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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Carro / Arcano 7


O Guerreiro Mago, Monge Combatente
ou Filho da Luz

O carro, sétimo arcano do Tarot é representado por um guerreiro conduzindo uma carruagem ou biga, puxada vigorosamente pois dois cavalos ou esfinges. Na realidade ele é a imagem do espirito heroico e guerreiro que habita dentro de cada um nós. Espírito este que quando desenvolvido e bem orientado para os bons ideais, nos conduz á vitória suprema em relação aos nossos objetivos, e a um real Domínio sobre a vida.
Este arcano, como todos os vinte e dois arcanos do Tarô, está relacionado a um caminho espiritual, ordem iniciática ou filosofia de vida através da qual o ser humano poderia tomar um real contato com o seu potencial interno e a partir daí se melhorar, contribuindo assim para a evolução de toda a humanidade. Mais pra frente daremos a relação dos arcanos maiores e suas respectivas tendências espiritualistas, mas agora seria interessante já comentarmos os caminhos espirituais a que esta ligado o sétimo arcano, e realmente será com muito prazer que faremos isso, pois tratam – se de duas grandes Ordens Iniciáticas mui veneráveis e respeitadas, que também possuem muitas coisas em comum. São elas:
- Os Cavaleiros Templários
- A Maçonaria
Comentaremos agora brevemente alguns dados que nos foram passados por pessoas ligadas á estas Ordens, para que possamos entender o Real Espirito Cavaleiresco* que se oculta por trás do sétimo Arcano.
 Os Cavaleiros Templários
Falar sobre os cavaleiros Templários, é falar sobre o cavaleiro perfeito. É falar de homens que estavam muito a frente de seu tempo, embora possuíssem em seus ritos é doutrinas praticas milenares extraídas das antigas Escolas de Mistérios do Oriente. É falar de uma elite de seres humanos que buscava e busca até hoje a verdadeira verdade; verdade esta livre de dogmas e estúpidos preconceitos, através dos quais as religiões dominantes veem mantendo grande parte da humanidade debaixo de suas botas durante todos estes séculos. Verdade pela qual muitos Templários deram as suas vidas para que ela pudesse chegar até nós nos dias atuais.
 Os Templários ou pobres Cavaleiros de Cristo como eram conhecidos no inicio de sua criação, tiveram origem no ano de 1111 ou 1112 d.C., ao contrario do que dizem a maioria dos historiadores, que se baseiam em Guillaume de Tyre, que insiste erradamente em dizer que os Templários nasceram no ano de 1118.
Segundo o que nos conta a história oficial, os Templários se iniciaram com apenas nove cavaleiros comandados por Hugues de Payen, que tinham por missão proteger os caminhos que levavam á terra Santa, (algo estranho, pois como poderiam apenas nove cavaleiros cobrir todos os caminhos e rotas que levavam á Terra Santa e ainda lutar nas cruzadas?) onde os cristãos sofriam constantes ataques por parte de mulçumanos e sarracenos, considerados bárbaros e infiéis pela igreja católica. Um dia sem ter sido solicitado, Hugues de Payen surgiu do nada em Jerusalém apresentou-se ao rei Baldoin 1°, que justamente com o patriarca de Jerusalém o recebeu e aos demais oito cavaleiros com todas as honrarias e cortesias (algo realmente estranho, porque quando da chegada dos Templários na Terra Santa, ela já fervilhava de centenas de outros cavaleiros entre eles alguns nobres, aos quais jamais havia sido dispensado qualquer tipo de homenagem, ou honrarias). O rei logo de cara, tratou de instalar os cavaleiros confortavelmente em seu próprio palácio (algo realmente muito estranho, uma vez que os cavaleiros para serem admitidos na Ordem Templária tinham que fazer voto de pobreza e abdicar de qualquer tipo de luxo), cedendo para eles uma área debaixo da qual se situava nada mais nada menos, que as fundações do Templo de Salomão onde os Templários erigiam o seu quartel. Daí o porquê do nome Templários.
Com o passar dos tempos os Templários começam a fazer bonito na Terra Santa e começam, por causa de sua valentia e ousadia em combate, a ser aclamados como os mais perfeitos cavaleiros cruzados em toda a Europa. A disciplina na Ordem é rigorosíssima e possui uma das mais bem definidas hierarquias militares e iniciáticas da época. Iniciáticas que os Templários ao que parece teriam gostado muito do contato com os ‘infiéis’ e aprendido com os seus inimigos (pelo menos de fachada...) judeus, mulçumanos e sarracenos segredos relativos ao Templo de Salomão, (tanto arquitetônicos como iniciáticos), á Kabbalah, á Alquimia, á utilização de ervas medicinais (os ataques epilépticos considerados na época como um sinal de possessão demoníaca eram ‘milagrocientificamente’ curados pelos Templários com os conhecimentos medicinais que eles possuíam) e o mais importante; a verdadeira historia de Cristo, e do Santo Graal- objeto sagrado cujos Templários até hoje são os reais guardiães.
Fala-se que a badalação em torno dos Templários era tanta que quando a maioria dos nove cavaleiros que haviam dado inicio a tudo retornou á Europa no ano de 1127, recebeu uma fervorosa acolhida orquestrada por São Bernardo escreveu um panfleto intitulado ‘Elogio á nova cavalaria’, onde declarava os Templários como sendo a epitome e apoteose dos valores cristãos. Depois dessa, não era de se estranhar o fato de todas as autoridades eclesiásticas se referirem aos Templários com louvor e até mesmo os mais poderosos reis curvarem suas cabeças perante a ordem, que ficava cada vez mais rica devido ao alto número de nobres e filhos da nobreza que acorriam ás suas fileiras, vindos de todas as partes da Europa. Conta-se que quando Hugues de Payen visitou a Inglaterra no final de 1128 foi acolhido com ‘grande adoração’ pelo rei Henrique I. Hugues de Payen teria, doado todos os seus bens á ordem e todos os novos recrutas que como já foi citado, alguns eram filhos da mais alta nobreza europeia e faziam a mesma coisa quando de sua entrada para a Ordem. Este fato também auxilia a explicar como os Templários obtiveram tanto poder a nível financeiro.
Castelos, fortalezas e casas templárias, se espalhavam por todo o continente Europeu e além dele, e a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo (se é que realmente algum dia os Templários foram pobres..) tornou-se a mais poderosa Ordem Monástica de toda a Europa. Ela controlava ate mesmo o dinheiro dos reis que muitas vezes preferiam guardar os seus valiosos bens em mãos templárias, pois sabiam que ninguém ousaria roubar a ordem. O poder dos Templários chegava a tal grau que eles eram muitas vezes os mediadores de batalhas internas entre reis europeus e senhores feudais, muitas vezes fazendo o curso das batalhas se alterar drasticamente apenas mandando informar que iriam apoiar este ou aquele feudo juntamente com o seu senhor.
Como nos conta o magnifico e excepcional livro O Santo Graal e a Linhagem sagrada da editora Nova Fronteira, escrito pelos brilhantes Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln- um dos poucos livros realmente confiáveis sobre os cavaleiros Templários e o Monastério do Sinai, ordem que teria criado a Ordem Templária – ‘certa vez em 1252, Henrique III rei da Inglaterra, ousou desafiá-los, ameaçando confiscar alguns de seus domínios’. Vocês Templários (...) tem tanta liberdade e tantas concessões, que suas enormes posses fazem com que esnobe com orgulho e insolência. Aquilo que foi imprudentemente dado deve, portanto, ser prudentemente retomado; e aquilo que foi desconsiderada- mente oferecido deve ser consideradamente recuperado’. O mestre da Ordem replicou: ‘Que dizes vós, oh rei! Longe esteja vossa boca de pronunciar tão desagradáveis e tolas palavras. Enquanto exercerdes justiça, reinareis. Mas se vós lá infringeis, cessareis de reinar’. Uma mentalidade moderna dificilmente  pode conceber e enormidade e a audácia desta afirmação. O mestre estava implicitamente reclamando para a sua ordem e para si um poder que nem mesmo o Papa ousaria reclamar explicitamente: o poder de coroar e depor monarcas’. Este trecho do livro o Santo Graal e a Linhagem Sagrada, nos dá uma ideia de ate onde chegava o poder dos Templários.
Tudo ia muito bem, até que em nossa historia surgem dois personagens que sem duvida estão entre os maiores canalhas e crápulas que a história já conheceu. São eles: Felipe, o Belo, Rei da França (1406) e o Papa Clemente V, que era o seu marionete. Estes dois senhores tramaram um sórdido plano para fazer com que os Templários caíssem e fossem extintos de uma vez por todas da face da terra. Agora o leitor deve estar se perguntando: se eram os Templários tão bons, tendo colaboração para um real desenvolvimento do continente Europeu, de tal forma que até mesmo alguns historiadores comentam que se não fosse a ordem Templária e alguns outros grupos iniciáticos na Europa, a sua historia seria um tanto o quanto vazia, por que alguém queria ver os Templários extintos de uma vez por todas? Por que estes homens que tanto bem fizeram para tantas pessoas incomodam tanto, a ponto de Felipe- o Belo, rei da França,- querer vê-los mortos? A resposta se encontra retornando-se um pouco na história.
Dizem que o ódio de Felipe pelos Templários começou quando tendo tentando entrar para a Ordem, o rei teria sido desdenhosamente rejeitado, devido a não possuir as ‘Condições morais’ necessárias, para sequer pisar na frente de um Cavaleiro Templário, quanto mais para se juntar a ele. Não bastasse isso um outro episódio muito interessante ocorreu entre o rei francês e os cavaleiros da famosa cruz vermelha de quatro braços iguais – emblema este adotado pelos Templários em 1146.
Conta-se que Felipe- o Belo, para fugir de uma rebelião em Paris devido as suas inúmeras falcatruas dentro do trono francês, teria pedido asilo aos Templários no que foi imediatamente auxiliado, tendo a seu lado espadas templárias para a sua defesa. Na ocasião consta que um mestre Templário juntamente com alguns cavaleiros, teve que se colocar entre Felipe e o povo que queria a sua cabeça, fazendo o povo entender que deveria dar uma segunda chance ao seu rei. Na época em que Felipe esteve entre os cavaleiros, pode constatar com os seus próprios olhos a riqueza e opulência que circulava dentro da ordem e, ao invés de ser agradecido aqueles que haviam lhe prestado auxilio, começou a voltar o seu olhar em direção á estas riquezas, pensando em como poderia se apropriar delas o quanto antes. Dizem também que Felipe não tinha na França nenhum tipo de controle sobre a Ordem e temia constantemente que ela lhe tomasse o poder, que cá para nós seria usado de maneira bem mais justa e benéfica para o povo se estivesse nas mãos dos cavaleiros desde o inicio.
Juntando todos estes dados percebemos que se Felipe quisesse exterminar com os Templários teria que pelo menos ter o apoio da Igreja e da cristandade. E foi justamente o que ele tratou de obter junto com os seus ministros que tramaram o rapto e assassinato do Papa, Bonifácio VIII e a morte por envenenamento de um outro Papa Benedito XI. Com isso Felipe, o ilustre rei assassino da França, conseguiu que em 1305 o arcebispo de Bordeaux seu candidato ao trono papal vago, fosse eleito. Após ter sido eleito o também ilustre arcebispo de Bordeux, (tão canalha quanto Felipe) assumiu o nome de Clemente V e junto com o rei Francês começou uma campanha contra os Templários, que até então tinham sido extremamente fieis á Igreja quando esta precisou deles.
Esta campanha fez com que muitos cavaleiros perdessem as suas vidas e muitos fossem torturados por tribunais inquisitoriais diabolicamente formados para acusar os Templários de inúmeras praticas sórdidas tendo como alguns exemplos : o homossexualismo entre os seus membros, o pacto diabólico e o renegar de Cristo e da cruz. Evidentemente que os Templários jamais fizeram ou fazem coisas deste tipo, tendo estes tribunais sido maquiavelicamente orquestrados por Felipe- O Belo, por Clemente V e outras ordens monásticas invejosas (principalmente os Teutônicos) que queriam realmente exterminar os Templários, para dividir entre si as suas riquezas e propriedades. Em relação aos Teutônicos, ordem criada pelos Templários, que acabo se vendendo para o poder e se voltando contra os seus criadores, dizem  que certa vez eles atacaram um castelo templário onde estaria a Arca da Aliança, dada aos Templários pelos judeus, para que eles a guardassem e a protegessem de todos que pudessem utilizar os seus poderes para o mal.
Existem coisas muito interessantes e misteriosas sobre a perseguição aos Templários.
Parece que os cavaleiros já sabiam o que iria acontecer com eles. Ninguém sabe como nem por que, e as especulações vão desde a elevada espiritualidade que estes homens possuíam e que pode lhes ter servido através de avisos intuitivos, até mesmo ás teorias que dizem que ele teriam sido avisados por gente própria casa de Felipe- o Belo, que percebendo as injustiças que estavam sendo feitas contra os cavaleiros, resolveu alertá-los. Estranhamente na madrugada de 13 de outubro de 1307, quando deu-se a ordem de que todos Templários em solo Francês deveriam ser presos e os seus bens confiscados, nenhum Templário se opôs a prisão quando os homens do rei chegaram para prendê-los, como se tivessem previamente sido orientados para agir assim. Mais estranho ainda é que parece ter havido uma audaciosa fuga templária no que dizia respeito aos seus inúmeros tesouros, entre eles o Santo Graal e a Arca da Aliança, uma vez que quando os homens de Felipe começaram a abrir os cofres das casas templárias francesa encontraram-nos completamente vazios. Segundo obscuras teorias obtidas de fontes ainda mais obscuras, a Ordem templária possuía uma base naval em La Rochelle, onde dezoito galeras estariam aguardando pelos tesouros que se encontravam na França. Após terem sido embarcados nas galeras, elas desaparecem completamente sem deixar vestígios, tornando impossível qualquer tentativa de recuperação dos bens templários por parte de Felipe- o Belo. Juntamente com os tesouros, teriam sido embarcados nas galeras todos os documentos relativos a Ordem, bem como os seus rituais, praticas esotéricas e revelações surpreendentes, que pouco-a-pouco estão surgindo para sacudir as nossas frágeis crenças...afinal de contas, já era hora!
