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domingo, 28 de junho de 2015

Resgate da Essência. O DESTINO

Nesta primeira tela encontramos a representação do Mysterium Coniunctionis, isto é, a conjunção dos opostos, do humano com o divino. O homem, aqui transcendendo a realidade tridimensional e mundana, encontra-se liberto e inserido na Luz Maior, que resgata em sua identidade a essência do divino.

Muito além do que medida para todas as coisas, do Ser para as coisas que são e do Não Ser, para as coisas que não são, como dizia Protágoras, o homem aqui é colocado como ponte para a transcendência da própria dimensão humana.

O homem, como Mago da Natureza, já traz incutido em seu psiquismo todo o seu destino, não como uma força terrivelmente fatalista capaz de mudar sua vida, mas como germe instrinsecamente semeado desde o Princípio em sua alma que, se bem cuidado, poderá estar sempre florescendo para perfurmar a vida, enquanto vai sendo regado pelos desejos do próprio homem.

A figura humana ocupa a parte superior da tela, arquetipicamente representa o plano divino, e seus braços em relação à cabeça sugerem a forma de um triângulo, símbolo de divindade e perfeição, que se desenha sobre um cubo, elemento da realidade tridimensional, a imperar sobre a metade inferior da figura, referente ao plano mundano das manifestações, ao qual estamos presos.

Sobre o solo, a pedra horizontal ocupa o primeiro plano do cenário, guardando atrás de si o enigma da dualidade de nossa existência temporal, aqui expressa pela profundidade da vida e aridez das intempéries. Nossa condição efêmera, embora esquecida da maioria das pessoas, apenas revela que a consciência humana nada, embora esquecida da maioria das pessoas, apenas revela que a consciência humana nada mais é do que estreita faixa de terra em revelação a infinitude do Cosmos.

Deitados sobre a pedra-mãe, os símbolos alquímicos partidos (bastão/terra, cálice/água, espada/fogo e pentáculo/ar) sugerem que se encontra muito além dos quatro caminhos do mago a Unidade da Mandala-Universal, exemplo de que toda verdade humana é apenas a penúltima verdade.

"Deve-se buscar o um que nasce com o quatro", diriam os alquímicos gregos. Isto pressupõe a união dos opostos, daquilo que está em cima com o que está embaixo e vice-versa, mesmo porque a natureza de ambos os planos é a mesma.

O eixo vertical de mandala representa a união do humano com o divino. Nesta tela, uma verdadeira coluna alquímica se ergue a partir da pedra (ela própria símbolo da divindade em que quase todas as culturas primitivas) até a Luz Maior que a tudo ilumina, e que nesta gravura se irradia a partir da fronte e do coração, símbolos da alma humana, cuja essência, é divina.

Está lançada nesta primeira lâmina a síntese do drama iniciático, cua meta jamais será um alvo fixo, mas sim o caminhos permanente de busca da totalidade do Ser que se pretende atingir pelo desenvolvimento anímico.

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RESGATE DA ESSÊNCIA
Arcanos sob a ótica de Eduardo Vilela e comentários do Psiquiatra Paulo Urban


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Meditação é sintonia.

Meditação é uma transformação da consciência.
Quando meditamos podemos alterar nosso estado de receptividade, como o ajuste para um comprimento de onda superior.
Meditação é sintonia.
[ manuscrito Rosacruz ].

A meditação não é um método oriental; não é simplesmente uma técnica. Você não pode aprendê-la com descrições, mas somente praticando. Ela é um crescimento do seu viver total, resultante da sua busca do viver integrado.

A meditação não é algo que possa ser adicionado a você da maneira como você está. Ela não pode ser adicionada a você. Ela apenas pode vir até você através de uma transformação básica, pura mutação.

É um florescimento, um crescimento. Que é sempre do total, não uma adição. Assim como o amor, ele não pode ser adicionado a você. Ele cresce a partir de você, a partir da sua totalidade. Você tem que se permitir crescer em direção à meditação.



O Grande Silêncio
O silêncio geralmente é tomado como algo negativo, algo vazio, uma ausência de som, de ruídos. Esse mal entendido prevalece porque poucas pessoas já experimentaram o silêncio.
Tudo o que elas experimentaram em nome do silêncio é uma ausência de barulho. Mas o silêncio é um fenômeno totalmente diferente. É inteiramente positivo. É existencial, não vazio. O silêncio é uma oração.

É um transbordamento, com uma música que você nunca ouviu antes, uma fragrância que não lhe é familiar, com uma luz que apenas pode ser vista pelos olhos internos. Não é algo fictício, mas uma realidade, aquela que já está presente em cada um de nós; apenas nunca olhamos para dentro.

Seu mundo interior tem seu próprio sabor, fragrância e luz. Ele é totalmente, imensamente e eternamente silencioso. Nunca houve qualquer ruído e nunca haverá. Nenhuma palavra pode chegar até lá, apenas você.

O verdadeiro centro de seu ser é o centro de um ciclone. O que quer que aconteça ao redor não o afeta. É um eterno silêncio: os dias passam, os anos e as épocas. Vidas passam, mas o eterno silêncio de seu ser permanece exatamente o mesmo - a mesma música silenciosa, a mesma fragrância do divino, a mesma transcendência de tudo o que é mortal, de tudo o que é momentâneo.

Não é seu silêncio. Você é silêncio.
Não é algo que você possua; você está possuído por ele, e esta é a grandiosidade dele. Até você não está presente, porque até mesmo sua presença será um distúrbio. O silêncio é tão profundo, que não há ninguém, nem mesmo você. 

E este silêncio traz verdade, amor e milhares de outras bênçãos até você.
Meditação é sintonia, meditação é paz profunda.
Meditação é amor, é amar.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

De onde viemos?


Por que estamos aqui? Para onde iremos?

