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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Os 12 Arquétipos de JUNG

“Sua visão clareará apenas quando você conseguir olhar para seu próprio coração. Aquele que vê o lado de fora, sonha; aquele que vê o lado de dentro, desperta.”
Carl Gustav Jung 


Significado do dicionário

ar·qué·ti·po  (latim archetypum, -i, original, modelo, do grego arkhétupos, -on, modelo primitivo)
substantivo masculino
1. Modelo pelo qual se faz uma obra material ou intelectual.
2. [Filosofia]  Modelo ideal, inteligível, do qual se copiou toda a coisa sensível. (Para o platonismo, as ideias são os arquétipos das coisas; para o empirismo, certas ideias são os arquétipos de outras ideias.)
3. [Psicologia]  Na estrutura de Jung, estrutura universal proveniente do inconsciente coletivo que aparece nos mitos, nos contos e em todas as produções imaginárias do indivíduo.
adjetivo
4. O mesmo que arquetípico.

Origem

O termo “arquétipo” teve suas origens na Grécia antiga. É composto pelas palavras archein que significa “original ou velho” e typos que significa “padrão, modelo ou tipo”. 
O significado combinado é “padrão original” do qual todas as outras pessoas similares, objetos ou conceitos são derivados, copiados, modelados, ou emulados.

Freud e Jung

A Psicologia teve seu grande auge no fim do século XIX e início do século XX, quando nomes como Sigmund Freud (1856-1939) e Carl Gustav Jung (1875-1961) eram bastante conhecidos e cultuados, considerados verdadeiros gênios revolucionários. 

Freud, o "pai da Psicanálise", iniciou seus estudos pela utilização da técnica da hipnose como forma de acesso aos conteúdos mentais no tratamento de pacientes com histeria. Ao observar a melhora de pacientes do médico e cientista francês - e seu professor - Jean-Martin Charcot (1825-1893), elaborou a hipótese de que a causa da doença era psicológica, e não orgânica. Essa hipótese serviu de base para seus outros conceitos, como o do inconsciente.

Inconsciente coletivo

A concepção de Jung sobre o inconsciente pessoal é semelhante ao inconsciente da teoria psicanalítica. O inconsciente pessoal é composto de memórias esquecidas, experiências reprimidas e percepções subliminares. Indo além, Jung formulou o conceito de inconsciente coletivo, também conhecido como impessoal ou transpessoal. Seus conteúdos são universais, e não estabelecidos em nossa experiência pessoal. Este conceito constitui, talvez, a maior divergência em relação a Freud, e ao mesmo tempo, a maior contribuição de Jung à Psicologia.
"O inconsciente coletivo é constituído, numa proporção mínima, por conteúdos formados de maneira pessoal; não são aquisições individuais, são essencialmente os mesmos em qualquer lugar e não variam de homem para homem. Este inconsciente é como o ar, que é o mesmo em todo lugar, é respirado por todo o mundo e não pertence a ninguém. Seus conteúdos (chamados arquétipos) são condições ou modelos prévios da formação psíquica em geral."
Carl Gustav Jung.
Jung escreveu que nós nascemos com uma herança psicológica, que se soma à herança biológica. Ambas são determinantes essenciais do comportamento e da experiência. Nossa mente inconsciente, assim como nosso corpo, é um depositário de relíquias do passado.
Ele então, criou e usou o conceito de arquétipo em sua teoria da psique humana. Ele acreditava que arquétipos de míticos personagens universais residiam no interior do inconsciente coletivo das pessoas em todo o mundo. Arquétipos representam motivos humanos fundamentais de nossa experiência. Consequentemente, eles evocam emoções profundas.
Embora existam muitos diferentes arquétipos, Jung definiu doze tipos principais que simbolizam as motivações humanas básicas. Cada tipo tem seu próprio conjunto de valores, significados e traços de personalidade. Todos nós possuímos vários arquétipos, que nos ajudam a formar e construir nossa personalidade. No entanto, um arquétipo tende a dominar a personalidade em geral. 

Os 4 impulsos humanos

Existem 12 Arquétipos mais comuns observados na Literatura por Margaret Mark e Carol Pearson no livro “O Herói e o Fora-da-Lei”. Os 12 arquétipos podem ser divididos em 4 grupos, de acordo com os quatro principais impulsos humanos. Os 4 impulsos e seus respectivos arquétipos são:
  • Mestria/Risco:  Quando queremos fazer algo notável e ser lembrado para sempre. Lutamos pelos nossos sonhos, mesmo que para isso seja preciso quebrar regrar e superar desafios. (Herói, Fora-da-Lei e Mago)
  • Independência/Auto-realização: Quando há um desejo de ficar só, refletir, decidir e conhecer o verdadeiro Eu. (Inocente, Explorador e Sábio)
  • Pertença/Grupo:  Ajuda quando a pessoa sente profunda necessidade de pertencer a um grupo. (Bobo da Corte, Cara Comum e Amante)
  • Estabilidade/Controle: Quando queremos ter um certo controle das coisas, um poder nas mãos. (Criador, Prestativo e Governante)

Os 12 Arquétipos 

Vamos detalhar cada um deles.