O rei Felipe não contente com a ilegal posse que tomou, pelo menos das propriedades templárias, continuou maquinando a extinção total da Ordem, pelo menos na França. É claro que o rei francês também tentou extinguir a ordem além do seu território, instigando os outros monarcas a serem tão cruéis e rigorosos, quanto ele tinha sido contra os Templários de seu país. Como já era de se esperar, Felipe viu seus planos frustrados, pois os outros reis ao invés de condenarem os Cavaleiros do templo, passaram a acolhê-los e protege-los contra o vil tirano. Os templários foram protegidos por Eduardo II da Inglaterra; purificados em Portugal, apenas mudando o nome da Ordem, para ordem dos cavaleiros de Cristo, que teve como membros Vasco da Gama, o infante Henrique o Navegador e Cristovão Colombo (procure reparar na forma e na cor da cruz das inúmeras caravelas que circulavam no século dezesseis); na Escócia jamais foram dissolvidos (e alguns destes Templários, podem até mesmo ter colaborado com a criação de algumas praticas que existem até hoje dentro do Rito Escocês Antigo e Aceito, da Maçonaria) e lutaram ao lado do Rei Robert de Bruce na batalha de Bannockburn contra os ingleses, pela independência do pais; na Espanha resistiram contra os seus perseguidores e encontraram refugio em outras ordens; na Alemanha desafiaram abertamente aqueles que os acusavam ameaçando pegar em armas, o que fez com que os juízes os declarassem inocentes (o que os Templários sempre foram!)
 Felipe- o Belo tanto fez, que em 1312 conseguiu com que o seu pau-mandado o Papa Clemente V, dissolvesse a Ordem, que a esta altura como já foi citado, tinha encontrado refúgio em outros países e dentro de outras ordens, como os Hospitalários, a Ordem do Santo Sepulcro, etc.. Não cansado das inúmeras atrocidades que tinha cometido contra os Cavaleiros da cruz vermelha de quatro braços iguais, Felipe resolveu cometer um ultimo ato de desatino inconsciente que acabaria culminando com a sua própria morte.
No dia 18 de março de 1314 Felipe- o Belo e Clemente V, propiciaram á humanidade o assassinato de dois dos mais notáveis homens que já pisaram na face da Terra: o último Grão-Mestre templário do ciclo 1112/1314 Jaques de Molay e seu leal companheiro Geofrey de Charnay Grão-Mestre Templário provincial da Normandia, que junto com Molay declarou serem falsas e diabolicamente arquitetadas, todas as acusações feitas contra a Ordem.
Uma pira foi erigida na ilha de Senna, que situava-se entre os jardins do palácio real e a Igreja de Santo Agostinho e nela foram lentamente queimados Jaques de Molay e Geofrey de Charnay. Segundo nos conta a tradição, antes de morrer consumido pelo fogo Jaques de Molay teria lançado um terrível maldição sobre os seus carrascos, mais ou menos com estas palavras:
 -‘Vou morrer e Deus sabe que injustamente. Logo cairão em desgraça os que nos condenam sem justiça. Deus vingará nossa morte, morro com essa convicção. Senhor rogo que dirijais vosso olhar a Nossa Senhora para que ela nos acolha... Clemente V, Papa, eu o condeno a comparecer perante o tribunal de Deus em quarenta dias. E a você rei Felipe, antes de completar um ano!’
Como podemos constatar pela Historia, no dia 20 de abril de 1314 o Papa Clemente V morreu com uma infecção intestinal, o que nos dá exatamente um prazo de trinta e três dias, como havia falado Jaques de Molay, em sua maldição. O Rei Felipe- o Belo por sua vez, sofreu no dia 4 de novembro, quando passeava a cavalo um ataque de apoplexia, morrendo paralitico 25 dias depois, também próximo ao prazo de Molay havia determinado (nove meses após a maldição, que tinha estabelecido que Felipe morreria em menos de um ano). Dizem que não foram apenas o rei da França e o Papa, que tiveram um final de vida infeliz. Várias pessoas que haviam forjado pistas falsas contra os Templários, que culminaram com a sua condenação e perseguição, tiveram fins trágicos. Algumas foram assassinadas, outras enforcadas e o rei Luis XVI ultimo rei da dinastia dos Capetos, a qual pertencia Felipe- o Belo foi levado á guilhotina, tendo sido decapitado no dia 21 de janeiro de 1793. Segundo testemunhas, na decapitação de Luis XVI, um fato no mínimo curioso ocorreu: após a decapitação um espectador desconhecido subiu ao cadafalso e, tendo molhado os seus dedos no sangue do monarca morto aspergiu-o sobre o povo e gritou: ‘eu te batizo, povo, em nome da liberdade de Jaques de Molay!’. Após isso, dizem as testemunhas que um coro respondeu: ‘Jaques de Molay está vingado!’.
Felipe de clemente V, acharam que através da perseguição, mentiras e acusações, que foram lançadas contra a Ordem Templária, ela se extinguiria. Estavam completamente enganados, pois como a verdade sempre prevalece, de vilões que o rei francês quis tornar os Templários, eles se converteram em mártires, heróis cavaleiros e homens justos e bons que hoje em dia –uma vez que a ordem jamais foi extinta – inspiram através de seus exemplos, vários grupos ocultistas que empregam ás suas praticas esotéricas.
Mistérios, magia, lendas, castelos, bandeiras, o mistério do santo Graal, coragem, tesouros inimagináveis e segredos que poderiam se viessem a tona abalar totalmente a Cristandade, constituem a história dos Templários- invejados por muitos, temidos por todos e admirados por aqueles que buscam verdadeiramente a Espiritualidade!
A Maçonaria
A maçonaria foi, é, e sempre será uma escola iniciática que visa o aperfeiçoamento do ser humano a nível moral, cultural e espiritual. Seus membros são escolhidos por uma rigorosa seleção, que visa justamente formar um grupo seleto de homens, que realmente desejem trabalhar pelo desenvolvimento da sociedade em todas as áreas possíveis, oferecendo o melhor de si em pról daqueles que necessitam.
Até a sua admissão pela sublime Instituição, o candidato é considerado um ‘profano’, ou seja, aquele que ainda não foi iniciado nos mistérios da Ordem. Após a iniciação, quando o candidato passará por inúmeras provas com o objetivo de testar a sua coragem, moral e real desejo de evolução espiritual, ele é admitido na Ordem com todas as formalidades ritualísticas e passa a ser chamado pelos Maçons de ‘irmão’, tornando-se ele próprio um Maçom. Enquanto o novo Maçom viver, por este termo ele sempre será conhecido, não importando em que parte do mundo ele se encontre, uma vez que a Maçonaria é uma Instituição de caráter Universal, possuindo Lojas em toda face da Terra, e além dela.
O local que os Maçons se reúnem é chamado de Loja ou oficina. E nestes lugares, juntos, como verdadeiros irmãos, os Maçons realizam atividades culturais, sociais e principalmente espirituais, que tem por objetivo o seu aprimoramento moral. Quando aceitos pela Maçonaria, os neófitos são simbolizados como uma pedra bruta, que precisaria ser desbastada,  e se tornar uma pedra polida, podendo então ser utilizada dentro da construção da Grande Obra. Esta obra, tem por objetivo levar o Maçom a uma real tomada de consciência a respeito de quem ele é, e de seu potencial, para que ele possa melhor servir e glorificar O Grande Arquiteto do Universo, manifestando a sua vontade sobre a face da Terra, em todos os seus pensamentos, palavras e ações.
A Maçonaria aceita em suas fileiras homens de todas as raças, credos e tendências filosóficas e politicas. Um dos aspectos mais bonitos dentro da Instituição, é justamente o fato de que apesar das varias tendências que os membros apresentam nos aspectos anteriormente citados, todos conseguem viver numa perfeita união estreitando a cada dia os laços de fraternidade que os unem como verdadeiros irmãos.
Responsável por grandes mudanças dentro da História Mundial em diversas épocas, e em diversos países, a Maçonaria sempre interveio na sociedade quando viu ameaçada de alguma maneira a raça humana. Quando o fez, foi sempre visando acima de tudo o bem do planeta e de todos que nele vivem, agindo sempre de forma sigilosa. A Terra, tem portanto muitos heróis incógnitos, que permanecem para sempre na memoria de todos aqueles que lutam pela Liberdade, Fraternidade e Igualdade.
De ideias altamente filantrópicas, a Ordem também pratica a caridade dentro dos mais diversos segmentos da sociedade, mas com a diferença de nunca se pronunciar como a ‘grande benfeitora’, pois isso seria humilhar o necessitado, e este comportamento de ‘beneficiência ostensiva’, não corresponde á real caridade.
Em alguns ritos maçônicos, pode ser notada claramente uma certa influência cavaleiresca, principalmente ligada aos antigos ritos dos Cavaleiros Templários. O Maçom, bem como o Cavaleiro Templário, compartilha em suas ritualísticas de muitos símbolos em comum, que fazem parte há milênios de varias Egrégoras Iniciáticas da Tradição, através dos quais seus membros, dentro de uma linguagem altamente simbólica e alegórica, podem compreender melhor a si mesmos, a nível interior.
Ordem temida e até mesmo em alguns tempos perseguida, devido a ignorância de algumas religiões dominantes, e, aos segredos que ela guarda, que poderiam fazer muitos contextos religiosos tremerem em suas bases, a Maçonaria segue hoje soberana o seu caminho, trazendo a muitos homens de bem a Luz da Verdade e trabalhando incessantemente pelo aperfeiçoamento Moral, Cultural e Espiritual do homem, e, por consequência, de toda a Humanidade.
- Liberdade, Igualdade e Fraternidade;
  Ontem, hoje e sempre a todos os Maçons
  e demais Homens de Bem, que caminham sobre a face da terra!
*Espirito Cavaleiresco: ‘União do Oriente com o Ocidente visando o crescimento da humanidade, educação espiritual, transformação social, curas, apoio ao mais fraco e liberdade politica.’
Os símbolos que compõem o Arcano do Carro.
A chuva de estrelas que cai sobre a carruagem, pode representar que o guerreiro que guia o veículo, tem profundas conexões com uma sabedoria de natureza cósmica, o que já faria com que este guerreiro, em suas batalhas não fosse unicamente guiado pela razão. Por outro lado, o baldaquim que faz acima da carruagem de cor azul ornado por pentagramas dourados simbolizaria os planos superiores do astral, e neste caso os pentagramas (estrelas) que em profundo estudo representam um poder superior ao poder humano também serviriam para o guerreiro como um símbolo de proteção contra as forças maléficas do astral inferior. Além destes dois significados este dossel paramentado por inúmeras estrelas, visto que ele se estende em direção ao infinito, também representa a abóbada celeste que existe nos tetos das lojas Maçônicas onde estão contidos vários astros e alegorias estelares, com a função de auxiliar o Maçom na sua busca espiritual, através do estudo e reflexão.
Existem quatro colunas que sustentam o dossel, cujos significados são: saber, ousar, querer e calar. Sem estas quatro virtudes herméticas, é realmente impossível a realização de qualquer operação magica verdadeira, e o Guerreiro – Mago que conduz o carro de forma triunfante, deixa de ser reconhecido por este titulo e passa a ser um fanfarrão aventureiro, que mais fala do que realiza. As colunas, também representam os quatro elementos da natureza, que se submetem ao Senhor do Cetro e da Espada- o Mago vencedor; que triunfou de suas provas e atingiu a real Consciência e sabedoria da vida.
Na cabeça do Guerreiro, notamos uma coroa de ouro, que representa o elevado grau de consciência que este personagem possui, e, que permite a ele penetrar profundamente nos mistérios dos três planos existentes do Universo. Os três pentagramas existentes na coroa, representariam o Poder equilibrado pela Inteligência e pela Sabedoria. Podem também representar os três primeiros Raios da Grande Fraternidade Branca: Azul, Amarelo e Rosa, que representam consecutivamente o Poder, a sabedoria, e o Amor.
A couraça, que se encontra no peito do Guerreiro representa a força, mas também em linguagem esotérica representa a Sabedoria da qual está revestido o Mago, sem a qual ele não teria a mínima proteção durante suas operações magicas, o que seria muito perigoso! Em alguns Tarôs existem três esquadros na couraça, que representam a retidão do Juízo, da verdade e da ação, através da qual o homem pode realizar as suas obras, sem correr riscos desnecessários.
O crescente lunar branco, em linguagem esotérica representa o poder ‘solve’, ou seja, o poder de manifestar coisas evoluídas e sutis. O crescente lunar negro, irá representar dentro dos mesmos parâmetros o poder ‘Coagula’, ou seja, o poder de tornar denso aquilo que está no astral, e manifestá-lo no plano físico e nos subplanos inferiores.
A espada que o guerreiro traz na mão esquerda com sua ponta voltada para cima, representa a vitória. É interessante dizer, que sobre a simbologia da espada, daria para se escrever um livro inteiro, e, ainda sobraria assunto, mas por enquanto, deixemos como está...
O cetro que o guerreiro porta na sua mão direita, está encimado por três símbolos, a saber: um globo, um quadrado e um triangulo. Damos a seguir alguns dos significados destes três símbolos:
- o globo ou circulo, representa a esfera terrestre, mas também pode representar a Eternidade.
- o quadrado representa a forma, a matéria e também, a personalidade humana, composta pelo físico, pelo duplo etérico, pelo emocional e pela mente concreta ou objetiva.
- o triângulo equilátero representa o espirito, composto pela mente abstrata ou subjetiva, pela intuição e pela mente Crística ou, o ‘EU SOU’ de cada um.
Além de ser um símbolo de autoridade através do qual o guerreiro domina o território atual em que ele se encontra, bem como aqueles que ele já conquistou, o cetro, se juntarmos todas as explicações sobre a simbologia do globo, do quadrado e do triângulo que foram dadas acima, passa a ter o seguinte significados:
 ‘O Espirito, domina a forma, que por sua vez está manifestada no globo terrestre, que seria o plano físico’.
A esfera alada que vemos na parte frontal do carro representa entre outras coisas i Tetragramaton, ou seja, i Iod-He-Vav-He. Poderá também representar as aspirações elevadas.
O Yoni e o Lingham*, logo abaixo da esfera alada representam a sexualidade controlada pelo homem, que pouco a pouco vai se tornando o senhor de seus desejos e paixões, sem no entanto reprimi-los.