Toda pessoa reflexiva, de qualquer idade, alguma vez ponderou sobre estas questões. O ser humano tem pressuposto e sinceramente acreditado possuir um vínculo com o infinito, com uma mente superior. Acredita haver energias intangíveis, uma inteligência psíquica que liga à causa primeira de tudo. Além disso, o homem tem mostrado propensão a considerar a mente superior à matéria. Tem, em geral, contestado a noção de que a totalidade da mente humana seja um subproduto da matéria em movimento. O homem tornou-se capaz de empregar a mente para levar forças físicas da natureza a obedecer à sua vontade. A mente tornou-o causativo em seu mundo. Conseqüentemente, pareceu coerente ao ser humano que uma inteligência correspondente, porém superior, se encontrasse além de toda a realidade. Parecia ilógico que o Cosmo fosse desprovido desse poder de que o próprio homem tanto se orgulhava. Por conseguinte, o ser humano concluiu que uma Inteligência Infinita, que tudo criara, também o impregnaria. O homem estabeleceu idéias para si mesmo. Conduz seu organismo no sentido dessas idéias. Acredita que a Inteligência Infinita, Cósmica, deva também ter um propósito final superior em relação ao homem.

Porém, é difícil para este conciliar as experiências humanas com a crença num propósito divino. Não há caminhos bem definidos que conduzam a ideais concretas de felicidade. O caminho da vida é entremeado de eventos variados. Alguns abrigam o bem, outros, o mal. A sorte humana varia quase diariamente, como um cata-vento na tempestade. Milhões de homens e mulheres se têm lamuriado como o antigo filósofo Lucrécio, que dizia: “Por que trazem doenças, em sua passagem, as estações do ano? Por que a morte prematura em toda parte espreita? A criança recém-nascida enche o quarto de lamentos tristes. Bem o faz, que seu destino será andar pela vida através de numerosos infortúnios”.

Será o homem, afinal, apenas um produto de forças mecânicas do universo? Deve, ele, andar pela vida aos tropeções, tentando agarrar as saias do destino? Se há uma missão para seres como o homem, qual será? Ao buscar sua resposta, o homem busca a segurança. Necessita de uma certeza pessoal que lhe possibilite a paz de espírito. Há homens que passam pela vida como se fosse predeterminada, tal como uma bola de bilhar, rolando e desencadeando eventos à sua passagem. Esperando que em algum lugar do caminho sua bola caia na caçapa certa de jubilosa vitória na vida.  Não existem certezas Cósmicas, apenas possibilidades.

Existem fatores de miséria quanto de felicidade. Compete à mente humana determinar valores e relações corretas. Somos nós próprios que podemos responder a questão, “Por que estamos aqui?” A resposta está em nosso templo interior de acordo com as parábolas gnósticas do mestre Jesus, o Cristo: “Por que o reino, está dentro de vós” (Lucas, 17-21).

Todo iniciado, portanto, deve aprender a estabelecer um propósito sensato para sua vida. Este propósito depende do discernimento das relações que tem com o Cósmico, ou seu próprio conceito de Deus. Consiste também na descoberta dos vínculos que tem com as forças da natureza. Consiste, enfim, em aprender como estabelecer um relacionamento proveitoso com seus irmãos humanos.

O mais importante, e que deveria ser ponto de vista de todo ser humano, Deus, essa Mente Divina ou Cósmica, é sempre uma experiência pessoal transcendente e imanente, isto é, íntima. Ela assume aparência e característica de acordo com a mente finita do indivíduo. Não é possível uma definição que estabeleça a mesma configuração da consciência cósmica em todos os homens, porem, uma coisa parece ser fato. Devemos construir nosso templo interior, para irmos junto de Deus, na mesma perfeição de onde viemos.