1- Herói

Este é geralmente o protagonista. Suas principais características são a coragem e a força de vencer, não importam os desafios. Este arquétipo geralmente define aquele que tenta provar sua competência através de atos grandiosos, buscando um bem maior, geralmente para o próximo, mas pode ocorrer de querer pra si próprio também. Muitas vezes, acaba se tornando um mártir.
Lema: Onde há uma vontade, há um caminho
Desejo central: Provar o valor para alguém através de atos corajosos
Objetivo: Especialista em domínio de um modo que melhore o mundo
Maior medo: Fraqueza, vulnerabilidade, ser um “covarde”
Estratégia: Ser tão forte e competente quanto possível
Fraqueza: Arrogância, sempre precisando de mais uma batalha para lutar
Talento: Competência e coragem
O herói também é conhecido como: O guerreiro, o salvador, o super-herói, o soldado, o matador de dragão, o vencedor e o jogador da equipe.

2- Fora-da-Lei

Também conhecido como Revolucionário ou Rebelde. Suas características giram em torno de um espírito livre, que não segue regras e geralmente está à frente de seu tempo. Percebe-se bem que não se encaixa na sociedade, e tem qualidades que inspiram outras pessoas, ou que a sociedade desdenha, por liberar o mais selvagem de dentro da cada um.
Lema: As regras são feitas para serem quebradas
Desejo central: Vingança ou revolução
Objetivo: Derrubar o que não está funcionando
Maior medo: Ser impotente ou ineficaz
Estratégia: Interromper, destruir ou chocar
Fraqueza: Cruzar para o lado negro do crime
Talento: Ousadia, liberdade radical
O rebelde também é conhecido como: O ilegal, o revolucionário, o homem selvagem, o desajustado, o iconoclasta.

3- Bobo da Corte

Quando um personagem tem como base o arquétipo do Bobo da Corte, só quer se divertir. Sem medo do que os outros vão pensar e sem se prender a qualquer tipo de modelo socialmente predefinido, o Bobo da Corte é sempre espontâneo, brincalhão. Ele quer desfrutar de tudo o que a vida pode oferecer antes que seja tarde demais.
Lema: Carpe Diem. Só se vive uma vez
Desejo central: Viver para o momento com pleno gozo
Objetivo: Ter um grande momento e iluminar o mundo
Maior medo: Se aborrecer ou chatear os outros
Estratégia: Jogar, fazer piadas, ser engraçado
Fraqueza: Frivolidade, desperdício de tempo
Talento: Alegria
O tolo também é conhecido como: O bobo da corte, o tolo, o malandro, o palhaço, o brincalhão, o comediante.

4- Criador

Este arquétipo define o personagem que sente necessidade de criar e inovar, caso contrário, sente-se mal e inútil. Quer deixar sua marca de alguma forma e expressar sua visão e ideias, mas pode se tornar perfeccionista ou encontrar meios nem sempre tidos como “corretos” para realizar suas criações.
Lema: Se pode ser imaginado, pode ser criado
Desejo central: Criar coisas de valor duradouro
Objetivo: Realizar uma visão
Maior medo: A visão ou a execução medíocre
Estratégia: Desenvolver a habilidade e o controle artístico
Tarefa: Criar cultura, expressar a própria visão
Fraqueza: Perfeccionismo, soluções ruins
Talento: Criatividade e imaginação
O Criador também é conhecido como: O artista, o inventor, o inovador, o músico, o escritor, o sonhador.

5- Inocente

O Inocente é o típico personagem otimista. Deixa-se levar por simples emoções positivas, esperançosas e nostálgicas, e sempre almeja o “paraíso”. Quer apenas ser feliz, se sentir bem, e acaba confiando muito em outras pessoas. Também tem um grande problema com mudanças, e prefere estar estagnado, pois se sente bem onde está, ou então, acha que o destino trará algo melhor.
Lema: Somos livres para ser eu e você
Desejo principal: Chegar ao paraíso
Objetivo: ser feliz
Maior medo: Ser punido por ter feito algo de ruim ou errado
Estratégia: Fazer as coisas certas
Fraqueza: Chato por toda a sua inocência ingênua
Talento: Fé e otimismo
O Inocente também é conhecido como: utópico, tradicionalista, ingênuo, místico, santo, romântico, sonhador.

6- Cara Comum

O Cara Comum só quer uma coisa: pertencer ao meio. Tem forte empatia para com os que o cercam, e tenta ao máximo ser como todos os outros, ter o máximo de características em comum com aqueles a sua volta e ser aceito. Igualitário e abomina superficialidade.
Lema: Todos os homens e mulheres são iguais
Desejo central: Ligação com os outros
Objetivo: Fazer parte
Maior medo: Ficar de fora ou se destacar da multidão
Estratégia: Desenvolver sólidas virtudes comuns, seja para a Terra ou o contato comum
Fraqueza: Perder o próprio Eu em um esforço para se misturar ou por uma questão de relações superficiais
Talento: O realismo, a empatia, a falta de pretensão
A pessoa normal também é conhecida como: O bom menino velho, o homem comum, a pessoa da porta ao lado, o realista, o cidadão sólido, o trabalhador rígido, o bom vizinho, a maioria silenciosa.