As duas esfinges que puxam o carro e são dominadas pelo guerreiro representam forças opostas, mas que podem ser subjulgadas, e, trabalhar em união fazendo triunfar o condutor da carruagem. A esfinge branca representa o bem conquistado, e, a negra, o mal vencido.
Entre as duas esfinges do Tarô Namur, podemos notar o símbolo do taoísmo, que composto por dois polos que são denominados Yin, e Yang. Este é um símbolo de equilíbrio sugerindo os inúmeros aspectos duais que existem em todo o Universo. Também nos lembra o chamado ‘Caminho do Meio’ sobre o qual está fundamentada quase toda a filosofia Taoista. Um caminho composto com o melhor das duas metades, gerando um terceiro caminho, que seria a síntese equilibrada dos dois caminhos (Yin/Yang) onde haveria por assim dizer, o Real Equilíbrio e a Harmonia.
É interessante observarmos o conjunto formado pela carruagem, pelas quatro colunas e pelo triângulo acima das quatro colunas. Como podemos verificar, temos um quadrado encimado por um triângulo. Esta figura geométrica representa a ‘pedra cúbica’, - um símbolo de perfeição – que apenas pode atingir esta forma perfeita depois do exaustivo trabalho de equilíbrio de oposto, silêncio e dedicação do guerreiro acima do carro, submetendo os seus erros e paixões, a serviço de algo maior. Em linguagem bem esotérica e para aqueles que gostam do estudo da simbologia, o Quadrado representaria a personalidade humana formada por quatro níveis ou aspectos a saber: o físico, o duplo etérico, o emocional e o mental concreto. O quadrado também representa os já conhecidos quatro elementos da natureza: fogo, água, ar e terra – seguindo está sequência para acompanhar a configuração destes elementos dentro da Árvore da vida. O triângulo por sua vez irá caracterizar o espírito do ser humano como ser individual que ele é, e, apresentará três níveis a saber: mente abstrata, intuição e mente Crística. A mente Crística também pode ser chamada de Divina e Poderosa Presença de Deus em Mim o ‘EU SOU’, ou Atmã, segundo os teósofos.
Ainda dentro da simbologia de carruagem, o leitor, que já entrou em uma Loja Maçônica, com certeza observou que o Venerável – Mestre, senta-se bem abaixo de um dossel, muitas vezes sustentado por quatro colunas, tendo á sua frente uma mesa, que representaria o quadrado. Olhando para cima, o leitor pode ter atentado para um teto pintado, representando o Céu, ou, Abóbada Celeste, como dizem os Maçons. Depois de todos estes detalhes, ainda existem pessoas,- inclusive Maçons- que dizem sem nenhum conhecimento de causa, que a Maçonaria não tem nenhuma ligação com o misticismo e esoterismo. A respeito deste comentário, que é muito comum inclusive aos Maçons não muito observadores, eu sugeriria um pouco mais de estudo e atenção, em relação a vasta simbologia que cerca não apenas a Maçonaria, mais também a todas as demais Ordens Iniciáticas sérias que existem sobre a face da Terra.
*O Yoni representa o órgão sexual feminino, enquanto o Linghan representa o órgão sexual masculino dentro do Induismo, mais precisamente no Tantra.
 Significado do 7° Arcano- O Carro
O sétimo arcano- O Carro – um dos mais ricos a nível de simbologia, é conhecido por aqueles que estudam o Tarô, como sendo um arcano que representa vitória, conquista, triunfo e realização entre outras coisas, de aspecto benéfico. Além destes significados positivos, é bom que se saiba que este arcano vai muito além disto.
O carro, representa a que ponto, pode chegar uma pessoa que baseie a sua vida numa conduta reta, digna e justa. Ele nos faz lembrar dos valores mais elevados que existem dentro dos seres humanos, que quando bem exercitados, levam o homem á conquista de todas as vitorias e triunfos que a vida pode lhe oferecer.
Com a presença deste arcano numa consulta, temos que refletir sobre a ilimitada força e potencial de realização que possuímos, e, colocar este poder em movimento, no sentido de atingir os nossos objetivos e ideias de vida, lembrando sempre de que quando evoluímos, sempre levamos, algumas pessoas que estão ao nosso redor conosco. Daí o porquê dos nossos desejos e aspirações, jamais poderem ser egoístas e mesquinhos, visando unicamente o nosso engrandecimento pessoal e benefícios próprios. É claro que para atingirmos as nossas realizações, temos que em primeiro lugar, pensar em nós mesmos, mas este ‘pensar em nós’ se refere a uma conduta de auto-análise a nível interior, para que possamos refletir a respeito de nossos potenciais, e baseados em nossa força interna bem dirigida e focalizada, atingirmos os nossos ideais. No entanto, após atingidos estes ideais, jamais devemos nos esquecer ou menosprezar, aqueles menos favorecidos, que muitas vezes não tiveram por escolha própria antes de encarnarem neste planeta, as mesmas chances e potenciais que possuímos, esperando portanto através destas limitações que se impuseram, atingir em vidas futuras uma posição mais favorecida. A estas inúmeras almas, temos que estender as nossas mãos, evidentemente na medida em que elas também queiram aceita-las, para que todos nós possamos crescer juntos, manifestando assim um dos maiores desígnios do grande Arquiteto do Universo, que é justamente ver os seus filhos crescendo e evoluindo em união, manifestando assim a sua vontade sobre a face da Terra.
Dotado como já foi dito, de extrema determinação, força e poder, lá vai o guerreiro encouraçado trilhando o seu caminho de conquistas e perdas, vitórias e derrotas, alegrias e tristezas, mundo afora, numa busca incessante por aprimoramento em todos os níveis, desde o mais mundano, até o mais sagrado. Ele tenta controlar duas esfinges, que tentam por sua vez ir em direções opostas, simbolizando as inúmeras contradições, desvios e desencontros que o esperam em sua jornada, compondo até mesmo um verdadeiro turbilhão de forças astrais opostas que precisam ser colocadas a trabalhar juntas, para que possam ser realizados os ideais, e por que não dizer também, a Grande Obra?
Ele, o guerreiro- Mago que conduz o carro, é o senhor de si, em constantes batalhas consigo mesmo já tendo compreendido que não conseguirá alterar o seu mundo exterior para melhor, enquanto não começar pelas reformas internas. O cetro que porta, além de simbolizar domínio sobre os territórios que ele já conquistou, conquista e ainda vai conquistar, poderia representar também a responsabilidade que o poder cobra de todo de aquele que o possui. A espada, pode ser considerada como sendo uma ferramenta que o guerreiro utilizará, para cortar antigos padrões de comportamento obsoletos, restritivos e limitadores, que o impedem de atingir a sua meta, talvez pelo excesso de falta de segurança, que o impedem de romper com o velho, para que possa atingir o novo. É uma espada ‘discriminadora’. Uma poderosa arma que se mal utilizada produzirá profundos e dolorosos cortes no âmago de nossos seres. E uma vez que a espada também representa o ar, e, estando o ar ligado ao plano mental, temos que ter muito cuidado também em relação a qualidade de nossos pensamentos, bem como a respeito da qualidade daquilo que expressamos, se não quisermos que a espada, que por hora nos protege, se volte rápida e violentamente contra nós mesmos. 