Bibliografia
O Domínio da Vida
– Ordem RosaCruz – AMORC –  www.amorc.org.br

sábado, 31 de dezembro de 2011

2012 = o número 5


2012 = O Número 5
O Número do Homem e da Quintessência
O 5 é o numero do homem, que está no mundo tal como uma estrela de cinco pontas- assim como nós o conhecemos a partir da representação de Leonardo da Vinci e Baldassare Peruzzi. Os quatro membros do nosso corpo correspondem aos quatro elementos, ao passo que a cabeça simboliza a quintessência, aquele misterioso e invisivel elemento, ao qual apenas o ser humano tem acesso. Além disso, possuimos cinco sentidos e cinco dedos em cada mão, para que possamos compreender a realidade (4) e perceber o sentido (5).
Segundo uma teoria da Antiguidade toda a criação compõe-se dos quatro elementos: fogo, terra, ar e água. Além desses, existe ainda um quinto elemento invisivel. Ele representa a essência, o significado e o sentido que estão ocultos na criação e une de tal modo o espirito e a materia, que esses aparentam ser dois lados de uma mesma moeda. Esse sentido pode ser reconhecido apenas pelos homens. Aristoteles chamava o quinto elemento de ‘éter’ e os alquimistas cunharam o termo quintessência.
Esse misterioso ponto, esse observatorio ‘elevado’, é simbolizado pelo cume da pirâmidde, que conecta os quatro vértices, como os quatro elementos, num plano elevado. O mesmo encontramos em construções sacras, na área em frente ao altar, chamada de cruzeiro, onde vemos quatro colunas com figuras, esculturas ou imagens dos quatro evangelistas. Esse espaço representa a realidade terrena e causa a impressão de que os santos nas colunas querem levar o homem para o centro da cúpula, onde os eixos se encontram e formam o ponto da quintessência. Vê-se ali um sinal do supremo, como, por exemplo, uma pomba, representando o Espirito Santo; ou um cordeiro, como simbolo de Cristo; ou uma simples abertura, por meio da qual penetra a luz, simbolo do Deus invisivel.
O mesmo simbolismo é encontrado em diversos afrescos, vitrais, imagens em altares e outras representações, que mostram Cristo no centro, cercado pelos quatro evangelistas. No brasão da Rosa-Cruz, uma rosa de cinco petalas floresce no ponto da quintessência da cruz, e as cinco chagas de Cristo fazem parte também, naturalmente, desse ambito simbolico. Esse simbolismo existe tambem no Budismo tibetano. Inúmeras mandalas trazem no seu centro um simbolo da perfeição, no qual se unem quatro principios.
Entretanto, a estrela de cinco pontas também simboliza que o homem está com ambos os pés sobre a terra, ao passo que sua cabeça eleva-se em direção aos céus, sendo ele a única criatura a reunir e si o espirito (céu) e a natureza (terra). No interior de cada estrela de cinco pontas encontra-se um pentagono, no centro do qual encaixa-se, por sua vez, uma outra estrela de cinco pontas, que traz em si um outro pentagono. Esse modelo que pode ser aumentado ou diminuido quantas vezes se queira, sem com isso perder a sua estrutura, ilustra a lei hermetica: macrocosmo= microcosmo. Aquele que se identifica com a estrela de cinco pontas e penetra nessa figura em pensamento, pode, com a ajuda desse modelo, transcender e vivenciar a si proprio no menor nucleo microscopio existente ou reconhecer-se em uma grandeza macroscopia, como, por exemplo, no céu, na configuração estelar do seu horoscopo de nascimento. Dessa maneira, a estrela de cinco pontas torna-se simbolo do homem integrado a totalidade cósmica de um modo significativo. É óbvio que a quintessência não está na superficie. Por essa razão, pentágonos não são adequados para se cobrir uma superficie. Por sentido está sempre no núcleo, que nunca se modifica, não importando o quão grande ou pequena seja a estrela.
O papel especial que nós homens desempenhamos na criação traz em si caracteristicas marcantes,  que são tipicas apenas para nós, seres humanos. Nos somos as unicas criaturas que agem contra a sua natureza. Por isso, apenas nós temos liberdade de escolha. Nós somos os unicos seres que conhecem criterios como o bem e o mal, a virtude e o pecado, o nobre e o profano. Só nós podemos assumir a responsabilidade pelos nossos atos. Essa polaridade fica evidente no numero 5, que é equiparado á natureza pecadora no simbolismo numerico cristão, pois ele representa os cinco sentidos, com os quais cometemos pecados, segundo os ensinamentos da igreja. Bem mais conhecida, porém, é a estrela de cinco pontas invertida, que como simbolo do mal aponta para baixo. Ela é chamada de pentagrama invertido e é vista como um simbolo da Magia Negra. Esse simbolismo é fortemente marcado por valores patriarcais. Ele constara pura e simplesmente: em cima, pai, céu, espirito= bom. Embaixo , mãe, terra, corpo= ruim.
Há tambem uma explicação mais agradavel para esse significado ambivalente. A ponta do pentagrama voltada para cima demonstra que o homem busca unidade para superar o seu dilaceramento interior. Por outro lado, a estrela de cinco pontas invertida tem duas pontas que representam a perda da unidade, fragmentação e contradição. Por essa razão, o unicornio era tido, sobretudo na Idade Média, como simbolo de Cristo, ao passo que o diabo, aquele que destroi a unidade (grego, diaballein), é representado, como se sabe, com dois chifres com as pontas voltadas para cima, que são encontradas por sua vez também no pentagrama invertido.
A parábola das cinco jovens prudentes e das cinco tolas que é contada na Bíblia (Mt 25, 1-13)  também se encaixa nesse contexto. Elas representam os cinco sentidos, que podemos vivenciar e usar tanto de uma maneira  prudente quanto ‘tola’. As cincos jovens prudentes correspondem á estrela de cinco pontas com o cume para cima, e as tolas á estrela invertida. Assim, a estrela de cinco pontas indica que nós, homens, temos a livre escolha de nos decidirmos pelo bem ou pelo mal. Contudo, essa diferenciação não é assim tão simples, pois, como se sabe, o homem nunca pratica o mal tão perfeitamente e com tanta alegria, como quando o pratica em nome do bem
O simbolismo da estrela de cinco pontas também esta na pintura Ressurreição, no altarmor de Isenheim que mostra como Cristo sai do mundo polarizado e entra no circulo perfeito do Sol, abrindo assim para os homens o caminho do mundo para o paraiso. A cabeça e os braços (o três divino) formam um tridente que já se encontra dentro do circulo, ao passo que ambas as pernas acabam de se desligar do mundo das polaridades.
Como um numero de significado religioso, o 5 tambem está no Islamismo, onde o Muezin, convoca os fieis a voltarem-se para Meca cinco vezes ao dia para realizar as suas cincos orações.
O fato de o pentagrama ser considerado um simbolo poderoso no mundo da magia, com o qual se podem fazer feitiços ou afasta-los, contribuiu certamente para essa interpretação maniqueisa sobre ele. No mundo da magia ele é chamado de estrela flamejante ou flamigera, e vê-se nela um simbolo de poder, á qual subjugam-se os espiritos elementais. Por essa razão, ele personifica o dominio dos quatro elementos por meio do espirito, e é ao mesmo tempo um simbolo protetor, no centro do qual o mago, no caso de feitiços, não pode ser atingido por nenhuma força inimiga
Na verdade, todas as pessoas deveriam estar protegidas contra o mal, já que vênus, atinge o ponto mais proximo da terra cinco vezes no decorrer de oito anos, e dessa maneira, desenha sempre uma nova estrela de cinco pontas como escudo sobre ela. Contudo, como Vênus, ao contrario da terra, não conhece anos bissextos, a quinta conjunção ocorre com uma diferença de dois dias e a estrela de cinco pontas não se fecha completamente. Goethe aproveitou em sua obra esse pequeno espaço pelo qual o mal entra no mundo. Por meio dele, Mefistófeles pode entrar npo quarto de estudo como um cão preto, embora Fausto tenha se protegido pendurando uma estrela de cinco pontas na porta da entrada. O pentagrama, porém, não havia sido desenhado com exatidão. Mefistofeles explica a Fausto:
Repare, ó Sabio! Aquele pentagrama esta malfeito. O ângulo que aponta para a rua não fechou bem. (Fausto 1400)
Se levarmos em consideração que o 5 representa o sentido, e o quão importante é a direçao para a qual aponta a estrela de cinco pontas, então é extremamente interessante observar que a palavra ‘sentido’ significa ‘direção’ em varias linguas. Nos falamos ‘sentido horario’ quando queremos dizer que algo se move pela direita. E tambem em ingles, frances, italiano, espanhol e alemão sense/senso/sinn significam tanto sentido quanto direção.
A ideia da busca e encontro de um sentido, que está vinculada ao numero 5, é expressa também em uma pintura do mistico William Blake que mostra Adão dando nome aos animais. O tema dessa pintura é a narração biblica, segundo a qual Deus incumbiu Adão de dar nome ás criaturas. Se levarmos em consideração que originalmente se expressava por meio do nome a singularidade e a essencia, e que a tradução da palavra Adão em hebraico significa ‘homem’, então, a biblia trata nesse caso da incumbência dada por Deus ao homem de reconhecer a essencia e o sentido da criação e de suas criaturas, e dar-lhes nomes. Provavelmente, por essa razão, Blake associa esse instante a um gesto que Adão faz com a mão, que somente em uma interpretação superficial é tido como um dois. Nos paises anglo-saxões o dois é mostrado com o dedo indicador e o dedo medio, ao passo que o gesto que Adão faz com a mão, significa cinco numa antiga linguagem dos dedos, como o numero V em algarismos romanos.