7- Prestativo, Cuidador

Completamente altruísta, o arquétipo do Prestativo só quer o bem do próximo, acima do próprio. É semelhante ao Herói, com a única diferença de que não busca um bem maior, nem quer mudar algo ou destruir algum mal. No entanto, este arquétipo pode vir em conjunto com o do Herói na construção de um personagem.
Lema: Ame o teu próximo como a ti mesmo
Desejo central: Proteger e cuidar dos outros
Objetivo: Ajudar os outros
Maior medo: Egoísmo e ingratidão
Estratégia: Fazer coisas para os outros
Fraqueza: Martírio e ser explorado
Talento: Compaixão e generosidade
O cuidador também é conhecido como: O santo, o altruísta, o pai, o ajudante, o torcedor.

8- Explorador

O Explorador sente a necessidade de desvendar os mistérios do mundo e da vida, pois deste modo, conhecerá a si mesmo. Precisa ser livre para qualquer tipo de aventura em sua busca pessoal para descobrir quem ele realmente é.
Lema: Não construa cercas à minha volta
Desejo central: A liberdade de descobrir quem é através da exploração do mundo
Objetivo: A experiência de um mundo melhor, mais autêntico, mais gratificante na vida
Maior medo: Ficar preso, conformidade e vazio interior
Estratégia: Viajar, procurar e experimentar coisas novas, fugir do tédio
Fraqueza: Perambular sem destino tornando-se um desajustado
Talento: Autonomia, ambição, ser fiel a sua alma
O explorador também é conhecido como: O candidato, o iconoclasta, o andarilho, o individualista, o peregrino.

9- Mago

O Mago quer sempre entender o princípio das coisas. Busca conhecer as leis que regem o Universo, para manipulá-las a seu favor e fazer sonhos se tornarem realidade. Mas é exatamente esta a sua fraqueza: acabar se tornando manipulador. Geralmente, quando a consequência de seus atos é ruim e sai de seu controle, o personagem baseado no arquétipo do Mago tem uma reflexão interior, avaliando a si mesmo para resolver o problema. 
Lema: Eu faço as coisas acontecerem.
Desejo central: Compreensão das leis fundamentais do universo
Objetivo: Realizar sonhos
Maior medo: Consequências negativas não intencionais
Estratégia: Desenvolver uma visão e viver por ela
Fraqueza: Se tornar manipulador
Talento: Encontrar soluções ganha-ganha
O mágico também é conhecido como: O visionário, o catalisador, o inventor, o líder carismático, o xamã, o curandeiro, o feiticeiro.

10- Amante

Este arquétipo é semelhante ao do Cara Comum; busca relacionar-se com todas as pessoas, com a diferença de que a busca é de relações intensas, construídas na base da confiança e intimidade, seja com amantes, familiares e amigos. Seu maior medo é ficar sozinho, e um defeito é que pode acabar se esquecendo da própria identidade por se preocupar muito com a própria imagem, buscando ser sempre atraente. Seu lema é: “
Lema: Você é único. Só tenho olhos para você
Desejo central: Intimidade e experiência
Objetivo: Estar em um relacionamento com as pessoas no trabalho e no ambiente que eles amam
Maior medo: Ficar sozinho, ser um invisível, se indesejado, ser mal amado
Estratégia: Tornar-se cada vez mais atraente fisicamente e emocionalmente
Fraqueza: Com o desejo de agradar aos outros corre o risco de perder sua identidade externa
Talento: Paixão, gratidão, valorização e compromisso
O amante também é conhecido como: O parceiro, o amigo íntimo, o entusiasta, o sensualista, o cônjuge, o construtor de equipe.

11- Governante

Este é bastante observado, é o típico arquétipo de quem busca poder e controle das situações. É tido e visto como um líder nato, responsável, que sabe guiar bem um grupo de envolvidos em alguma trama aparentemente complicada. Seu defeito é que pode acabar se tornando autoritário demais. 
Lema: O poder não é tudo. É a única coisa.
Desejo central: Controle e poder
Objetivo: Criar uma família ou uma comunidade bem sucedida e próspera
Estratégia: Exercer o poder
Maior medo: O caos, ser destituído
Fraqueza: Ser autoritário, incapaz de delegar
Talento: Responsabilidade, liderança
O Governante é também conhecido como: O chefe, o líder, o ditador, o aristocrata, o rei, a rainha, o político, o gerente, o administrador.

12- Sábio

O arquétipo do Sábio é conhecido por servir de base para personagens que buscam o conhecimento, aprendizagem e formas de compreensão apenas para o crescimento pessoal, e não para algum objetivo específico. Pode acabar se tornando envolvido demais com as informações que encontra e acabar esquecendo-se de agir, ou do resto do mundo. 
Lema: A verdade é libertadora
Desejo central: Encontrar a verdade
Objetivo: Usar a inteligência e a análise para compreender o mundo
Maior medo: Ser enganado, iludido, ou ser ignorante
Estratégia: Buscar informação e conhecimento, auto reflexão e compreensão dos processos de pensamento
Fraqueza: Pode estudar detalhes para sempre e nunca agir
Talento: Sabedoria, inteligência
O Sábio também é conhecido como: O perito, o erudito, o detetive, o conselheiro, o pensador, o filósofo, o acadêmico, o pesquisador, o pensador, o planejador, o profissional, o mentor, o professor, o contemplador.
 
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Bibliografia

JUNG, C. G.. Phénomènes occultes. Paris: Ed. Montaigne, 1939.
ROCHA FILHO, J.B. Física e Psicologia. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003, 4a ed. (Google Books)
GALVÃO JR., J.C. Sobre a “exceção humana” – Carta a Lacan, Jung, Schmitt. São Paulo: Liber Ars, 2012.