Acreditar. Crer que podemos atingir qualquer meta e qualquer objetivo, é um dos requisitos fundamentais para que possamos nos harmonizar com este arcano. Como nos diz a sábia Runa de Algiz, muitas vezes a maior proteção do guerreiro espiritual em sua jornada, se baseia em duas coisas: a certeza de que ele não fracassará, e, o caminhar baseado em atitudes correta. Seguindo estes dois padrões comportamentais, pelo menos podemos ter a certeza de que não vencermos sempre, - o que tirando- se o arcano do Carro só ocorreria por pura negligência de nossa parte, por não seguir o que já foi recomendado até agora –pelo menos jamais perderemos coisa alguma, uma vez que sempre podemos tirar experiência de vida das nossas empreitadas, tanto das bem, como das mal- sucedidas.
O arcano do carro coloca que todos nós temos um destino, mas se através da utilização da real consciência interior interviermos, posicionarmos e dirigirmos sabiamente a qualidade de nossos potenciais internos, e de nossos desejos, não ficaremos submetidas a nenhum destino, e encontraremos o caminho da liberdade. O caminho através do qual possamos ser livres física, mental, emocional e, espiritualmente.
O Caminho na árvore da vida (cabala).
REFERÊNCIA DE ESTUDO:
__________________________________
 
Segredos do Eterno. Alexandre José Garzeri

O TarotCabalístico - um manual de filosofia Mística. Robert Wang
IMAGENS E DECKS (fotos)
THOTH CROWLEY
TAROT NAMUR
MARSELHA
SALVADOR DALÍ TAROT
BARBARA WALKER
OLD ENGLISH TAROT
RIDER WAITE
TAROCCO SOPRAFINO

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Baphomet / O Diabo / Arcano 15

Só existe uma coisa mais controvertida que o décimo quinto arcano, que é justamente falar sobre ele.

Quando falamos em diabo, demônio ou coisa parecida, a primeira imagem que nos vem á cabeça é a de um ser com cara de bode, asas de morcego, rabinho pontiagudo, tronco de ser humano constituindo a metade superior e, tanto patas como cascos de bode formando a metade inferior deste estranho ser- e tudo isto sem esquecer do famoso tridente pontiagudo que o nosso bodinho costuma ter sempre em uma de suas mãos. Bom pelo menos, esta é a imagem mais aceita em todo o mundo e vendida há anos por romancistas, diretores de filmes de suspense e até mesmo pela própria Igreja Católica. Agora, se formos analisar bem as coisas, é simplesmente ridículo acreditar na existência de um ser deste gênero, uma vez que esta misteriosa e assustadora figura nada mais e do que algo simbólico e arquetipal, que esconde por trás de sua aterradora imagem, muitos segredos de arco-da-velha.
O diabo que todos nós conhecemos e que quando éramos pequenos costumava morar em baixo de nossas camas, - sem pagar aluguel, é claro! – aguardando a mínima travessura mais ousada para nos pegar, tem muitas formas de ser analisado, dependendo do pais onde nos encontramos, e dos cultos e diversas tendências filosóficas, místicas e herméticas espalhadas por toda a face da terra. Vamos abrir as nossas mentes e analisar algumas destas visões:
Os  Cristãos – para os cristãos, sejam eles católicos, protestantes, evangélicos, testemunhas de Jeová, ou seja lá qual for a ramificação, o diabo, o capiroto, capeta, o torto, o dito cujo, o inimigo, o cão e tantas outras denominações tão estranhas e ‘meigas’ quanto estas, é o Arqui- Inimigo de Deus, tentando corromper a obra do Criador e arrastar todos nós para a perdição; como se nós já não fizéssemos isso sem a ajuda dele...
Dentro do cristianismo segundo o que nos diz a narrativa ortodoxa, Lúcifer seria o mais belo de todos os anjos, e também o mais apegado ao Pai. Só que este amor que Lúcifer sentia pelo Criador, começou a mudar justamente quanto este resolveu criar o homem e colocar toda a hierarquia angelical á serviço do mesmo, perante o qual á partir de então os Mensageiros Alados de Deus, teriam que se curvar para servir um humano, que ele considerava tão bom quanto um macaco. Um outro motivo que revoltava Lúcifer, era justamente o fato de Deus ter dado ao homem o livre-arbítrio, coisa que nem mesmo os anjos até hoje possuem. Através do livre- arbítrio os homens poderiam, como podem até os nossos dias atuais, decidir se aceitam ou não a ajuda dos anjos no seu processo de evolução espiritual e, também nos diversos afazeres do nosso dia-a-dia.

Tudo isto foi deixando Lúcifer com inveja e o seu coração começou a tornar-se negro, até o ponto em que ele com outros anjos rebeldes, resolveu revoltar-se contra Deus e sua corte Celestial. Neste ponto interveio o poderoso arcanjo Miguel, que colocou Lúcifer para fora do Paraiso com fortes golpes de sua espada de fogo e o auxilio de outros poderosos arcanjos e anjos que se uniram a ele com o proposito de restabelecer a paz nos céus, que é o reino natural dos anjos.
Lúcifer começou a criar o seu reino segundo a crença cristã, abaixo da terra, para onde ele tentava, através de falsas promessas de poder, corromper e levar não apenas outros anjos tornando-o anjos-caídos, como também as almas dos homens, fazendo sinistros pactos com os suficientemente incautos que se deixavam envolver por sua magnifica lábia e poder da persuasão.
Esta história que acaba de ser narrada, embora possa apresentar algumas diferenças dentro dos vários círculos de fé cristã existentes atualmente, é uma das mais aceitas em todos os lugares onde o cristianismo, não importando a linha, já tenha sido estabelecido.
Para finalizar, seria interessante dizer que o diabo dentro de algumas linhas cristãs mais radicais, tem-se tornado muito popular nos últimos tempos. Até mesmo podemos vê-lo em ação altas horas da madrugada em nossos televisores, tomando o corpo e a mente de pessoas simples e humildes, que serão tão ‘libertadas’ quanto as suas carteiras por uns espertalhões de terno e gravata que, se por um lado não apresentam vocação para pregar a fé cristã de maneira decente (ou seja sem fanatismo e acima de tudo com a mente aberta), pelo menos são excelentes atores de teatro e contadores de ‘causos’ maravilhosos, muitos semelhantes a um amigo seriado de televisão conhecido como ‘A ilha da Fantasia’.
Enfim: ‘Que Deus os abençoe a todos, pois sem os fanáticos o mundo seria bem menos divertido e que me desampare. Amém!

Os Bruxos (WICCA) – o diabo dentro da bruxaria tem uma imagem completamente diferente do que a maioria das pessoas acredita, e isto se deve ao fato de que se nem a bruxaria é ainda bem compreendida nos dias atuais, quanto mais um dos seus principais ícones que, diga-se de passagem, nem pelo nome de diabo é tratado.
Para entendermos um pouco melhor a relação do diabo com os Wiccanianos (bruxos), vamos nos deter alguns momentos num breve estudo sobre a arte da bruxaria.
Em primeiro lugar vamos procurar entender o que é a WICCA. Segundo o livro ‘A dança Cósmica das feiticeiras’, escrito pôr Starhawk, temos uma visão bem interessante sobre esta pratica anciã cuja origem se perde na noite dos tempos (alguns estudiosos dizem que a origem do movimento wiccaniano teria se dado há trinta e cinco mil anos atrás, no continente europeu) a saber:
‘A Antiga Religião não se baseiam dogmas, ou em um conjunto de crenças, nem tão pouco em escrituras ou num livro sagrado revelado por um grande homem.
A bruxaria é uma religião que retira os seus ensinamentos da natureza e inspira-se nos movimentos do sol, da lua, e das estrelas, no vôo dos pássaros, no lento crescimento das arvores e nos ciclos das estações’.