No Tarot, o numero 5 é personificado pelo Alto Sacerdote (Papa, Hierofante), o representante da Religião. Essa palavra remonta a religare em Latim, que significa religar e pode ser compreendida como religamento e reincorporação ao sentido perdido. A mensagem de como e onde esse sentido pode ser encontrado pode ser lida na mão do Alto sacerdote que abençoa, na qual os dedos esticados simbolizam o que está evidente, ao passo que os dedos dobrados representam o que está oculto. Somente aquele que dirige a sua atenção igualmente a ambos, tanto ao visivel quanto ao invisivel, tanto ao consciente quanto ao inconsciente, tanto a este mundo quanto ao além, ao exoterico tal qual ao esoterico, apenas ele pode encontrar a essencia. Por outro lado, o DIABO, aquele que traz o pentagrama invertido na cabeça, mostra com os cincos dedos de sua mão estendidos, que não existe nada oculto, e que toda busca por um sentido é completamente inutil.
O numero 5 é também, sob outro aspecto, um numero ambivalente. Já que o sentido não é visivel e não se tem provas da sua existencia, pode-se tambem facilmente negá-lo. As coisas parecem tambem andar sem a interferencia da religião, já que a plantação produz frutos, mesmo que não se faça nenhuma prece e nem se celebre um ritual de fertilidade. Por isso, para algumas pessoas, a discussão sobre o significado do numero 5 é tão superflua quanto a quinta roda em um carro.
Por meio do fenomeno seguinte podemos ver como o sentido faz-se perceber, mesmo que não se possa comprová-lo nem compreendê-lo. Desde os tempos antigos se conhecem na geometria cinco corpos, que são considerados totalmente harmonicos por serem constituidos por superficies equilateras. Eles são chamados tambem de corpos platonicos, representam os cincos elementos e são formados pelos tres numeros mais significativos – o 3 divino, o 4 terreno e o 5 como numero que representa o homem.
JohannesKepler fez experimentos com esses corpos em sua busca pela harmonia, na qual se baseia o nosso mundo. Com isso, ele criou um modelo no qual os corpos são colocados de tal modo uns dentro dos outros, que cada um é circundado pela menor esfera possivel e preenchido pela maior possivel. Dessa maneira, obteve um total de seis esferas que preenchem e circundam as figuras. Quando observamos as distancias das seis esferas entre si, vemos que elas correspondem aos intervalos entre as orbitas de seis planetas do nosso sistema solar. Figurativamente, mercurio descreve a sua orbita na superficie da esfera mais interna do modelo, na proxima circula Vênus, seguida pela terra, marte e Júpiter, enquanto saturno, um antigo determinador de limites, que se movimenta lentamente, circunda o sol na esfera mais externa.

Contudo, isso não prova nada. É claro que se pode encarar isso tambem como algo talvez interessante, mas uma coincidencia insignificante. Porem, se pensarmos que essas figuras geometricas são compostas pelo numeros significativos que representam em seu simbolismo, por sua vez, Deus (3), Terra (4), e o Homem (5), e que elas são consideradas desde a antiguidade como totalmente harmonicas, e que – se colocadas uma dentro das outras de uma forma certa- são reflexo do nosso sistema planetario, tudo isso produz então, certamente, uma sensação de existencia de um sentido.
Uma sensação de percepção da quintessencia, o sentido oculto da criação, aquele que se pode sentir apesar de não se poder ver
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
HAJO BANZHAF; Simbolismo e o Significado dos Números. Ed.: Pensamento. 2009
Fraternalmente
Pax e Luz.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

V.I.T.R.I.O.L / A Temperança / Arcano 14

O desafio dos Alquimistas


Alquimia, metamorfose e  transmutação, sem dúvida alguma são palavras bem adequadas ao estudo do décimo quarto arcano.

A arte da Alquimia, segundo o que a maioria das pessoas conhece, ou pelo menos segundo o que lhes foi revelado, seria a arte da transmutação de vil metal em ouro, carvão em diamantes, e toda uma serie de maravilhoso prodígios de difícil aceitação, até para os estudiosos mais crédulos no assunto. Dentro desta complexa ciência oculta das transmutações, existe como em todos os demais ramos do esoterismo, um objetivo primordial, que no caso da Alquimia pode ser retratado pela busca da Pedra Filosofal e pela fabricação do chamado Elixir da Longa vida.