Links relacionados

http://pandemicquiz.com/pt/q/answer/qual-arquetipo-de-jung-predomina-em-voce
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Jung
http://literatortura.com/2013/12/aprenda-construir-personagens-baseados-nos-arquetipos-de-carl-jung/
http://www.antroposofy.com.br/forum/carl-gustav-jung-os-12-arquetipos/
http://www.psicosmica.com/2015/01/principais-arquetipos-jung.html
https://portal2013br.wordpress.com/2014/08/31/os-12-arquetipos-comuns/
https://www.bizu.vc/arquetipos/
https://dicionariodoaurelio.com/arquetipo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud
https://oarquetipo.wordpress.com/os-doze-arquetipos/

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Tarot Terapêutico como caminho de vida.

Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem.

Esta é uma expressão em latim muito utilizada pelos antigos alquimistas, e significa: “Visita o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta (ou Filosofal)”.


 Devemos sempre lembrar que a linguagem dos alquimistas é simbólica, então este “Centro da Terra” é o nosso próprio centro, nosso interior, nosso inconsciente. Ao olharmos para dentro, conseguimos nos “retificar”, ou purificar, para então encontrar a Pedra Filosofal, ou nosso Verdadeiro Ser. A essência da nossa Alma.

"Quem olha para fora, sonha;
quem olha para dentro, desperta!"

Carl Jung

Jung foi um grande conhecedor da mente humana, e foi também um grande estudioso da Alquimia. Com esta frase ele nos deixa claro a importância de tomarmos contato com o que está no nosso interior, no nosso inconsciente, e uma das formas para fazermos isso é justamente com a utilização do Tarot.

O Tarot é um conjunto de 78 cartas, ou Arcanos (Arcanum = mistérios), sendo 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. A verdadeira origem do Tarot é incerta, mas muitos ocultistas fazem uma ligação a Kabbalah, e esta ligação faz muito sentido para mim. A Kabbalah é baseada na Torá, e podemos ver que Tarot ao contrário nos traz justamente esta palavra. Outros indícios que nos remetem à isso são outras relações, como o fato de termos 22 Arcanos e 22 Letras Hebraicas.
Independente de sua origem, o Tarot traz um poder incrível de nos revelar o nosso inconsciente. O próprio Jung gostava muito do Tarot:

"O Tarô é um dos espelhos do pensamento inconsciente. Cada uma de suas cartas tem por base uma importante imagem arquetípica cujo significado nem sempre é claro para o homem moderno, que jogou fora seus mitos ao querer interpretá-los literalmente. Os arquétipos não são literais, são mensagens do inconsciente. Cada uma das cartas do Tarô é uma mensagem da mente universal. Mas, como nossa mente inconsciente está divorciada do consciente – a mente literal – e costuma ser por ele ignorada, essa mensagem se perde. As explanações arquetípicas do Tarô, feitas por Sallie Nichols, fazem com que as imagens e, muitas vezes, as respostas às perguntas mais profundas venham à tona. Aluna de Jung no Instituto de Zurique, a autora analisa as cartas do Tarô de Marselha como uma representação das diferentes etapas da jornada do indivíduo e sua relação com os arquétipos e o inconsciente coletivo."
Temos então uma ferramenta que nos permite trazer o inconsciente à tona, e sabemos que existe grande riqueza de informações no nosso inconsciente. A imagem abaixo nos traz uma representação da comparação entre consciente e inconsciente:


A premissa principal é a de que o poder está em você, e eu devo atuar apenas como um facilitador para que você acesse todo o seu poder interno, e o Tarot então se torna uma ferramenta de grande ajuda para isso. A ideia principal é trazer informações, para que você possa tomar as suas decisões e escolher o seu caminho.  

Em hipótese alguma o Tarot pode “decidir por você”.

Fraternalmente
Paz e Luz!

FONTE: Jung e o Tarô

domingo, 28 de junho de 2015

Resgate da Essência. O DESTINO

Nesta primeira tela encontramos a representação do Mysterium Coniunctionis, isto é, a conjunção dos opostos, do humano com o divino. O homem, aqui transcendendo a realidade tridimensional e mundana, encontra-se liberto e inserido na Luz Maior, que resgata em sua identidade a essência do divino.

Muito além do que medida para todas as coisas, do Ser para as coisas que são e do Não Ser, para as coisas que não são, como dizia Protágoras, o homem aqui é colocado como ponte para a transcendência da própria dimensão humana.

O homem, como Mago da Natureza, já traz incutido em seu psiquismo todo o seu destino, não como uma força terrivelmente fatalista capaz de mudar sua vida, mas como germe instrinsecamente semeado desde o Princípio em sua alma que, se bem cuidado, poderá estar sempre florescendo para perfurmar a vida, enquanto vai sendo regado pelos desejos do próprio homem.

A figura humana ocupa a parte superior da tela, arquetipicamente representa o plano divino, e seus braços em relação à cabeça sugerem a forma de um triângulo, símbolo de divindade e perfeição, que se desenha sobre um cubo, elemento da realidade tridimensional, a imperar sobre a metade inferior da figura, referente ao plano mundano das manifestações, ao qual estamos presos.