A partir desta definição podemos compreender que antes de mais nada a WICCA, ou bruxaria como é mais conhecida, é um sistema filosófico transcendental que visa a integração do ser humano com as forças da natureza em todos os seus aspectos, com os demais seres humanos e por fim com todo o Universo. Um sistema que vise a integração, e no aspecto wiccaniano, integração é uma palavra que pode também ser colocada como Amor Universal, já faz cair por terra as afirmações de que os bruxos estariam envolvidos com pactos satânicos, rituais de sacrifício de vidas, praticas que visariam amaldiçoar as demais pessoas e toda uma serie de baboseiras com as quais as religiões dominantes tentaram denegrir a tradição wiccaniana ao longo dos séculos.
Não que seja a minha intenção neste livro proteger esta ou aquela tendência, filosofia, ou linha de pensamento. O que me preocupa é colocar fatos concretos, para que o leitor possa, através de sua consciência, discernir melhor os mitos da realidade, a fim de formar uma opinião pessoal solida, baseada de preferencia em conceitos sobre os quais ele pode ter certeza absoluta, que foram estudados e seriamente pesquisados por este que agora vos escreve.
Dentro do que foi dito no ultimo paragrafo, irei colocar agora, apesar da WICCA não ser regida por dogmas, as leis que regem um dos inúmeros Covens- grupo de bruxos formado por treze pessoas ligadas á Arte- existentes na face da Terra, para que o leitor por si mesmo, através da leitura destas leis decida se a WICCA ou bruxaria, seria mesmo algo tão macabro quanto o que dizem:
Leis Wiccanianas estabelecidas por um conselho de Bruxos Americanos em abril de 1974:
1 - Praticamos nossos ritos para colocarmo-nos em harmonia com o ritmo natural das forças da natureza marcadas pelas fases da Lua e das Estações.
2 - Nós temos plena consciência de que a nossa inteligência nos outorga uma responsabilidade única á respeito de nosso meio ambiente. Pretendemos viver em harmonia ecológico e respeitar a vida dentro de um conceito evolucionário.
3 - Reconhecemos um poder muito maior que aquele detectado pelas pessoas normais. Sendo tão forte que ás vezes é dominado de sobrenatural. Mas nós o vemos como parte de algo que pode ser alcançado por todos.
4 - Cremos que o Poder Criador do Universo se manifesta através da polaridade-como masculino e feminino- e que este mesmo poder reside em todas as pessoas e opera mediante a integração do principio masculino com o feminino. Valorizamos os dois princípios por igual, sabendo que cada um é o suporte do outro. Valorizamos o sexo como prazer, como símbolo e manifestação da vida e como uma das fontes de energia utilizada nas praticas mágicas e na adoração religiosa.
5 - Reconhecemos tanto o mundo externo quanto o interno ou psíquico, ás vezes conhecido como o Mundo Espiritual, o Inconsciente Coletivo, os planos interiores, etc.;  vendo na interação destas duas dimensões a base para os fenômenos paranormais e os exercícios mágicos. Prestamos igual atenção ás duas dimensões, considerando ambas necessárias para nossa realização.
6 - Não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas sim honramos aqueles que ensinam, respeitamos a quem compartilha os seus conhecimentos e sabedoria e apreciamos os que valentemente se dedicam a ser mestres.
7 - Consideramos que a religião, a magia e a sabedoria nos unem em nossa forma de contemplar e viver dentro do mundo e identificamos esta filosofia e visão mundial como a Bruxaria, ‘O Sendero dos WICCANS’.
8 - Chamar-se a si mesmo de bruxo não quer dizer que a pessoa  seja uma bruxa(o) e nem interessa a coleção de títulos, graus e iniciações que alguém possua, porque sem duvida alguma, a Arte não está baseada em títulos externos. O bruxo tenta controlar as forças vitais dentro de si mesmo á fim de viver sabiamente, em harmonia com a natureza, sem prejudicar a nada, nem a ninguém.
9 - Afirmamos nossa crença na vida, no progresso da evolução e no desabrochar do conhecimento, os quais dão um significado ao universo conhecido por nós e ao nosso papel dentro dele.
10 - Nossa única desavença contra o cristianismo ou contra qualquer religião ou filosofia autoritária reside no fato de pretenderem pretensiosamente ser estas o ‘Único caminho’, privando as pessoas de ter liberdade para pensarem por si mesmas e condenando outras praticas que não estejam de acordo com os dogmas e preceitos estabelecidos.
11 - Como bruxos americanos não estamos envolvidos em debates sobre a historia da Arte, as origens dos distintos termos técnicos, a legitimidade dos vários aspectos de diferentes tradições, interessando-nos unicamente por nosso presente e futuro.
12 - Não aceitamos o conceito do mal absoluto, nem adoramos nenhuma entidade conhecida como Satanás ou o Diabo, tal e como são definidos pela tradição cristã. Não buscamos o poder através do sofrimento das demais pessoas, nem permitimos em nossos rituais que se obtenha algum beneficio pessoal utilizando para isso de meios obscuros e sombrios.
13 - Cremos que devamos buscar na Natureza o necessário para a nossa saúde e bem estar.
OBS: Por serem estas leis citadas acima pertencentes a um Coven americano- muito respeitado, diga-se de passagem! – o autor traduziu alguns itens segundo termos e ideias que se adaptassem melhor ao nosso pais, mesmo assim em nada alterando o conteúdo essencial. O enunciado acima foi extraído do livro ‘El Libro Completo de la Brujeria de Buckland’, do célebre Bruxo.

Raymond Buckland

Depois de colocadas as treze leis, que como já foi dito regem um dos inúmeros Covens existentes na face da Terra, leis estas que podem variar de Coven para Coven, mas que jamais pregariam algo que estivesse contra o amor Universal ou contra todas as formas de VIDA, começamos a ter uma visão diferente da tão mal afamada prática da bruxaria e notamos que alguém que faça parte de um grupo Wiccaniano e procure viver de acordo com os preceitos da Antiga Religião, jamais cometeria algum ato que o ligasse ás forças das trevas, principalmente para a realização de algum desejo mesquinho e egoísta. Nem passaria jamais pela cabeça deste bruxo(a) ou Wiccan a ideia de algum tipo de prática envolvendo os horrendos sacrifícios cultuados ainda hoje por algumas correntes de Satanistas que particularmente eu considero um bando de débeis mentais que necessitam urgentemente de tratamento, pois a verdadeira Magia, ou seja, aquela Magia Interna e dedicada não apenas á evolução do ser humano, bem como á evolução de toda a humanidade, jamais necessitou, necessita ou necessitará de algum tipo de sacrifício que não seja o sacrifício do tempo, a aplicação, disciplina e força de vontade por parte daqueles que desejam se tornar verdadeiros adeptos da Arte. Sendo assim podemos concluir que a WICCA ou Bruxaria jamais teve ou nada tem a ver com o Demônio ou rituais demoníacos, como outrora tentavam provar os nojentos tribunais da Santa Inquisição, que constituíram uma das páginas mais vergonhosas da história da humanidade. E tudo isso em nome de Deus, é claro...
Voltando ao diabo dentro da tradição Wiccaniana, os bruxos(as) acreditam em uma divindade suprema feminina, a quem reverenciam mais normalmente pelo nome de ‘A Deusa’, que teria dado vida a tudo que conhecemos sobre a face da Terra e além dela temos o diabo, chamado dentro da Wicca de ‘O Deus Galhudo’, ou ‘O Deus Chifrudo’, que é quem se uniu á Deusa para fecunda-la podendo depois ela parir como a ‘Grande Mãe’ todas as formas de vida.
Por parte dos mais beatos, a simples menção dos termos ‘Galhudo e Chifrudo’, já seria a própria descrição dos Satanás e lhes daria direito a um grande ritual de Exorcismo e purificação com tudo o que ele tem direito. Mas antes que estas crianças não consigam dormir esta noite, vamos explicar a origem destes nomes, para que possam ser entendidos e jamais temidos ignorantemente, pois a ignorância é um dos grandes males que atormentam a humanidade.
A Deusa representa a própria natureza, ou seja a ‘Mãe Terra’ com toda a sua rica flora, abundantes colheitas, mares, rios, cachoeiras, florestas, montanhas, vales verdejantes e matas repletas de ervas e plantas medicinais para os mais variados males do corpo, mente e espirito. O Deus chifrudo por sua vez irá representar todos os animais que habitam o nosso planeta, principalmente os de chifre, por serem os chifres símbolo de força, virilidade, poder e abundância num sentido mais material. O leitor lembra-se das cornucópias dos contos de fadas, que possuíam em seu interior riquezas e alimentos em abundância, que muitas vezes salvavam os heróis em momentos de aperto? Pois bem o chifre está associado ás cornucópias e não têm nenhum significado maléfico ou negativo, como quiseram atribuir os perseguidores ou outrora, que por não praticarem a tolerância em relação a outros credos diferentes dos seus, corromperam a maioria dos símbolos mágicos do passado, que representavam força, poder e alegria, reduzindo-os a fetiches empregados por maldosos feiticeiros em busca de poder pessoal. E realmente impressionante e lamentável vermos a habilidade com que a Igreja Católica dizimou sistemas de crenças inteiros, para que ela pudesse se estabelecer como a única fé, e não apenas na Europa, mas também em outras partes do mundo, atingindo na época da colonização até os nossos índios brasileiros, que tiveram que sepultar em seus corações a crença em Tupã, para aceitar (muitas vezes de maneira violenta) um Messias que nada tinha há ver com as suas tradições primordiais.
Voltando ás explicações sobre a Deusa Primordial desde a origem da criação e ao seu consorte, o Deus Cornudo, poderíamos dizer que enquanto ela representa uma sabedoria cósmica universal que deu vida a tudo o que existe, ele seria o aspecto mais terreno, material e impulsivo que no inicio dos tempos se uniu á grande mãe para que depois de fecundada ela pudesse gerar tudo o que conhecemos, inclusive nós mesmos. Para simplificar bem esta história, poderíamos nos ater também ao símbolo do Taoismo, ou seja o Ying/Yang, onde está representada em perfeita harmonia e equilíbrio a dualidade e a união perfeita da Deusa com o Deus, num eterno ciclo de mutação: começo, meio e fim.
Para finalizar, gostaríamos de dizer que o Deus Chifrudo, possui muitos nomes, pois muitas eram a divindades pagãs do passado, através das quais a sua força era reconhecida e reverenciada. De todas estas divindades talvez Pã, o alegre Sátiro dos contos gregos, fosse uma das mais graciosas e fortes representações deste deus que até hoje inspira os seus seguidores a viver a vida sem a noção de mal ou pecado, celebrando-a com alegria e prazer a cada minuto vivido, pois o pecado só existe na mente de quem pecou por pensamento antes de pecar pela realização da uma má a lei de causa e Efeito, seja lá em qual ou em quais deuses acreditemos.
Ordens Iniciáticas, Templários e Maçons as chamadas ordens Iniciáticas ou ‘Secretas’, como dizem os profanos, ou seja, os não iniciados nos grandes mistérios, sempre foram locais de peregrinação em busca da verdade, que reuniram e reúnem até hoje, aqueles que verdadeiramente buscam a resposta para as três grandes perguntas:
-Quem eu sou?
-De Onde eu vim?
-Para onde eu vou?
Para chegar a estas respostas de fundamental interesse para a evolução real do individuo cada ordem percorre um tipo de caminho, com seus diferentes ritos, graus e Dramas iniciáticos. Apesar de diferirem na forma, possuem uma mesma Essência, tendo por objetivo maior o Auto- conhecimento, para que o homem tornando-se senhor de si mesmo, ocupe seu real lugar no Universo e dentro do divino esquema evolutivo. Evoluindo cada vez mais e, através do seu exemplo instigando os seus semelhantes a buscarem esta mesma evolução.
Tudo o que ocorrer por trás das escolas de Mistérios realmente serias, jamais é comentado fora do circulo de membros e iniciados, que compõe uma determinada Egrégora. E isto não é porque gostamos de fazer ‘segredinhos’ a respeito de nossos assuntos internos, mas porque entendemos que devemos respeitar a força milenar dos conhecimentos que possuímos. Se esta gnose sagrada fosse revelada de uma hora para outra todas as pessoas poderíamos ter sérios problemas, pois em primeiro lugar mistérios são para aqueles que verdadeiramente estão buscando algo maior á respeito de um melhor entendimento sobre eles mesmos e não apenas desejam satisfazer fúteis curiosidades que comparadas aos reais arcanos são menos que a ponta de um Iceberg. Em segundo lugar, porque o desvelar do oculto e algo que necessita ser feito passo-a-passo, pois a história já provou, muitas vezes de maneira funesta, que conhecimento em demasia num curto espaço de tempo pode levar até mesmo Iniciados experientes ou pseudo- iniciados, não aos Céus, mas ao mais profundo abismos da demência, sendo necessária uma preparação gradativa, sem nenhuma pressa, para que o membro da Ordem possa desfrutar do conhecimento adquirido da maneira mais salutar possível, elevando a sua consciência e não tornando-o um fanático a beira da loucura, ou um pretensioso arrogante que crê saber as respostas para todas as questões. Eis alguns motivos entre os vários que poderiam ser citados, do porque ninguém verdadeiramente serio dentro destas tradições, pretende ou pretenderá revelar ou falar algo que esteja profundamente ligado a sua Escola Iniciática. O que todos os iniciados ufazem com muito prazer é se colocar á disposição dos profanos, para que eles possam esclarecer as suas duvidas até um certo ponto, porque dali em diante, ou o profano tocado pelo exemplo do iniciado adentrará as Escolas de Mistérios, ou será mas um curioso que irá buscar um outro membro de outra tradição, que tenha paciência suficiente para responder aos seus inúmeros ‘porquês’, que não conduzem a lugar a nível de evolução Interna quando compreendidos apenas racionalmente.
Evidentemente já era de se esperar que pelo fato dos iniciados não revelarem coisa alguma á respeito do que fazem, acabassem caindo nas malhas da superstição popular e do fanatismo cego e religioso, sendo acusados de obscuras práticas. Entre elas a mais famosa, o Pacto com entidades sombrias, como por exemplo, o próprio Diabo dos cristãos, em troca de favores e privilégios concedidos pelo mesmo a todos os que diante dele se inclinem. Pelo menos entre as Ordens Iniciáticas mais perseguidas, foi e continua sendo assim a exemplo da Maçonaria e dos templários.