Segundo os Alquimistas, a Pedra Filosofal é tida como a Essência primeira de todas as substancias, possuindo o extraordinário poder de efetuar a transmutação de todas as coisas. Comenta-se dentro dos círculos Iniciáticos que aquele que possuísse tal artefato poderia transformar qualquer tipo de matérias, de acordo com a sua vontade, tornando-se um verdadeiro senhor do plano material. As tão almejadas transmutações do chumbo em ouro e do carvão em diamante, segundo alguns adeptos da arte alquímica somente seriam possíveis com a posse da Pedra Filosofal.

Já o Elixir da longa Vida - outro objetivo almejado pelos alquimistas- segundo as ‘lendas’, garantiria vida longa a todos os que os ingerissem. O mágico Elixir, seria dotado também de propriedades altamente medicinais e terapêuticas, oferecendo por este fato a cura a todas as doenças do corpo, mente e espirito.

Alguns leitores mais ponderados, neste momento deverão estar se perguntando como alguém em sã consciência pode acreditar neste tipo de coisas hoje em dia, onde vemos o poder cada vez mais avassalador da ciência e da tecnologia engolindo a todos nós? Os mais céticos e exaltados devem estar ás gargalhadas, com as ideias tão absurdas que acabaram de lhes ser apresentadas. No entanto, nem por isso eu pretendo parar de escrever.

Se o leitor pensar bem, por mais estranhas e malucas que sejam as teorias á respeito da Alquimia, mais estranho ainda é o fato de homens como Nostradamus, Gagliostro, Conde de Saint Germain, Paracelso, Leonardo da Vincci, Papus, Eliphas Levi, Saint Martin, e tantos outros ilustres cientistas e ocultistas terem se dedicado ao seu estudo. E isto sem falar hoje em dia de Ordens Iniciáticas sérias ortodoxas e tradicionais, que possuem laboratórios científicos espalhados por todo o mundo, onde ainda são desenvolvidos estudos e pesquisas desta natureza. O que dizer também dos relatos que chegam das mais variadas e recôndidas partes do planeta, á respeito de lugares ermos onde vivem homens e mulheres com todos os poderes descritos até agora, e dons muitas vezes até maiores do que aqueles que foram mencionados alguns parágrafos acima? Estaríamos todos ficando malucos? Seriam os grandes homens que foram citados loucos e ingênuos por desenvolverem a prática alquímica? Por que em todas as partes do mundo, independente do credo e da raça que lá habitem, são ainda hoje contadas histórias alquímicas com um grande requinte de detalhes que chega a ser estarrecedor? Por que uma ‘mera Lenda’, duraria tanto tempo e, ainda nos dias de hoje continuaria angariando adeptos, se não fosse verdadeiramente séria?

Embora as questões acima sejam muitas vezes até mais complexas que as respostas pertinentes a elas, nos preocuparemos em colocar o nosso ponto de vista á respeito da Alquimia, visão esta que poderá ser aceita ou não pelo leitor, estando este investido de total e plena liberdade para discordar, caso as ideias apresentadas não representem ou se aproximem da sua verdade.

Existe realmente uma Alquimia de prodígios físicos como a transformação do chumbo em ouro, por exemplo. Só que este tipo de Alquimia é o que menos nos interessa, principalmente porque sabemos ser impossível a realização destes magníficos feitos se antes aquele que se propõe a realiza-los não tiver se depurado o suficiente a nível interno. Mediante o que acaba de ser dito, começamos a compreender que existe também uma Alquimia Interna, onde precisam ser depurados os nossos erros e paixões (chumbo), a fim de que possamos atingir o brilho de nossas Essências (ouro) e nortear os nossos atos, palavras e ações por este brilho. Á partir de então, tendo o domínio completo de nós mesmos nos planos físico, mental, emocional e espiritual, poderemos realizar feitos que ás vistas das pessoas comuns parecerão milagres, mas que nós em nosso intimo, saberemos que são perfeitamente naturais, porque nos dispusemos a aceitar e compreender as leis naturais e universais, que atuam através de nós e ao nosso redor. No entanto, ainda resta uma grande pergunta a ser respondida:

- como realizar esta depuração interna?

Esta pergunta sem duvida alguma possui milhões de respostas, porque variados são também os caminhos que conduzem a Deus. Após quase vinte anos de pesquisas e estudos dentro da chamada área esotérica, sou da opinião de que as escolas iniciáticas- principalmente as mais antigas e tradicionais- podem realmente oferecer ao homem  um caminho através do qual ele possa encontrar a si mesmo, tomando consciência dos seus potenciais internos e trabalhando após adquirida está consciência em pról da humanidade.

Diversas são as Escolas Iniciáticas e diversos são os seus ensinamentos, origens e metodologias de estudo, no que diz respeito a atingirmos um patamar mais elevado de consciência. No entanto, todas as Escolas são alimentadas de conhecimento, por uma mesma fonte a qual damos o nome de Grande Fraternidade Branca ou Governo Oculto do Mundo- um manancial inesgotável de dados sobre todas as religiões, filosofias de vida, formas de governo, métodos terapêuticos e toda uma serie de conhecimento que está presente no planeta terra, desde que ele se entende como tal, dirigido por Mestres Ascensionados cuja missão é fazer florescer no coração dos homens o desejo de Iluminação, para que eles brevemente possam retornar á casa do Pai.

Este conhecimento, sagrado, está á disposição de todas as pessoas que realmente quiserem adentrar nos Círculos Iniciáticos, com o sincero e puro desejo de coração no que diz respeito a tomar consciência sobre quem elas são, de onde vieram e para onde irão quando aqui tiverem cumprido as suas missões.

Não importa o Colégio Iniciático ou linha filosófica a qual decidimos aderir. O que importa e que esta escolha tenha sido feita de livre e espontânea vontade e que uma vez dentro da Senda, procuremos nos dedicar de corpo e alma aos conhecimentos tanto práticos, como teóricos dentro do nosso dia-a-dia, pois de nada adianta a teoria sem a pratica, principalmente em obstáculos e obstruções de nossas vidas cotidianas, que muitas vezes são testes colocados em nosso caminho, para ver se estamos aplicando tudo aquilo sobre o que antes estávamos apenas teorizando.

