai notar algumas discrepâncias entre o que dizem as tradições judaicas e a opinião dos estudiosos. O caso mais exemplar é o do Zohar: no século 13, Moisés de León distribuiu a primeira versão escrita da obra, alegando que havia encontrado os manuscritos originais, do século 2. Conta-se, porém, que um homem rico ofereceu à viúva de Moisés de León uma alta soma de dinheiro pelos originais. Desolada, ela teria confessado que seu marido era o verdadeiro autor.

Uma verdade, muitos caminhos
Cada misticismo tem seu próprio método para chegar até a Verdade. Mas a essência é a mesma.

Veja aqui as semelhanças e
diferenças entre 6 correntes místicas.


CABALA
O que é - O misticismo judaico é baseado na crença de que todos os segredos do Universo foram revelados por Deus, de forma codificada, na Torá. Os cabalistas procuram desvendar esses segredos.

Principal texto - Distribuído no século 13 pelo rabino Moisés de León, o Zohar ajuda a explicar os ensinamentos ocultos na Torá.

Principal patriarca - Abraão, embora não haja consenso se o primeiro conhecedor da cabala teria vindo antes (Adão ou Noé) ou depois (Moisés).

Entidade máxima - Ein Sof, o Deus-Infinito, que criou o Universo usando as 22 letras do alfabeto hebraico e as 10 emanações chamadas de sefirot.


GNOSTICISMO
O que é - Gnose é um tipo especial de conhecimento, uma espécie de saber profundo. Ligado à história do cristianismo, o gnosticismo possui elementos pagãos e outros sincretismos.

Principal texto - Escrito por volta do séc. 2, o Pistis Sophia relata os ensinamentos de um Jesus ressuscitado aos apóstolos.

Principal patriarca - Para os gnósticos, Jesus Cristo é o maior mestre de todos os tempos, mas não é considerado o próprio Deus.

Entidade máxima - O Absoluto. Num conceito próximo ao do Ein Sof, Ele também tem emanações, conhecidas como "Æons".

SUFISMO
O que é - A palavra remete à ideia de pureza. Enquanto o islã crê no encontro com Deus após a morte, o sufismo defende essa possibilidade ainda em vida, por meio de uma experiência mística, chamada irfan.

Principal texto - Escrito no século 11 pelo sábio persa Hujwiri, o Kashf al Mahjub ("Revelando o Velado") discute os principais conceitos sufistas.

Principal patriarca - O profeta Maomé teria transmitido os ensinamentos sufistas àqueles que poderiam experimentar um encontro com Alá.

Entidade máxima - Seguindo a tradição islâmica, Alá é o único Deus, embora tenha uma coleção de nomes, assim como acontece na cabala.

RAJA IOGA
O que é - Originado no hinduísmo, o raja ioga ("ligação", em sânscrito) também está presente no budismo e consiste em disciplinas mentais muito além das práticas mais conhecidas no Ocidente.

Principal texto - Os textos hindus conhecidos como Ioga Sutra explicam os meios de atingir o Samadhi, que seria a união completa com Deus.

Principal patriarca - Não tem. Entretanto, uma figura histórica importante é Patañjali, autor dos Yoga Sutra e de outros textos filosóficos.

Entidade máxima - Brahman é para o Ioga a Realidade Eterna, Infinita, Imutável, Origem e Identidade de tudo o que há no Universo.
ZOROASTRISMO
O que é - Misticismo surgido na antiga Pérsia, baseado nos ensinamentos de Zaratustra. Dizem que os iniciados detinham o conhecimento místico necessário para dominar as forças da natureza.

Principal texto - Chamado Gathas, traz versos que exploram a essência divina da Verdade, da Mente Sadia e do Espírito de Justiça.

Principal patriarca - O profeta Zaratustra (ou Zoroastro) viveu em algum momento entre os séculos 16 e 10 a.C. e teria sido o autor do Gathas.

Entidade máxima - Chamado por Zaratustra de "o Deus não criado", por ser a origem de tudo, Ahura Mazda é onisciente, mas não onipotente.
TAO
O que é - Profundamente dualista, o tao prega o caminho do equilíbrio entre os eternos opostos. Viver em harmonia, agindo com sutileza por meio do "não agir" (wu-wei), seria a chave para atingir o Tao.

Principal texto - O Tao Te Ching ("Livro do Caminho e da Virtude") serviu de inspiração não só para o taoismo, mas também para o zen-budismo.

Principal patriarca - Autor do Tao Te Ching, o reverenciado Lao Tsé (o nome significa Velho Mestre) é envolto em mistérios.

Entidade máxima - Verdadeira natureza do Universo, o Tao o precede e o abarca completamente. Não personificado, confunde-se com o próprio Caminho.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
por Texto Daniel Schneider

REVISTA SUPER INTERESSANTE.

domingo, 3 de julho de 2011

A flor da Vida.