A respeito do Templários, se o leitor leu atentamente o sétimo arcano deste livro, compreenderá facilmente, que a Igreja Católica da época em que eles se organizaram era representada por um patife de nome clemente V e o rei da França, outro asqueiroso de marca maior, conhecido pelo nome de Felipe o Belo. Ambos fariam de tudo que estivesse ao alcance para acabar com os Templários e passar a mão nas suas infinitas riquezas materiais e espirituais. Até mesmo inventaram um ídolo que ficou conhecido pelo nome de Baphomet. Este ídolo era o próprio Diabo do arcano XV. Segundo o delírio dos dois e de todo o circo inquisitorial sordidamente manipulado, os templários rendiam culto, praticando diversas praticas obscenas diante do mesmo. Quanto ao Baphomet dos templários, iremos explicar para o leitor mais adiante o que significa esta figura que não tem nada a ver com o Demônio, representando sim uma verdadeira Esfinge iniciática que tem por objetivo afastar os curiosos através do temor dos templos da tradição, e testar a vontade dos já iniciados, no sentido de que quando eles se depararem com esta enigmática alegoria, ver até que ponto é pura a sua vontade e inclinação para o estudo dos mistérios, pois por Baphomet os fracos de espirito não passarão...
A relação de cultos satânicos que foi imputada aos Cavaleiros do Templo pela Igreja e poder monárquico da França naquela época foi uma das mais gritantes farsas, forjada com o nítido propósito de fazer com que a imagem dos nobres Cavaleiros ficasse manchada diante dos reis de outros países, diante do povo e diante dos mais diversos segmentos monásticos. Felizmente o tiro saiu pela culatra e estes homens de valor do passado, continuam até hoje realizando os seus ritos, sem jamais ofender a Lei Natural das coisas e de maneira alguma praticam atos que não estejam de acordo com os desígnios do Pai. Qualquer outra coisa que seja dita sobre os verdadeiros templários e que não tenha relação com este ultimo paragrafo é pura lorota e invenção, certamente proferida pela boca de um profano curioso, que nem ao menos é um iniciado dentro desta Augusta Instituição e se o é, nada aprendeu.
Quanto a relação da Maçonaria com o Diabo, é comum ouvir-se falar em círculos de profanos (não iniciados) supersticiosos e mal informados, que os Maçons fazem pactos com o Diabo para enriquecer; que a Maçonaria é uma espécie da Máfia, que os Maçons negam cristo; que os desaparecem da face da terra, e tantos outros cômicos absurdos, que fazem não apenas os maçons, mas qualquer Iniciado de outras tradições cair na gargalhada, com tanta ignorância e falta de bom senso.
A perseguição á Maçonaria com relação ao seu envolvimento com ‘as forças maléficas’, começa também por ocasião da perseguição aos Templários, uma vez que a Maçonaria vendo o absurdo que estava sendo praticado contra os cavaleiros, resolveu acoberta-los em seu meio, pois naquela época a ordem Maçônica já existia, só que de forma mais oculta que a dos Cavaleiros do templo. Os templários, agora recebidos e encobertos por verdadeiras guildas de Construtores Medievais que formavam a Antiga Maçonaria, começam a passar para estes, segredos arquitetônicos trazidos do Oriente, que muito auxiliaram os ‘Pedreiros Livres’ em suas construções, até hoje admiradas por toda a Europa. Basta ver algumas catedrais. Passaram também arcanos de natureza iniciática, através dos quais os Maçons puderam cada vez melhor buscar  a sua depuração moral, mental e espiritual.
Como esta Gnose Sagrada que possuíam os templários incomodava muito a igreja e incomoda até hoje,- porque se algumas coisas viessem a tona as autoridades eclesiásticas teriam muito o que explicar ao povo, principalmente em relação á verdadeira História de Cristo... – todos aqueles que acobertaram os Cavaleiros da Cruz Vermelha, deveriam agora também ser perseguidos e exterminados, porque talvez eles soubessem o que o poder Eclesiástico da época esperava que ninguém descobrisse, ainda mais porque estava se fixando cada vez mais como um sacro-Império e qualquer coisa questionando os dogmas estabelecidos, era vista como um real, perigosa e temida ameaça. E foi pelos templários terem legado aos Maçons algumas destas ‘revelações desagradáveis e inconvenientes’, que os ‘Pedreiros Livres’, passaram também a ser perseguidos. Como não poderia deixar de ser, criaram um monte de fantasias a seu respeito, com o intuito de fazer o povo parar de pensar e ficar contra aqueles que verdadeiramente sabem, sejam eles Maçons, Druídas, Templários, Rosacruzes, Martinistas, Wiccanianos etc.

A fé é algo necessário ao ser humano e triste e o homem que não possui uma religião, porque as religiões, são caminhos de crença, através dos quais o homem aprende a crer em ‘algo maior’. E somente quando cremos em ‘algo maior’, é que compreendemos também a Grandiosidade dentro de nós e nossas infinitas possibilidades, porque na realidade somos o reflexo dele, que para nós católicos é o Deus Pai, todo poderoso, o criador dos Céus e da Terra.
Ordens iniciáticas, são sendas de conhecimento que jamais podem ter a sua imagem tradicional e milenar, maculada por diabos, espíritos malignos e coisas deste tipo. Seu objetivo na terra é fazer com que o Homem desenvolva os seus potenciais internos, de maneira que possa até mesmo compreender melhor o que os Rosacruzes chamam de ‘O Deus do seu Coração e da sua compreensão’. Sendo todas estas Ordens de natureza mística, e sendo o objetivo primordial do misticismo a união do homem com Deus sem  ter que recorrer a um credo em particular, e sem ter de utilizar do intermédio de sacerdotes, para realizar o seu Religare, vemos que na realidade a proposta destas escolas é realmente uma aproximação maior do ser humano com o Deus de sua crença, só que sem intermediários no meio do caminho. Poderíamos dizer que a religião seria uma escola fundamental onde aprendemos a reverenciar as coisas sagradas, e é bom que nunca nos esqueçamos de reverenciá-las. Já as ordens, são faculdades do espirito, onde seus membros teem uma compreensão mais profunda de suas fés, crenças e principalmente uma compreensão mais profunda deles mesmos.
Tanto religiões quanto ordens Iniciáticas são fundamentais para o quadro evolutivo do ser humano e deveriam procurar trabalhar juntas, a fim de que cada um de seus Membros pudesse, inspirado pelo clima de Fraternidade e respeito entre ambas, buscar a sua verdadeira verdade, prestando culto ao Deus de sua crença e devoção no sublime altar do seu coração. Este tipo de postura com certeza tornaria as coisas bem menos ‘diabólicas’ para todos.
Os símbolos que compõem o Arcano do Diabo.