Ofereceremos agora, antes de nos aprofundarmos no estudo do décimo quarto arcano, alguns bons pensamentos de origem alquímica:
V.I.T.R.I.O.L.- O termo Vitriol, essencialmente alquímico significa:

Visita Interiora Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem’, (visita o interior da Terra e, retificando, encontrarás a Pedra Oculta).

Esta fase acima é nada mais do que um convite á profunda reflexão e meditação do ser humano em relação a ele mesmo, para que através deste exercício ele possa chegar á Pedra Oculta ou Filosofal, que seria o outro dentro de si (Essência).

Também diz respeito ás cidades e regiões intra- terrenas onde estariam guardadas as maiores riquezas, tanto físicas, quanto tecnológicas e espirituais do  planeta terra.  Mas isto é assunto para outra hora... pois tudo tem o seu tempo certo para vir a tona.

‘Milagres são um direito de todos; antes, porém, a purificação é necessaria’.
Extraído do livro ‘Um curso em Milagres’.

‘Todos os candidatos que ingressam na Maçonaria, podem ser vistos como uma pedra Bruta que necessitaria ser desbastada, tornando-se Pedra Polida e podendo mediante a sua nova condição ser aproveitada na construção da Grande Obra do Grande Arquiteto do Universo.

O estágio de Pedra Bruta corresponde ao homem que apesar de guardar em seu interior a Pedra filosofal, ainda está cheio de imperfeições, preferindo ouvir a voz do ego e satisfazer aos seus desejos unicamente instintivos e materiais, á prestar culto ao trabalho de depuração, através do qual ele poderia converter-se em homem justo e Perfeito. Passado este estágio ele começa a avançar dentro da Sublime Instituição Maçônica, recebendo instruções e instrumentos que lhe serão úteis na sua árdua tarefa de auto- lapidação, a fim de que ele possa almejar o grau de consciência de Pedra Polida, onde saberá em que ponto se encontra dentro da escala evolutiva e qual o seu papel perante os seus irmãos Maçons, perante toda a sociedade, mas principalmente perante sí mesmo’.

Um homem livre e de bons costumes.

‘Os Rosacruzes visam atingir o chamado  ‘Domínio da Vida’. Um grau de consciência onde os frates e sorores desta mística confraria estariam completamente harmonizados com o Deus de seus corações, em perfeita harmonia com as lei naturais e universais, tendo atingido a tão almejada conscientização Cósmica.

Para que este belo ideal de vida de todos os sinceros Buscadores da Verdade que vivem sob a proteção da Rosa vermelha e da cruz Dourada possa se realizar, a Ordem Rosacruz Amorc, coloca á disposição de seus membros uma alquimia de vida transcendental e mística, através da qual o rosacruz pode chegar ao real ‘Domínio da Vida’, tendo antes atingido o domínio de si mesmo’’.

Um R+C


Os símbolos que compõem o Arcano da Temperança.

O anjo é o intermediário entre o reino Celestial e o Plano mundano. É o mensageiro enviado por Deus á terra para auxiliar o homem na sua tarefa de encontrar o caminho perdido da Perfeição Primordial, para que ele possa retornar a casa do Pai. Ele colhe as nossas preces, apelos e decretos subindo com eles para os planos superiores ligados á Luz Maior, de onde retorna com bênçãos para aqueles que são cumpridores das Leis do Grande Arquiteto do Universo, e jamais deixaram de acreditar no Milagre da vida.

O pequeno sol na fronte do anjo simboliza entre outras coisas que ele é um ser nascido da Luz maior, e apesar de não possuir o livre-arbítrio para a execução de suas tarefas, jamais fará algo que afaste o homem da Luz, mesmo que aquele que esteja  sob a sua proteção peça o contrario. O fato dos anjos não possuírem livre-arbítrio, mas mesmo assim jamais fazerem o mal, constitui um ‘mistério angelical’.

A cor azul das asas deste guardião alado da raça humana, simboliza a ação consciente dirigida por uma firme vontade, que pode elevar o homem ás esferas celestiais e fazê-lo comungar com o plano onde habitam os deuses. A parte interna das asas é violeta, cor tradicionalmente associada a espiritualidade- embora esta contenha em si todas as cores- e a transmutação do negativo no positivo, lembrando-nos que antes de querermos alçar vôo em direção ao Altíssimo é necessária a depuração de tudo aquilo que constitui um fardo de energias negativas,  que por falta de consciência insistimos em continuar carregando nas costas. O amarelo da parte superior da túnica do anjo representa a sabedoria que prevalece sobre a parte inferior da vestimenta, que é de uma tonalidade extremamente vermelha, representando o lado mais instintivo e egóico do ser humano. O equilíbrio das cores nas vestes deste personagem angelical é uma lembrança do trabalho que todos nós deveríamos estar fazendo no sentido de nos tornarmos os senhores de nossas paixões e baixos instintos, e nunca os seus escravos.

O anjo pisa com um pé na terra e com o outro na água, simbolizando o equilíbrio entre a razão e a emoção.

As duas jarras uma de prata e outra de ouro, representam os potenciais feminino e masculino respectivamente. A jarra prateada também simboliza a nossa natureza Lunar, mais associada á intuição, enquanto a jarra dourada, símbolo na natureza Solar, será a representante do nosso lado mais racional. Podemos observar que o liquido que está sendo passado de uma jarra para outra, possui em seu conteúdo as cores do arco-íris. Este liquido a nível esotérico é conhecido como sendo a ‘Seiva Condutora da Vida’, representando também os inúmeros potenciais criativos que temos a nosso dispor, quando nos dispomos a realizar um religare com a nossa natureza mais interna.  O ato de passar esta seiva vital de uma jarra para outra, tem por objetivo fazer com que ela fique impregnada com os eflúvios racionais e emocionais, para que quando a nossa criatividade for aplicada e desenvolvida em nossa vida cotidiana, isto ocorra com o máximo de temperança possível, evitando que cheguemos aos extremismos descomedidos, podendo cometer atos que não cometeria o mais irracional dos animais, quanto mais um ser humano.