O simbolismo e a marca do site Tarot Cabala.
Amigos(as) leitores, todos já analisam o símbolo da marca do blog Tarot Cabala?

Ela possui um símbolo muito interessante e histórico, que tenho detalhar ao máximo para sua compreensão, antes de mais nada, vamos a breve descrição do é a FLOR DA VIDA, no Tarot Cabala.

A flor da vida ilumina os corações da grande família planetária, vivemos o momento do movimento e cada ação simboliza uma grande alteração na totalidade cósmica. Respire o som que vem da galáxia, sinta a sabedoria do mar e quando os grandes golfinhos tocarem o seu corpo tenha certeza que toda a sua existência se transformará. Nade nas mais altas nuvens, suba as grandes montanhas e contemple o silêncio com as portas da percepção bem abertas.Entenda que a nossa consciência pode ser expandida além das três dimensões, as notas musicais podem ser elevadas e desta mesma maneira a nossa essência pode ser modificada.A lua pode ser alcançada quando compreendemos que temos infinitas capacidades e que todos possam ser banhados pela luz que vem do Todo. Pinte sorrisos nas praças, desperte a criança interior e abrace com mais intensidade.Toque as pessoas sem medo, liberte os falsos bloqueios, pois na realidade todas as expressões se resumem em belos gestos de amor.Acenda a chama interior, acredite mais nos maravilhosos dons que recebemos, todos carregamos uma perfeita missão, basta ouvirmos os chamados internos.Venda sonhos, proporcione momentos alegres e felizes para aqueles que estão por algum motivo infelizes. Perceba que luz só ganha força quando ela consegue eliminar as sombras das almas.Viva de maneira intensa, apaixone-se a cada dia pela simplicidade da vida e quando a natureza te buscar, não recuse este maravilhoso chamado. 

A Flor da Vida é o nome moderno dado a uma figura geométrica composta de vários uniformemente espaçadas, círculos sobrepostos, que estão dispostos de modo que eles formam um padrão de flor, com uma simetria sêxtupla como um hexágono.
O centro de cada círculo é a circunferência de seis círculos em torno do mesmo diâmetro.
É considerado por alguns como um símbolo da geometria sagrada, que se diz conter o valor antigo, religiosos representando as formas fundamentais de espaço e tempo. Nesse sentido, é uma expressão visual da vida tece ligações através de todos os seres sencientes, que pode conter um tipo de Akashic Record de informações básicas de todas as coisas vivas.
Existem muitas crenças espirituais associados à Flor da Vida, por exemplo, descrições dos cinco sólidos platônicos são encontrados dentro do símbolo do Cube Metatron, que pode ser derivada da Flor do padrão de vida. Os sólidos platônicos são formas geométricas que se diz agir como um modelo a partir do qual todas as molas da vida.
Outro exemplo notável do que pode ser obtido a partir da Flor da Vida é a Árvore da Vida. Este tem sido um importante símbolo da geometria sagrada para muitas pessoas de diversas religiões. Particularmente, os ensinamentos da Cabala têm tratado intricada com a Árvore da Vida.


De acordo com Drunvalo Melchizedek, na tradição judaico-cristã, as etapas que constróem a semente da vida se diz representar os sete dias da Criação, em que Elohim (Deus / conceito da divindade) criou a vida; Gênesis 2:2-3, Êxodo 23:12, 31:16-17, Isaías 56:6-8. Dentro destes estágios, entre outras coisas, são os símbolos da bexiga Piscis (um antigo símbolo religioso) e anéis de Borromeu (que representa a Santíssima Trindade).


Flor da Vida em História e Cultura

O Templo de Osíris em Abidos, no Egito contém os exemplos mais antigos conhecidos da Flor da Vida. Precisamente quantos anos estas inscrições são é desconhecida. As sugestões de que eles são mais de 6.000 anos de idade e pode datar de tanto tempo atrás, 10.500 aC ou mais cedo, são totalmente especulativas e não baseado em qualquer realidade factual.

A pesquisa mais recente mostra que estes símbolos não pode ser anterior a 535 aC e data provavelmente, entre os séculos 2 e 4 dC, baseada em evidência fotográfica do texto grego, ainda não totalmente decifrado, visto ao lado da Flor de círculos de vida ea posição dos círculos perto do topo das colunas, que são mais 4 metros de altura. Isto sugere que o Osirion estava meio cheia de areia antes dos círculos sendo elaborado e, portanto, provável que tenha sido bem depois do final da dinastia ptolemaica.

Possivelmente cinco Flor de padrões de vida pode ser visto em uma das colunas de granito e outros cinco em uma coluna do lado oposto Osirion. Alguns são muito fracos e difíceis de distinguir. Eles não foram esculpidas no granito a ser desenhado em ocre vermelho com precisão cuidadosa. 