Em primeiro lugar temos, antes de citar o significado dos símbolos que compõem este arcano, que lembrar de que jamais existiu, existe ou existira um ser desta natureza, tal qual esta desenhado na lâmina, sendo a figura do Diabo, uma Esfinge, algo simbólico, onde foram colocadas varias alegorias referentes a profundos mistérios.
A cabeça de Baphomet é formada por três animais, sendo eles o cão ou chacal, o touro e o bode. Se analisarmos os animais separadamente, veremos que o cão é uma alusão ao deus da Justiça egípcio de nome Anúbis ou Hermanubis (veja arcano 10) e representa o chamado ‘mercúrio dos sábios’. Tendo este animal na figura, relação com os elementos ar e água. Já o touro representa o elemento terra, e em linguagem alquímica é chamado de ‘o sal dos filósofos’. Finalmente o bode é associado ao elemento fogo e também por algumas tradições é tido como um símbolo de geração. A titulo de curiosidade, antigamente na Judéia havia uma cerimônia onde eram consagrados dois bodes, sendo um puro e outro impuro. Segundo a tradição o puro, era sacrificado pela expiação dos pecados, enquanto o impuro era libertado e solto no deserto. A nível simbólico é interessante esta cerimônia, pois poderíamos até encontrar no seu simbolismo a seguinte lição:
‘O bode imolado, assumia a própria personificação dos pecados da humanidade, sendo por isso puro, para servir como um recipientário. Já o bode impuro solto no deserto, teoricamente estaria condenado á morte, mas se voltasse de lá por si mesmo conseguindo sobreviver, poderia representar uma espécie de purificação, depois das árduas experiências pelas quais teria passado no deserto, tal qual nosso Senhor Jesus Cristo, que por algumas tradições (Gnósticos) era também representado pelo símbolo do bode’.
A tocha flamejante entre os chifres de Baphomet, é a tocha da inteligência. Esta tocha entre os cornos, forma a letra hebraica SHIN, que entre vários significados, simboliza o equilíbrio divino entre as forças, podendo receber este foco de luz o nome de ‘Luz Mágica do Equilíbrio Universal’. Como um ultimo significado entre os vários que possui, esta chama representa também a alma elevada acima da matéria, embora não completamente liberta da mesma, mas subjulgando-a. E quanto a este ultimo significado poderíamos comentar, que as elevadas aspirações da alma do ser humano, deveriam estar sempre acima dos seus instintos puramente materiais, até mesmo para que ele pudesse desfrutar do plano material de maneira mais salutar, sendo sempre o seu senhor e nunca o seu escravo.
Os chifres representam muita coisa, entre elas:
- as cornucópias mágicas, presentes em diversas histórias de heróis mitológicos, que constantemente oferecem farturas e riquezas das mais mundanas até as mais espirituais, para aqueles que as conquistaram através de árdua busca.
- são um símbolo de virilidade, potência e força.
-simbolizam a sabedoria e podemos notar que muitas vezes, Moisés, augusto nome que dispensa maiores comentários, é representado com dois chifres, indicando que o mesmo era detentor de uma sabedoria, que estava além dos limites puramente humanos.
O pentagrama (estrela de cinco pontas) sobre a testa de Baphomet, apresenta uma única ponta voltada para cima e apenas esta posição já é suficiente para credenciá-lo e a todo o arcano, como um símbolo de magia branca, ligado a elevados ideais. Este pentagrama, dentro das tradições Iniciáticas, recebe o nome de ‘estrela Flamejante’, representando o domínio do homem sobre os quatro elementos, para que possa aflorar o quinto. Esta estrela é mui venerada pelos Maçons, que compreendem completamente o seu significado, embora a Estrela Flamejante Maçônica contenha mais um detalhe que obviamente não iremos mencionar, pois assim estamos incentivando aos verdadeiramente interessados a realmente buscar, e neste busca temos a certeza de que algumas ideias tolas e ignorantes sobre a Maçonaria e sobre os Maçons, cairão por terra.
O Caduceu de Mercúrio situado na região sexual desta verdadeira Esfinge Iniciática, é uma representação da vida eterna. Mas também devemos lembrar que as duas serpentes entrelaçadas, que sobem pelo bastão em direção á esfera alada, representam a subida da Kundalini, ativando todos os chakras e remetendo-nos a profundas meditações sobre a Arte do tantra que através de uma sexualidade sagrada, que não vise apenas satisfazer os desejos instintivos de reprodução e prazer dos seres humanos, permite-nos atingir a própria Divindade, através do Mágico ato de amar.
As escamas sobre o ventre representam o elemento água, associado á própria vida uma vez que esta começa na agua.
O circulo entre o Caduceu de Mercúrio e o ventre composto por escamas, está relacionado a atmosfera.
As asas sempre foram um símbolo de elevação, e neste desenho elas estão associadas ao elemento volátil. Também nos fazem refletir sobre a necessidade de constantemente nos policiarmos, a fim de que possamos nos elevar em pensamentos, pois deles advém as nossas ações.
Com os braços Baphomet aponta, indicando silencio através dos seus dedos para a lua branca associada á Sepirah Chesed (misericórdia) da Árvore da vida, e também para a lua negra, associada a Sefirah Geburah (rigor). Nos seus braços, sendo um masculino e o outro feminino para representar a Lei da Dualidade e também a androginia, estão escritas as palavras ‘Solve’ e ‘Coagula’ que são dois termos alquímicos (veja arcano VII).
Os seios da figura representa a maternidade e a redenção da humanidade através do trabalho. Também poderiam representar uma fonte de caráter iniciático, onde nutrem-se os iniciados em sua eterna busca pela verdade.
As pernas são os fortes cascos de um bode e sabemos por observação á natureza, as alturas descomunais que este animal pode galgar e os pontos inóspitos que podem ser escalados pelo mesmo, sendo estes pontos montanheses de difícil acesso, até para alpinistas experimentados com todos os seus apropriados equipamentos de escalada. Portanto, estes cascos lembram ao iniciado as alturas extraordinárias, que ele pode atingir através do seu esforço e dedicação, galgando lentamente a montanha do conhecimento, e quando dizemos lentamente é porque segundo o que eu acredito: ‘ Conhecimento em demasia num curto espaço de tempo é somente para os que estão preparados para recebe-lo (muito pouca gente hoje em dia), caso o contrario, corre-se o serio risco de serem geradas profundas confusões na mente da pessoa, não sendo raros os casos de já iniciados que acabaram num hospício por não saberem esperar a hora certa para gradativamente ir desvelando os mistérios’.
O cubo sobre o qual Baphomet está sentado, representa a matéria.
O casal acorrentado ao cubo que serve de trono para o Diabo, representa muitas vezes a limitação e estreita visão, que aprisionam tanto homens quanto mulheres, ainda mais quando estes levam uma vida desregrada e cheia de excessos, que são a raiz de todo o mal. Este casal também representa a separação entre o sexo masculino e feminino, impedindo o homem de desenvolver o seu lado mais intuitivo e emocional e a mulher, de desenvolver seu lado mais logico forte e racional. Quando as palavras que acabam de ser faladas, vale ainda dizer que elas não explicam totalmente os mistérios contidos na simbologia do casal, mas podemos comentar os mistérios até um certo ponto, devendo depois o ser humano ir em busca de ‘algo a mais’, que não lhe tenha sido revelado e se a busca é sincera, ele acabará encontrando.
Concluindo a explicação deste augusto símbolo, que mereceria todo um tomo dedicado a explanação de sua simbologia, podemos afirmar que jamais existiu um ser com esta forma e muito menos foi Baphomet adorado por nenhum grupo iniciático serio, a não ser no sentido do estudo dos símbolos que compõem a figura. Baphomet foi criado para inspirar horror nos imprudentes e maldosos que desejavam e desejam conhecer a Gnose sagrada apenas para a sua gloria e projeção mesquinha e egoísta, despojada de qualquer sentido de conhecer para servir ao próximo, através do conhecimento adquirido.
Aos infelizes que pensam de acordo com o citado no parágrafo acima, Baphomet não deixará jamais conhecer a verdadeira Ciência Oculta, pois esta só é reservada ao verdadeiro Iniciado Liberto de suas paixões e já tendo submetido a sua vontade em nome de uma causa Maior. Quanto aos demais que se propuseram a estudar a Magia, mas não procederam de maneira séria e tradicional, será destinado um punhado de míseros mistérios menores despojados de real importância, que eles tomarão como a Verdadeira Magia, sem se darem conta, devido a sua arrogância e falta de percepção, do quanto estão distantes dela.
Significado do 15° Arcano – O Diabo.
Para que possamos interpretar este arcano de maneira correta, em primeiro lugar, nós como tarólogos, temos que abandonar os nossos medos e crenças nefastas infantis sobre esta figura, pois sem este abandono, será impossível passar para o cliente uma real visão a nível dos elementos do decimo quinto arcano.
O Diabo representa o mal como principio, só que o mal na atualidade de nosso planeta é algo inexistente, pelo menos na forma de um ser, que teria por missão destruir a Terra e corromper a alma dos mortais. Com esta afirmação já caem por terra todas as falsas afirmações que os pseudos tarólogos, fazem á respeito deste arcano, dizendo, com o intuito de arrancar dinheiro do cliente, que quando da presença do arcano quinze num jogo, o consulente estaria sendo vitima do ataque de ‘forças negativas’, que estariam ‘amarrando’ a sua vida. Depois de aterrorizarem a pessoa com tamanho absurdo, estes vigaristas que são uma vergonha para os Verdadeiros Tarólogos, já vem com aquela velha historinha de que a pessoa para se livrar destas energias nocivas, teria que fazer um ‘trabalhinho’, o qual não sairá por menos de dez vezes mais o preço da consulta que o cliente já esta pagando, e ainda se sair dez vezes mais a vitima destes salafrários, estará pagando barato. A minha sugestão nestes casos é que quando o cliente se sentir lesado por este tipo de charlatanismo, se dirija o mais rápido possível á primeira delegacia de policia e denuncie estes falsos tarólogos, pois quando se faz uma consulta seria de Tarô, não existe esta conversa absurda de após a consulta, fazer um ‘trabalhinho’. Se o tarólogo sente a necessidade de ajudar a pessoa que passou por ele de alguma maneira além da consulta, pode sugerir um livro, um CD de músicas new age, um bom curso onde a pessoa possa buscar melhor a si mesma e assim por diante, mas todas estas coisas serão posteriormente procuradas PELO CLIENTE E NÃO PELO TARÓLOGO, cuja única função é indicar bons caminhos, sem jamais adentrar neles junto com o consulente. Por isso dou uma sugestão ao cliente que possa estar lendo este livro, pois todos nós já fomos cliente algum dia, sendo raras as pessoa que jamais passaram por algum tipo de Oráculo hoje em dia:
‘Cuidado quando procurar um Tarólogo para atendê-lo. De preferência, procure profissionais com uma base em psicologia, ou iniciados em alguma Ordem Esotérica séria.
Lembre-se de que todo Iniciado que levou a serio o seu Caminho iniciático é um tarólogo, mesmo sem possuir um tarô, mas nem todos os ‘tarólogos’ que existem são Iniciados’.