As pequenas flores que começam a nascer na terra árida e desértica, representam que mesmo quando a nossa vida parece um campo estéril onde não há muito mais o que se fazer, basta sentarmos e refletir bastante com o intuito de harmonizar a nossa razão com nossas paixões, para que através da centralização de nossos potenciais internos, possamos novamente  começar a criar um futuro de fé e confiança, pois não existe terra ou área da vida suficientemente árida que o amor e uma vontade bem direcionada não possam fertilizar.

Próximo aos pés do anjo vemos dois fluxos de energia de polaridades opostas representando o mais acinzentado uma energia carregada de negatividades arcaicas do passado, sendo substituída pelo arco-íris de boas novas e felicidades no presente.

A explosão vulcânica atrás do anjo, faz-nos lembrar que o homem sem temperança que se deixa dominar pelo seu lado instintivo desprovido de um desejo sincero de buscar as sagradas virtudes que habitam no amago de nossos seres, é tal qual um vulcão sempre prestes a explodir e, que por sua falta de consciência com suas intempestivas explosões, fará sofrer as pobres criaturas ao seu redor, muitas vezes sem chance de se defenderem perante um espirito tão grosseiro e ignorante.

 Significado do 14° Arcano - A Temperança.
  
Falemos agora de um arcano que é a própria imagem da arte da Transmutação Alquímica, visando uma vida mais plena, abundante e feliz

Com a retirada do décimo quarto arcano em uma consulta é o momento do cliente se abstrair um pouco da sua vida cotidiana com seus mais variados tipos de problema, para que ele possa realizar uma profunda e oportuna auto- análise, visando acessar os seus potenciais criativos, não para recuar diante das obras que já edificou que com o decorrer do tempo podem já estar dando algum tipo de problema, mas sim para avançar sobre os obstáculos como a água, que caindo gota a gota, fura a mais dura pedra. No entanto, o avanço diante das adversidades neste arcano, não se dá de maneira tão enfática e agressiva como nos arcanos do Carro e Mago. São necessárias agora a boa conduta, a diplomacia e principalmente a temperança, para que possamos sair vitoriosos de tão extenuante fase.

Muitas vezes as pessoas crêem que para se romper um obstáculo, é necessário atacar o problema diretamente de frente, e se possível de uma maneira um tanto o quanto radical. Não vamos negar que esta metodologia funcione perante alguns tipos de situação, no entanto, sem duvida alguma ela deve ser deixada de lado quando numa consulta se apresenta o arcano da Temperança. Nestes casos devemos ter em mente que o fato de agirmos diante dos problemas com uma certa dose de tolerância, e principalmente bom humor, de maneira alguma representa uma postura de fraqueza e receio de nossa parte, mas sim um ato de extrema inteligência, que fará com que não nos envolvamos em criticas situações de difícil saída, por causa de nossos intempestivos e descontrolados impulsos.

Com este arcano está de volta a necessidade de reconhecermos que a vida é uma grande via de possibilidades, que está sempre aberta aqueles que sabem leva-la com leveza e naturalidade. Sei que poderá parecer estranho o que vou colocar agora, mas certa vez enquanto conversava com um anjo, ele me disse que uma das diferenças entre eles e nós, era justamente o fato de sermos extremamente ‘pré- ocupados’. Entenda-se pelo termo pré- ocupado, aquele que se ‘pré- ocupa’ antes da hora, deixando de saborear o momento presente, muitas vezes acreditando que o sabor do futuro será melhor, principalmente se ele se estressar bastante no seu momento atual, dando atenção apenas a seu trabalho, negócios e afazeres do plano material, esquecendo-se de tudo e mais, principalmente em nome do dinheiro, status e posição social. Evidentemente estas coisas são importantes e devemos lhes dar a devida atenção, só que jamais podemos pecar pelo excesso de atividades apenas na área mundana, esquecendo-nos completamente de nossas áreas afetiva, intelectual e espiritual. Embora estas três áreas pareçam de difícil manejo, acreditamos que o difícil existe apenas para aqueles que não quer enxergar as inúmeras facilidades vinte quatro horas por dia ao seu redor, preferindo por causa de alguns insucessos- diga-se de passagem gerados pela própria pessoa- concentrar-se apenas nos seus fracassos pessoais e cultivar perante a vida um constante estado de amargor e desilusão.

Sobre a área material, o anjo da Temperança fala-nos que rico não é o homem que possui excesso de posses materiais, mas sim competência para administrar bem aquilo que possui, seja muito ou pouco, pois para o competente, do mínimo ele consegue extrair o máximo duplicando os seus limitados potenciais, a ponto de torna-los ilimitados através da competência, perseverança e principalmente paciência. Ele possui a visão necessária para saber quando é o momento de avançar em novos negócios, tendo o dobro de cautela para não embarcar em projetos profissionais superficiais, que lhe dariam apenas uma satisfação momentânea e egóica, desprovida de um real valor de realização intima, profunda e acima de tudo duradoura.

Com relação ao plano emocional e afetivo, o décimo quarto arcano, nos ensinará como viver uma relação plena e feliz com o sexo oposto.

Entendemos com a sua presença num jogo que a relação ideal não é aquela em que a pessoa tenta encontrar a sua metade, jamais será uma pessoa completa e sim uma meia pessoa que provavelmente irá se unir com outra meia pessoa, sem no entanto conseguir encontrar no seu relacionamento a tão almejada felicidade, que só pode ser encontrada, quando mesmo estando unidas, cada pessoa mantem a sua individualidade, sem jamais se anular dentro de uma relação’. É necessário para a felicidade do casal, que tanto o homem como a mulher preserve a sua individualidade, porque nenhuma relação afetiva ideal, pode ser edificada onde existe ciúme, posse e apego excessivo ao ser amado, ou melhor dizendo, ao ser ‘sufocado’. A relação entre o homem e a mulher é uma doce alquimia onde apesar de unidos, os ingredientes jamais se misturam a ponto de um suplantar o brilho do outro. Quando se entende isso, tanto o homem como a mulher brilham juntos. Através deste brilho afastam de si as suas trevas interiores e dão vida a filhos maravilhoso que vem para a terra depurados pelo Sagrado amor que une os seus pais num relacionamento de respeito, união e afeto incondicional.