Sobre o solo, a pedra horizontal ocupa o primeiro plano do cenário, guardando atrás de si o enigma da dualidade de nossa existência temporal, aqui expressa pela profundidade da vida e aridez das intempéries. Nossa condição efêmera, embora esquecida da maioria das pessoas, apenas revela que a consciência humana nada, embora esquecida da maioria das pessoas, apenas revela que a consciência humana nada mais é do que estreita faixa de terra em revelação a infinitude do Cosmos.

Deitados sobre a pedra-mãe, os símbolos alquímicos partidos (bastão/terra, cálice/água, espada/fogo e pentáculo/ar) sugerem que se encontra muito além dos quatro caminhos do mago a Unidade da Mandala-Universal, exemplo de que toda verdade humana é apenas a penúltima verdade.

"Deve-se buscar o um que nasce com o quatro", diriam os alquímicos gregos. Isto pressupõe a união dos opostos, daquilo que está em cima com o que está embaixo e vice-versa, mesmo porque a natureza de ambos os planos é a mesma.

O eixo vertical de mandala representa a união do humano com o divino. Nesta tela, uma verdadeira coluna alquímica se ergue a partir da pedra (ela própria símbolo da divindade em que quase todas as culturas primitivas) até a Luz Maior que a tudo ilumina, e que nesta gravura se irradia a partir da fronte e do coração, símbolos da alma humana, cuja essência, é divina.

Está lançada nesta primeira lâmina a síntese do drama iniciático, cua meta jamais será um alvo fixo, mas sim o caminhos permanente de busca da totalidade do Ser que se pretende atingir pelo desenvolvimento anímico.

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RESGATE DA ESSÊNCIA
Arcanos sob a ótica de Eduardo Vilela e comentários do Psiquiatra Paulo Urban


quinta-feira, 7 de julho de 2011

TAROT e seus caminhos iniciáticos

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Como diz meu querido amigo e irmão,
NEI NAIFF...

TARÔ É TARÔ.
 
O Tarot é um jogo de cartas, sem dúvida, dos mais antigos, apresenta um mundo de símbolos. Não se pode duvidar do seu ensinamento esotérico, mais ou menos secretamente transmitido ao longo dos séculos. O problema de sua origem é muito difícil, senão impossível de ser resolvido. Desde Court de Gébelin que, no século XVIII, apaixonou-se por sua interpretação, as mais diversas teorias foram propostas. Que tenha vindo da China, da Índia, do Egito; que seja obra do próprio Tot-Hermes Trismegisto, dos boêmios, dos alquimistas, dos cabalistas, ou de um homem, o mais sábio dos sábios.  
O Tarot, na verdade, apresenta uma iconografia nitidamente medieval, misturada a símbolos cristãos. 



 As cores e os números


Na sua forma mais tradicional, a do Tarô de Marselha (ao qual as nossas descrições detalhadas se referem), o jogo compõe-se de 78 cartas: 56 arcanos menores, 22 arcanos maiores. Esses números merecem atenção. Observemos, primeiramente, que o número vinte e dois é o número das letras hebraicas que, segundo a cabala, apresentam o Universo. Esse número, no tarot, é feito de vinte e um arcanos numerados e do Louco: o número vinte e um, ou seja, três vezes sete, é o da perfeição humana, enquanto três vezes sete (é preciso lembrar aqui que o arcano de número 21 representa o mundo). O Louco que lhe é acrescentado, diria um sábio africano, é a palavra dada a essa perfeição, a sua animação.  

Dos 56 arcanos menores, lembraremos apenas que constituem quatro grupos, poder-se-ia dizer, quatro colunas de quatorze cartas, que correspondem aos quatro naipes dos jogos de cartas, derivados do tarot. Mas, acima de tudo, é preciso assinalar que setenta e oito, total de todo o jogo de Tarot, é também a soma, e portanto, segundo a linguagem dos esoteristas que inventaram o Tarot, a significação secreta dos doze primeiros números. Secretamente, esse livro que se apresenta como um jogo contém, portanto, a substância somada do número que estrutura tanto o universo quanto o pensamento. Todas as cartas são vivamente coloridas. Antes de examinarmos as suas significações particulares, lembraremos em algumas linhas o simbolismo das cores dominantes do Tarot: rosa-ocre (carne), azul, vermelho e amarelo. O rosa-ocre sempre indica o que é humano ou o que se liga á humanidade (rostos, corpos, construções). O azul, cor noturna, passiva, lunar, é a cor do segredo, do sentimento, da anima, dos valores femininos por excelência. O vermelho, é a cor masculina da força interna, da energia potencial, das manifestações do animus, do sangue e do Espirito. O amarelo*, por fim, em toda a sua ambivalência, é ao mesmo tempo a cor da terra e do sol, da riqueza do mel e das colheitas, da luz intelectual na sua pureza de ouro inalterável. (Para a aplicação detalhada desse simbolismo, ver, pelo nome, o estudo de cada arcano maior.)


Os arcanos maiores: caminhos iniciáticos

Os próprios arcanos maiores são caminhos iniciáticos, cujas etapas foram interpretadas de inúmeras formas. Apresentam-se como a quintessência do hermetismo, como os Altos Graus colocados acima da massa anônima.
São estudados em detalhe sob o nome de cada carta:

I. O Mago.
II. A Sacerdotisa (a Papisa).
III. A Imperatriz.
IV. O Imperador.
V. O Papa.
VI. O Enamorado.
VII. O Carro.
VIII. A Justiça.
IX. O Eremita.
X. A Roda da Fortuna.
XI. A Força.
XII. O Enforcado.
XIII. A Morte (arcano sem nome).
XIV. A Temperança.
XV. O Diabo.
XVI. A Torre Fulminada (
habitação divina).
XVII. A Estrela.
XVIII. A Lua.
XIX. O Sol.
XX. O Julgamento (o Juízo final).
XXI. O Mundo.
e o arcano sem número, O Louco.