O único mal no arcano quinze, é o mal que a pessoa pode causar a ela mesma, mas devido sempre aos seus excessos incontidos, principalmente nas áreas emocional e material de sua vida.
Materialmente falando, uma pessoa que viva vinte e quatro horas por dia com o seu pensamento voltado para o dinheiro poderá até mesmo ter uma situação financeira invejável, mas em outras áreas da vida poderá não estar em assim, convivendo com os mais diversos e imagináveis tipos de problemas. E por que isso ocorre?
Porque a pessoa não soube administrar a sua vida com critério, tendo se concentrado apenas nos aspectos materiais. E não que estes aspectos sejam nocivos, não importantes para nós e que os devamos negar. Jamais devemos nos esquecer de que vivemos num mundo físico com todas as suas exigências, desde as mais básicas até as mais complexas, para cuja resolução o dinheiro e indispensável, jamais podendo ser o vil metal considerado como algo negativo, porque ele nos ajuda na resolução de nossos problemas, atuando como uma ‘espécie de energia’, que faz as coisas fluírem melhor neste plano físico. Só que o Diabo, se formos relembrar dentro das míticas historias, tentava as pessoas muitas vezes com luxos, riquezas e poder, através dos quais o infeliz poderia vender a sua alma.
A historia citada no final do parágrafo acima é muito interessante, ainda mais quando entendida. Por que o Diabo tentava a pessoa com poderes, dinheiro e posses?
Porque se não tivermos consciência suficiente para saber o que queremos a nível material sem falsas modéstias, vamos sempre nos sentir frustrados ao vermos outra pessoa obtendo aquilo que nós também desejamos e que verdadeiramente estará ao nosso alcance assim que admitamos o que verdadeiramente pode nos tornar felizes a nível material. Caso não façamos isso, podemos realmente como na historia perder a nossa alma, ou seja, a oportunidade de nos elevar a nível espiritual, por estarmos com problemas de ordem financeira, em consequência de não termos estabelecido metas reais a nível de realização material para as nossas vidas. Acho impossível alguém começar a falar em busca Espiritual sem ter se resolvido pelo menos nos mínimos e primordiais aspectos da vida material, atendendo as suas complexas necessidades, pelo menos para nós magos de um Tradição Ocidental.
A real consciência do que significa o sucesso, o status e o poder para mim, faz com que eu possa administrar melhor o meu tempo na busca da satisfação dos meus objetivos, sem me estressar e sem me prender em demasia aos valores materiais, colocando-os em seu devido lugar e sendo sempre o seu senhor e jamais o seu escravo. Com isto eu me livro da excessiva prisão aos laços da matéria, sem no entanto tirar os pés do chão, deixando de cometer os já costumeiros excessos de ordem material, devido ao excesso ou ausência de dinheiro, reconhecendo-me como único responsável pela situação que me encontro. Devemos orientar o cliente neste sentido.
Falando agora sobre os problemas de ordem emocional encontrados no decimo quinto arcano, temos a posse, o ciúme, as paixões desenfreadas, a sexualidade animalesca e instintiva e assim por diante.
Todos estes problemas começarão a se resolver á partir do momento em que o cliente entenda que o Amor é uma fonte de prazer, satisfação de desejos e, acima de tudo, uma oportunidade para compartilhar o melhor de sí com outra pessoa.
Saber o que se deseja a nível emocional, é de fundamental importância para uma vida amorosa segura e sadia. É necessário que nós entendamos e aceitemos os nossos desejos sem reprimi-los, mas também trabalhando com eles de forma que possam ser manifestados gradativamente, culminado com o tempo em sua total satisfação. Nenhum desejo amoroso deveria ser entendido como sujo ou impuro, pois o prazer constitui parte natural da vida do ser humano. O que não podemos jamais esquecer é que toda a satisfação amorosa desde a mais simples, como o desejo de dar um beijo no rosto de alguém que se gosta, até a mais profunda a nível sexual dentro de um ritual Tântrico, apenas para citar um exemplo, deve ser satisfeita com AMOR, e que sem este elemento de vital importância para tudo na vida, o que haveria nas relações emocionais, seria tão unicamente a satisfação dos prazeres puramente instintivos. Isto seria lamentável, pois quando transamos com alguém apenas para a nossa satisfação pessoal, sem ao menos ligar para a pessoa no dia seguinte esquecendo-a completamente no espaço de uma semana, desrespeitosamente deixamos de reverenciar alguém que para nós foi muito importante, tendo nos auxiliado no nosso progresso evolutivo a nível emocional.
Os jovens hoje em dia trocam muito de parceiros, sendo que alguns relacionamentos entre eles duram apenas algumas horas, podendo chegar ou não á consumação do ato sexual. É o que eles chamam de ‘ficar’ com alguém. E não há nada de errado nisso, desde que independente de ter ficado com esta pessoa uma hora, um dia, uma semana, um mês, ou seja lá o tempo que for, quando novamente encontra-la, jamais esqueça de abraça-la e sorridentemente perguntar como ela está e se precisa de alguma coisa. E porque tanta atenção?
Porque para vocês jovens de ambos os sexos, aquela pessoa na fase de inicio e troca de experiências em que vocês estão, permitiu que, através do beijo, do abraço, do carinho e até mesmo do corpo, você crescesse mais a nível emocional, e por este motivo, você deve a ela sua Eterna Gratidão, não importando o quanto tempo o relacionamento entre vocês durou. Lembre-se disso quando sair para as ‘baladas’ no próximo final de semana...
O leitor deve achar no mínimo curioso o fato de no arcano quinze eu estar me dirigindo aos jovens com tanta eloquência, mas isso se deve ao fato de que estou sempre em contato com eles, e também a consciência de que um jovem bem orientado a nível emocional, satisfaz plenamente os seus desejos, sem prejudicar a ninguém e muito menos a ele mesmo, preparando-se para no futuro ser uma excelente mãe ou pai, podendo compartilhar dos seus bons exemplos com os filhos que gerará. Se sentássemos para conversar com os adolescentes sobre a sexualidade, as questões do corpo e a boa utilização da sensualidade de uma maneira limpa e aberta, com certeza eles corresponderiam a estes diálogos de uma maneira muito gostosa e surpreendente, tanto em relação ao que eles acreditam, como em relação ás diversas duvidas que eles têm nesta área. Estaríamos formando no mínimo cidadãos mais responsáveis a nível emocional, constituindo estes no futuro uma civilização mais CIVILIZADA e esclarecida, liberta das trevas da ignorância que não atinge apenas o aspecto emocional, mas muitas outras áreas da nossa vida. Isto já auxiliaria um pouquinho e faria com que as coisas ficassem menos diabólicas a nível emocional.
Com relação a posse e ao ciúme, que são problemas relacionados a este arcano, diríamos que estes comportamentos são frutos da insegurança de uma pessoa em relação ao ser amado, porque a pessoa em questão não apreendeu ainda a amar e respeitar a ela mesma, quanto mais ao seu semelhante, que ele precisa manter sobre o seu domínio, tendo com isso a falsa e triste impressão de que realmente é dono ou possuidor de alguma coisa. Como diz um ditado criado por mim a respeito da posse:
‘Se algo é verdadeiramente teu deixa-o livre, pois mesmo que um dia este algo ou alguém, se afaste de ti, a ti retornará naturalmente quando for a hora certa, não havendo necessidade de limitar a liberdade de quem quer que seja. E se por acaso nunca mais este algo ou alguém a ti retornar, quer dizer que na verdade nunca foi teu, tendo servido apenas para preencher uma fase da tua vida, mas agora acabou e o que lhe compete é continuar vivendo o hoje, preenchido agora por você mesmo’.

No mais, com a presença deste arcano num jogo há de se evitar as discussões, perdas de paciência e intolerâncias com as situações e demais pessoas ao nosso redor, porque essas atitudes, não nos levariam a lugar algum e apenas ajudariam a aumentar o caos no qual por vezes a nossa vida se vê mergulhada.

Intrigas, diz-que-me-diz, fofocas, fala-fala pelas costas e demais atitudes deste naipe, fazem parte do contexto deste arcano, porque é muito mais fácil e cômodo falar da vida dos outros, do que ocupar-se da própria, evitando assim tornar-se mais responsável perante ao Universo e perante a si mesmo. Ao cliente é bom surgerir que ocupe o tempo com tudo, menos com estes falatórios que não levam a lugar algum e ainda geram um quadro energético negativíssimo, tanto para o alvo das fofocas, quanto para os que ouvem tal denigrição á respeito de outro ser humano. Se não se pode falar bem de alguém, então é melhor não dizer coisa alguma, porque seguramente não é a nós que compete julgar os pensamentos, palavras e  atitudes de nossos irmãos.
Na realidade não existe nada de diabólico no arcano do Diabo, pelo menos não dentro do fantástico contexto de seres maléficos que se deveria temer, ou forças ocultas manipuladas contra nós, através de rituais satânicos. O único mal dentro do decimo quinto arcano é o mal que causamos a nós mesmos e aos outros, quando nos deixamos envolver em demasia dentro de um contexto apenas material e mundano, cometendo excessos para satisfazer os nossos desejos sejam lá de que natureza forem estes objetivos, dentro das esferas material, mental, emocional ou espiritual.
O mal não está no desejo como acreditam algumas linhas filosóficas, e sim nos excessos que são cometidos para se atingir um determinado objetivo. Se eu não me exceder em demasia através de pensamentos palavras e ações, posso desejar o que for, porque faz parte da natureza do ser humano ambicionar cada vez mais elevadas esferas materiais, mentais, emocionais e espirituais. A única coisa para a qual temos que atentar é como chegaremos a estes níveis maiores sem fazer nada que não esteja plenamente de acordo com a Lei do Deus de nosso coração, e de nossa compreensão, mesmo sabendo que se errarmos não será a este Deus que iremos responder por nosso erro e sim para a nossa própria consciência, que nos questionara por que, quando tivemos a oportunidade de realizar o certo nos aproximando mais de Deus, não a aproveitamos?

O Caminho na árvore da vida (cabala).
 
 REFERÊNCIA DE ESTUDO:
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Segredos do Eterno. Alexandre José Garzeri
O TarotCabalístico - um manual de filosofia Mística. Robert Wang
IMAGENS E DECKS (fotos)
TAROT DE LEONARDO DA VINCI

THOTH CROWLEY
TAROT NAMUR
MARSELHA
RADIANT RIDER WAITE
BARBARA WALKER
TAROT ANCIENT ITALIAN

THE GOLDEN DAWN TAROT

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