Dentro do contexto espiritual, o arcano nos mostra realmente a necessidade de transformarmos o chumbo do nosso ego no ouro da nossa essência. Para que isto possa ser realizado, a lâmina nos dá a dica até mesmo a respeito de um dos inúmeros caminhos que poderiam ser seguidos para atingirmos este objetivo, representado por um magnifico anjo irradiando o seu poder em todas as direções.

Anjos entre as varias definições que são dadas para estes maravilhosos seres, antes de mais nada são a pura manifestação do Amor de Deus por seus filhos, que os criou justamente com o proposito de que eles nos auxiliassem na transmutação de nossos erros e paixões, a fim de que pudéssemos no devido tempo retornar a casa do Pai. Muitos incrédulos que na vida não fazem outra coisa além de reclamar, diriam que se existem mesmo estes mensageiros alados de Deus, por que eles jamais os viram e nunca foram auxiliados por eles?

A estes filhos ingratos de nosso Pai e também nossos ‘rebeldes’ irmãos, o que temos como resposta é o fato de que os anjos estão vinte e quatro horas por dia velando por nós, mesmo quando não acreditamos neles. O fato de ver ou não um anjo, não quer dizer que ele exista ou deixe de existir. O homem precisa aprender que anjos e milagres são reais e podem se tornar paupáveis em sua própria vida, desde que ele antes se comprometa a fazer as devidas retificações em sí próprio no que diz respeito á transformação de alguns hábitos detestáveis, que o homem tem o mórbido prazer de cultivar, não compreendendo que estes comportamentos instintivos e animalescos afasta cada vez mais da luz. Isto impede que ocorra a Mágica Alquimia que permite a todos que procuram levar uma vida de maneira mais justa, digna e correta, operar quaisquer milagres, ser servido pelas hostes angelicais e transmutar-se para melhor, atingindo um estagio de plena abundância, equilíbrio, saúde, prosperidade e elevada espiritualização.

O tarólogo deve procurar conscientizar o cliente a respeito dos seus ilimitados potenciais internos. A pessoa que foi nos consultar jamais poderá sair do nosso consultório em baixo-astral, o que também não quer dizer que através dos arcanos, devamos conduzi-la por uma mirabolante viagem á ‘Terra do Nunca’, onde apenas falaremos o que ela deseja ouvir. O nosso papel é procurar concientizá-la á respeito dos seus lados mais positivos e fazê-la enxergar ainda mais claramente o seu ‘dark side’, para que ele possa ser suplantado. Não há nenhuma razão para medos, pessimismo e derrotismos quando estivermos enfocando este lado mais obscuro que todos nós possuímos, mesmo porque o tarô não possui nenhum arcano nefasto no verdadeiro sentido da expressão. Este oráculo é na verdade um caminho de conscientização, que irá dar maior consciência ao ser humano de onde ele veio, onde se encontra no momento atual e quais as melhores diretrizes futuras a seguir. Agora, se a pessoa vai seguir ou não as nossas dicas, este é um problema único e exclusivo dela, pois o trabalho que nos compete é o de mostrar o caminho, sem jamais adentrar nesta estrada junto com o cliente. Porque ele não pode, não deve e jamais devera tomar as decisões em sua vida mediante o que o tarólogo falou, mas sim utilizar os conselhos do profissional, ajustando-os as suas crenças e sentimentos pessoais, para que, através da junção de todos os dados que estiverem á sua disposição, ELE, o CLIENTE, sozinho possa sempre decidir pelo melhor.

Em muitos arcanos o leitor já reparou que muitas vezes eu sugiro, que a pessoa siga uma determinada diretriz, ou então comento á respeito de coisas maravilhosas que podem ocorrer em nossas vidas á partir do momento em que decidimos nos centralizar com nós mesmos. Só que raramente digo por onde o cliente deve começar a buscar os seus progressos pessoais, apenas sugerindo algumas maneiras pelas quais ele poderá alcançar este sucesso. E num livro, a coisa realmente deve se processar desta maneira. Não é interessante dar ao leitor a desvelação de todos os mistérios já de mão beijada, principalmente porque enigmas transcendentalistas, só podem ser desvelados por aqueles que estão verdadeiramente buscando em primeiro lugar encontrar a si mesmos. Num segundo estágio, para aqueles leitores que já conseguem se olhar no espelho sem medo de levar um tapa de seu próprio reflexo por mal comportamento- uma vez que do espelho ninguém escapa...- aconselhamos a ingressarem em Ordens Iniciáticas tradicionais (pelo menos com mais de mil anos de existência...) e realmente acreditarem que o impossível só existe dentro de mentes limitadas que ainda precisam ser despertas para o infinito potencial que existe dentro de cada um de nós.


Para finalizar, os leitores devem estar se perguntando como adentrar para uma ordem Iniciática. E a estes queridos semi- buscadores dizemos para que não se preocupem, nem anseiem por nada, pois o simples ato de querer colaborar com a nossa obra no momento certo fará com que vocês acabem esbarrando em um de nós. Pode acreditar e aguardar, pois para todos existe a hora de despertar.
O Caminho na árvore da vida (cabala).
 
REFERÊNCIA DE ESTUDO:
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Segredos do Eterno. Alexandre José Garzeri
O TarotCabalístico - um manual de filosofia Mística. Robert Wang
IMAGENS E DECKS (fotos)
TAROT DE LEONARDO DA VINCI

THOTH CROWLEY
TAROT NAMUR
MARSELHA
RADIANT RIDER WAITE
BARBARA WALKER
TAROT ANCIENT ITALIAN

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