Cristianismo
O cristianismo tem muitas conexões simbólico para o Flor da Vida. Mais concretamente, a semente da vida e os componentes dentro da semente da vida cristã tem um significado forte para eles. Esses componentes são o octaedro esféricas, Vesica Piscis, Tripé da Vida e Árvore da Vida (Cabala). Além disso, o símbolo do Cube Metatron é delimitada por um componente da Flor da Vida e tem aparecido na arte cristã.

Kabbalah Judaísmo 
A Cabala, que historicamente tem sido estudada pelos seguidores do judaísmo, tem algumas ligações simbólico para o Flor da Vida.
O símbolo da Árvore da Vida, que pode ser obtido a partir da concepção da Flor da Vida, é estudada como parte dos ensinamentos da Cabala.
Além disso, o símbolo do Cube Metatron, encontrou, ligando os centros de cada círculo no fruto da vida, é visto no início de escrituras cabalista. 

New Age
Na New Age pensamento, a Flor da Vida apresentou o que é considerado profundo significado espiritual e formas de iluminação para aqueles que têm estudado como geometry.There sagrados são grupos de pessoas em todo o mundo, que retiram as crenças particulares e as formas de meditação base (pelo menos em parte) sobre a Flor da Vida. FlowerofLife.org, por exemplo, coordena oficinas em locais em todo o mundo, em que ensinar suas crenças da Nova Era, métodos e interpretações da Flor da Vida. 

Outras Religiões
O conceito da Árvore da vida tem sido adotada por alguns hermetistas e pagãos. O símbolo da Árvore da Vida pode ser obtido a partir da Flor da Vida. Uma das primeiras ocorrências conhecidas do Piscis Vesica e, talvez, em primeiro lugar, estava entre os pitagóricos, que considerou uma figura sagrada. A bexiga Piscis é um componente básico da Flor da Vida. 
 
Alquimia
Componentes da Flor da Vida tem sido uma parte do trabalho dos alquimistas. Cubo de Metatron é um símbolo derivado da Flor da Vida, que foi usado como um círculo ou círculo de contenção de criação.

Leonardo da Vinci
Leonardo da Vinci estudou a Flor da forma de vida e suas propriedades matemáticas. Ele chamou a Flor da Vida em si, bem como vários componentes, tais como a semente da vida. Ele desenhou figuras geométricas que representam as formas como os sólidos platônicos, uma esfera, um toro, etc, e também usou a razão de ouro Phi em sua obra, os quais podem ser extraídos da flor do projeto Vida.

Composição da Flor da Vida de Estágios
O "Seed of Life" é formado por sete círculos de serem colocados com simetria sêxtupla, formando um padrão de círculos e lentes, que atua como um componente básico da Flor de design da Vida.

Segundo alguns pesquisadores, a Semente da Vida é um símbolo de representar os sete dias da criação em que Deus criou a vida; Gênesis 2:2-3, Êxodo 23:12, 31:16-17, Isaías 56:6-8. O primeiro dia é acreditado para ser a criação da bexiga Piscis, em seguida, a criação do tripé da Vida, no segundo dia, seguido por um espaço adicional para cada dia subseqüente até que todas as sete esferas construir a semente da vida no sexto dia de Criação. O sétimo dia é o dia de descanso, conhecida como o Sabbath "ou" Shabat ".


No século 13, um grupo Cabalista de França conseguiu, através da interpretação geométrica, dividindo-se em todo o alfabeto hebraico em ordem com a semente da vida. O alfabeto resultado foi muito semelhante ao das Religiosas sábio Rashi que escreveram seus comentários sobre o Antigo Testamento, naquela época, na França. 

Na imagem ao lado, Leonardo da Vinci apresentou seu estudo geométrico da Flor da Vida.

A Flor da Vida tem treze círculos. [13 4 = tempo] Se o centro de cada círculo é considerado um "nó", e cada nó está conectado a cada outro nó com uma única linha, num total de setenta e oito linhas são criadas. Dentro deste cubo, muitas outras formas podem ser encontradas, incluindo duas dimensões achatadas versões dos cinco sólidos platônicos. Nas escrituras cabalista cedo, Metatron supostamente formas o cubo de sua alma.

Este cubo pode mais tarde ser visto na arte cristã, onde ela aparece em seu peito ou flutuando por trás dele. cubo de Metatron é também considerado um símbolo sagrado, e muitas vezes foi desenhada em torno de um objeto ou pessoa a afastar os demônios e os poderes satânicos.
Esta ideia está também presente na alquimia, em que o cubo foi favorecido como um círculo ou círculo de contenção de criação. 

NOTA E REFERÊNCIAS:
Alou além! o que eu vejo que ninguém vê..:  
http://aloualem.blogspot.com/2011/05/flor-da-vida-geometria-sagrada.html

IMAGENS: Retiradas da Internet, sem direito autoral.

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