Os ternários e os setenários

Excluindo o louco, que não faz parte do grupo numerado, temos vinte e um arcanos que se dividem seja em sete ternários, seja em três setenários. Em cada ternário, o primeiro termo é ativo; o segundo, intermediário: ativo em relação ao seguinte, mas passivo em relação ao precedente, enquanto o terceiro é estritamente passivo. O primeiro corresponde ao espirito, o segundo á alma e o terceiro ao corpo (WIRT, 68). Assim agrupam-se: O Mago (I), a Sacerdotisa (II) e a Imperatriz (III); depois , o Imperador (IV), o Papa (V), e o Enamorado (VI); o Carro (VII), a Justiça (VIII) e o Eremita (IX) etc. Esta mesma distinção, espirito, alma e corpo, é encontrada nas relações dos três setenários: do Mago (I) ao Carro (VII), os valores do espirito; da Justiça (VIII) á Temperança (XIII), os da alma; e do Diabo (XV) ao Mundo (XXI), os do corpo.

Uma mesma carta pode, assim, ser interpretada como espirito e alma, ou como alma e corpo, segundo o lugar que ocupa no conjunto escolhido e segundo os níveis da analise. Por exemplo, a Imperatriz é corpo no primeiro conjunto ternário, espirito no primeiro conjunto setenário; as relações se alteram no interior dos diferentes conjuntos. Todas as chaves da interpretação chegam a diferentes aspectos de uma mesma carta. Nenhuma delas possui um sentido absoluto e definitivo. É sempre um sistema móvel de relações que exige a maior flexibilidade de interpretação.

No interior de cada setenário, os três primeiros arcanos opõem-se aos três seguintes e o sétimo traz o todo de volta a unidade (WIRT, 77); o que põe em valor a significação sintetizante do Carro (VII), da Temperança (XII) e do Mundo (XXI): dominação da vontade no mundo do espirito (VII), do equilibro no mundo da alma (XIV), do eterno movimento no mundo do corpo (XXI).

NOTA: A foto acima no canto esquerdo, é a representação do terceiro olho e sua conexão com os “mundos superiores” pelo Alquimista rosacruciano Robert Fludd. (Rosacruzes [séc. XVII]: “Nós temos a Palavra Maçônica e a segunda visão, Coisas por acontecer nós podemos prever acertadamente.”)


Relações com o Zodíaco e os Planetas

É possível comparar esse agrupamento ternário á concepção astrológica segundo a qual a roda zodiacal representa, nas suas três posições sucessivas, os quatro elementos: nascimento ou início da evolução, culminação, queda ou involução. Os signos do Fogo, da Terra, do Ar e da Água, que nascem com o Áries, o Touro, Os Gêmeos e o Câncer, culminam em ion, Virgem, Libra, Escorpião, e vão ao encontro de sua queda em Sagitário, Capricórnio, Aquário e peixes. No agrupamento ternário do Tarot, as cartas em que os símbolos do Zodíaco são nitidamente indicados têm uma posição correspondente: o Sagitário do Enamorado(VI), em queda, a Libra da Justiça(VIII) em culminação, assim como o Leão da força(XI), enquanto os Gêmeos do sol(XIX) estão no inicio de uma evolução.

Mas, se quisermos ir mais longe e reconstruir um Tarot astrológico, deparamo-nos com profundas divergências entre os autores. Existem tantas correspondências diferentes entre os arcanos, planetas e o Zodíaco quanto autores especializados no estudo do Tarot. A mais absoluta fantasia parece reinar. Oswald Wirt, por exemplo, vê Mercúrio no Mago; Fomalhaut Vê o sol; Th. Terestchenko, Netuno etc. sem a pretensão de uma pesquisa completa, encontramos facilmente uma boa dúzia de correspondências astrológicas diferentes e muitas vezes contraditórias para certas cartas.
Diante dessa quantidade de hipóteses, A.Voguine propôs, em i’Utilization du Tarot em Astrologie Judiciaire (utilização do tarô na Astrologia Judiciária) (Paris,1933), fazer a correspondência dos arcanos maiores, não com os planetas e os signos, mas com as casas horoscópicas, cujos setores representam um domínio bem definido. Assim, o Mago e a morte têm relação com a primeira casa do horóscopo: a Papisa e a Temperança, com a segunda, e assim por diante. Os arcanos do Tarot também podem ser vistos em pares: cada um deles manifesta, na dualidade que compõem, uma analogia dos contrários mais ou menos evidente: a associação das cartas ás casas horoscópicas justifica esse acasalamento.


A interpretação cabalística

Varias observações se impõem, segundo os cabalistas que estudaram o Tarot. Há o mesmo número de arcanos maiores e de letras no alfabeto hebreu. Esse número é exatamente o das vinte e duas vias da sabedoria, dos canais intersefiróticos que reúnem, entre si, os dez Sefiroths, os sublimes princípios metafísicos da cabala judaica (RIJT, 198). Os próprios Sefiroths, atributos místicos de Deus, desenvolvem-se sob forma de trindades, nas quais dois extremos são unidos por um termo médio (MARD, 154). E eles correspondem ao sentido simbólico das cartas: ao Mago, causa e ponto de partida de todas as coisas, corresponde a Coroa sefirótica; á Sacerdotisa, a Sabedoria; á Imperatriz*, a Inteligência; ao Imperador, a Grandeza e a Misericórdia; ao Papa, o Rigor e o Julgamento; ao Enamorado, a Beleza; ao Carro, a Vitória; á Justiça, a Glória; ao Eremita, o fundamento; e á Roda da Fortuna, que representa o turbilhão involutivo, o Reino (WIRT, 71-73). Como há correspondências entre todas as cartas, é possível desenvolver todo um simbolismo cabalístico do tarô a partir daí, pois, na cadeia que contém os diferentes graus da essência, tudo é magicamente ligado.


O antropocentrismo do Tarot

Tarot alquímico, tarot mágico, até mesmo o Tarot Maçônico (WIRT, 281-86), todas as chaves de interpretação foram tentadas, desde que se tenha encontrado um ou dois signos simbólicos que possam ser associados a essa ou áquela doutrina; estes foram indicados á medida que examinamos cada arcano em particular. Mas o tarot permanece, acima de tudo, antropocêntrico, e as figuras que o compõem têm uma significação psicológica e cósmica; referem-se ao homem, em si mesmo e no mundo, mesmo que não nos mostrem personagens humanos, como a Roda da Fortuna (X) e a Lua (XVIII), em que os animais não passam de caricaturas do homem. Porém, para estudar o simbolismo do tarot sob este ângulo é preciso dispor os arcanos, ou em forma circular, o que situa o Louco entre o Mago e o Mundo, ou em duas fileiras, a primeira de I a XI e a segunda, no sentido contrário, de XII ao Louco.

Assim, aparece claramente que o eixo vertical do Tarot une os arcanos VI e XVII, o Enamorado e a Estrela, o primeiro sendo a afetividade e o outro, a esperança, como se esses dois valores fossem o pivô em torno do qual gravitam todos os outros. 

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Um caminho de evolução em direção á sabedoria

Só diante do mundo, o homem busca o caminho da sabedoria na aquisição de um domínio duplo: o do mundo exterior e o do seu universo interior. Esse domínio provém de uma iniciação progressiva que, por sua vez, distingue duas vias, duas formas ou duas fases principais, de predominância ativa ou passiva, solar ou lunar.

A primeira se baseia na exaltação do princípio de iniciativa individual, na razão e na vontade. Convém ao erudito que tem sempre o domínio de si mesmo, que só conta com os recursos da sua própria personalidade, sem esperar ajuda das influências exteriores. A segunda é totalmente diferente, pois toma uma posição exatamente contrária á da primeira. Longe de desenvolver o que tem dentro de si e de dar de acordo com toda a expansão de suas energias intimas, o místico deve ficar em estado de receber em toda a medida de uma receptividade especialmente cultivada (WIRT, 49)
Assim, de dois em dois, o racional e o místico - como o masculino e o feminino – se opõem e se completam. A força (XI) e o Enforcado (XII), por exemplo, são apenas dois aspectos de um mesmo símbolo: força exterior do arcano XI, força interiorizada e espiritualizada do enforcado (XII). Nesse sentido, também, o Mago em busca da iniciação se choca, primeiramente, com a Sacerdotisa (II), detentora dos segredos do mundo: para ler no seu livro, é preciso ter inteligência da Imperatriz (III) e do Imperador (IV). Com o papa (V), a iniciação torna-se efetiva: o homem conseguirá elevar-se através das provas dos demais arcanos, a primeira das quais será a tensão do Enamorado (VI), centro da primeira fileira de cartas, pois sem o impulso afetivo nada é possível. Após essa escolha que o compromete, o senhor do Carro (VII) pode vir a abusar do seu poder e a orgulhar-se de sua força: a Justiça (VIII) lembrar-lhe-á a lei do equilíbrio indispensável e, forte com o seu ideal. 
Ele vai partir, como um Eremita (IX) através do mundo; mas, na medida em que o Eremita procura a verdade, julga e põe em movimento a Roda da Fortuna (X) que dá o que ele deve receber, segundo o seu estado interior e seu próprio desejo de evolução. Só a força (XI) pode deter a Roda da Fortuna.
No final dessa primeira via, o iniciado encontrou o que procurava; a força usa o mesmo chapéu que o Mago: a lemniscata do signo do infinito.


A fase mística

Com o Enforcado (XII), começou da segunda fileira, o iniciado entra num mundo invertido, onde os meios materiais já não são eficazes: é a via mística e passiva. O arcano sem nome do n° XIII indica-nos a morte, cuja foice vermelha, cor de sangue e de fogo, corta e queima as ilusões, e que, longe de ser um fim, é um começo. Mas, nessa nova vida que nos é prometida, não se deve forçar as etapas: as exigências da Temperança (XIX) são as mesmas que as do Eremita (VIII); é só depois de ter tomado consciência dos seus limites e adquirido o equilíbrio interior que o homem poderá enfrentar o Diabo (XV), símbolo da mais grave tentação, a que nos promete poderes ocultos tão grandes quanto os claros poderes de Deus, mas que tecem ligações igualmente grandes com a força diabólica. 
Infelizmente, as construções do orgulho humano estão todas destinadas á queda, e eis a Torre fulminada da Habitação divina (XVI). Daí em diante, só a estrela (XVII) de vênus resta ao homem, dupla estrela de esperança e de amor, centro da segunda fileira de cartas e base do eixo vertical do tarô. Como a Lua (XVIII) acompanha a estrela no céu físico, ela a segue no mundo simbólico do tarot, condutora dos valores do passado, rica de todo o inconsciente, domínio do imaginário onde são reforçados os devaneios. Sem a aliança da Estrela e da Lua, não poderíamos enfrentar a luz e o fogo do sol (XIX), arcano da iluminação total, sob o qual, pela primeira vez, o homem não está mais só. A partir de então, ele pode ser julgado na sua totalidade, nele próprio e nas suas obras. O seu filho, aos olhos do anjo do juízo (XX), simbolizará a testemunha. Alcançou o cume da iniciação, e o mundo (XXI) só existe como síntese do que ele adquiriu. Conseguiu operar a transmutação do mundo objetivo em valor psíquico, i.e., em linguagem alquímica que, tendo saído junto com o Mago da matéria-prima, vai chegar ao ouro (DELT, 11, 488).

Assim, enquanto a primeira via da iniciação conduzia á força (XI), condição do Mago que realizou o seu programa (WIRT, 53), a segunda via, a da mística, parte do Enforcado (XII) e nos conduz ao Louco, cuja passividade reveste-se, aqui, de um caráter sublime (WIRT, 55). É aquele que, depois de ter obtido deste mundo tudo o que ele pode dar, reconhece que não possui nada válido e, em consequência, volta ao desconhecido, ao não conhecível que precede a vida e continua após ela. Diante desse duplo impasse, sós nos é possível continuar a procurar, tendo, porém, enfim admitido na nossa inteligência e aceito nos sofrimentos da nossa carne, que há uma diferença entre a nossa diferença entre a nossa natureza e a de Deus; a única relação possível com ele reside na esperança, no abandono e no amor. Essa é a ultima lição do tarô concebido como um caminho iniciático.

Os arquétipos do Tarot

Mas os dois caminhos que distinguimos se prestam,  ainda, a outras interpretações. Carl Gustav Jung vê neles os dois aspectos da luta do homem contra os outros e contra si mesmo; a via solar da extroversão e da ação, da reflexão prática e teórica de motivação racional; e a via lunar da introversão, da contemplação e da intuição, em que as motivações são de ordem sensível, imaginativa e global. 
Observamos também que aparecem, no tarot, vários arquétipos essenciais: a Mãe (Papisa, Imperatriz, Julgamento), o Cavalo (Carro), o Velho (Imperador, Papa, Eremita, Julgamento), a Roda (Roda da fortuna), a Morte, o Diabo, a Casa ou a Torre (Habitação Divina, Lua), o Pássaro (Estrela, Mundo), a Virgem, a Fonte, a estrela (Estrela), a Lua, o Sol, os Gêmeos (Diabo, Sol), a Asa (Enamorado, Temperança, Diabo, Julgamento, Mundo), a Chama (Habitação Divina)..

Qualquer que seja o valor de todos esses pontos de vista, não devemos esquecer que o Tarot não se submete inteiramente a nenhuma tentativa de sistematização: há sempre alguma coisa que nos escapa. O seu aspecto divinatório não é o menos difícil de ser apreendido. Não o consideraremos aqui, pois as combinações são infinitas e as interpretações, mesmo que se baseiam em símbolos que tentamos esclarecer, exigem uma educação da imaginação que só se adquire com longa prática e uma grande reserva de julgamento. 


IMAGENS:
http://taroteca.multiply.com/photos/album/123/Barbara_Walker
http://taroteca.multiply.com/photos/album/148/Marseilles
Demais imagens: Google Images: http://www.google.com.br/imghp?hl=pt-BR&tab=wi

ADAPTAÇÃO E REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
DICIONÁRIO DE SÍMBOLOS:
Mitos, sonhos, Costumes.
Autor: Jean Chevalier e Alain Cheerbr
Editora: José Olímpio
Seria pouco dizer que vivemos num mundo de símbolos: um mundo de símbolos vive em nós. Da psicanálise à antropologia, da crítica de arte à publicidade e à propaganda ideolágica ou política, ciências, artes e técnicas tentam, cada vez mais, atualmente, decifrar a linguagem dos simbolos, não só para ampliar o campo do conhecimento e aprofundar a comunicação, como também para domar uma energia de um tipo especial, subjacente aos nossos atos, reflexos, tendências e repulsões, das quais apenas começamos a vislumbrar o extraordinário poder. Anos de reflexão e de estudos comparativos sobre um conjunto de informações reunidas por uma equipe de pesquisadores, abrangendo áreas culturais através do desenrolar da história e da extensão do povoamento humano, levaram os autores a demonstrar o caráter profundo da linguagem simbólica, tal como ela se subdivide nas camadas ocultas da nossa mente. Todos sentirão a importância deste Dicionário. Mais de 1600 artigos, entrelaçados por comparações e remissiva, muitas vezes reestruturados após longa maturação, permitem o desvendar do símbolo melhor do que a razão por seus próprios meios. Este conjunto único abre as portas do imaginário, induz o leitor a refletir sobre os símbolos.

Fraternalmente, luz e Paz Profunda

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