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segunda-feira, 8 de julho de 2019

Tarô: oráculo ou recurso terapêutico?

Na abordagem junguiana, as cartas podem ser usadas com um acesso para o inconsciente.

Pense em uma cigana com adornos brilhantes e coloridos com cartas nas mãos para adivinhar o futuro. Mas pense também em uma economista formada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), consultora de empresas de tecnologia, buscando compreender, a partir das cartas, o que a faz reproduzir um padrão de comportamento. Ou em um professor de literatura de um colégio renomado, homem intelectualizado, cujo terapeuta propõe a utilização das cartas em algumas sessões. A resposta para a pergunta do título já está dada, no primeiro parágrafo do texto mesmo: o tarô é recurso tanto para o esoterismo e o divinatório quanto para a expansão da consciência, seja individualmente ou em processos terapêuticos conduzidos por profissionais.

Alegoria pagã

Um conjunto de 78 cartas divididas entre 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores. Há incontáveis versões gráficas das cartas, desde o tradicional tarô de Marselha a um tarô surrealista ilustrado por Salvador Dalí, passando por imagens étnicas de indígenas norte-americanos e de orixás das religiões afro-brasileiras. Assim como não se pode afirmar que há uma representação gráfica verdadeira das cartas, não se pode reivindicar uma maneira correta de utilizá-lo ou interpretá-lo. É possível encontrar diversas técnicas descritas em manuais ou apreender ritos tradicionais de leitura transmitidos oralmente. Sem nunca desconsiderar a liberdade de quem manipula as cartas. 

Apesar de muitos autores já terem pesquisado a origem histórica do tarô, pouco se sabe sobre ela. Segundo Luis Pellegrini, no prefácio do livro Tarô de Marselha, de Carlos Godo, a primeira prova concreta de sua existência é um conjunto de cartas francesas do século 14. Sua origem é desconhecida - há quem defenda que nasceu no Egito, China ou Índia e tenha sido levado à Europa por ciganos. Pellegrini aposta na versão de que as cartas do tarô tenham sido elaboradas por sábios que, prevendo o ciclo de perseguições na Idade Média, criaram um sistema para preservar o essencial de seu conhecimento. Nas palavras de Pellegrini, seu raciocínio foi pragmático: “os homens entrariam numa fase de distração das preocupações espirituais. Assim, a própria distração poderia ser o meio mais adequado para preservar e transmitir o verdadeiro conhecimento”. 

Sallie Nicholls, autora do livro Jung e o tarô: uma jornada arquetípica, também apresenta a hipótese de que o tarô tenha sido desenvolvido como uma forma de contrabandear ideias da sabedoria ancestral que estavam em desarmonia com as autoridades da Igreja Católica. E assim, foram pintadas imagens alegóricas que condensariam em suas formas, figuras e cores o que se sabia sobre a humanidade, o universo, deus. Conhecimento considerado profundo travestido em cartas que pareciam superficiais.

Tarô e a psicologia analítica

 

Individuação, inconsciente coletivo, arquétipo e sincronicidade são conceitos propostos por Carl Gustav Jung, pai da psicologia analítica, que permitem compreender o uso do tarô como recurso terapêutico. A individuação é o processo pelo qual cada indivíduo se aproxima de sua singularidade e sua totalidade.

Segundo Lans Van der Post, que escreveu a introdução ao livro Jung e o Tarô, “quando um ser humano adquire determinado grau de autopercepção, é capaz de fazer escolhas diferentes das da multidão e de expressar-se de um jeito só seu. Tendo contato com o seu próprio e verdadeiro eu, já não será presa da tagarelice de outros eus, interiores e exteriores”. Para tanto, é necessário que estejam em equilíbrio o consciente e o inconsciente. A individuação é um processo a desenvolver durante toda a vida. Trata-se da integração de nossas partes: do consciente, aquilo que sabemos sobre nós mesmos e o mundo, e o inconsciente. 

Diferentemente de Freud, que definia o inconsciente como algo individual, moldado por nossas experiências, Jung reconhece o inconsciente individual, mas acrescenta a existência do inconsciente coletivo: uma camada mais profunda do inconsciente. Algo como a mente universal, “presente em toda parte e em todos os indivíduos”, nas palavras do próprio Jung. Uma camada energética que extrapola cada um de nós individualmente. 

Segundo Ana Luiza Feres, psicoterapeuta junguiana, o inconsciente coletivo é como uma biblioteca que reúne todo o conhecimento da humanidade - experiências, sentimentos, ações de todas as pessoas. O conteúdo desse inconsciente coletivo, cada um dos livros da biblioteca, na metáfora de Feres, são os arquétipos. Imagens que se repetem constantemente em diferentes lugares e diferentes gerações, padrões universais, conteúdos do inconsciente coletivo. 

Com alguns pacientes que se mostraram curiosos e atraídos pelas cartas, Feres já utilizou o tarô em sessões de psicoterapia. Ela ressalta que muitos terapeutas não se aprofundam no conhecimento a respeito do tarô ou da astrologia, por exemplo, com receio de serem chamados de charlatão. “Muitas pessoas foram queimadas na fogueira, na história da humanidade, por esse conhecimento. O tarô ainda carrega essa pecha. É necessário disseminar cada vez mais o conhecimento sobre o tarô e o inconsciente coletivo. Deixar evidente que não se trata, de maneira nenhuma ‘de trazer seu amor de volta em sete dias’, mas da busca de insights por meio dos arquétipos”. 

O processo terapêutico, para Jung, utilizaria técnicas verbais e técnicas expressivas (não-verbais) para auxiliar no processo de individuação. Para dissolver complexos, aquela sequência de experiências afetivas que modulam o jeito de pensar e agir no mundo, para se aproximar do eu mais verdadeiro, seria preciso conectar-se com o inconsciente – pessoal e coletivo. E os arquétipos seriam, para Jung, uma via poderosa de acesso ao inconsciente. Os contos mitológicos, os contos de fadas, a astrologia e o tarô carregariam símbolos universais que resgatam em cada indivíduo uma ligação psíquica com toda a humanidade. Como se cada um de nós tivesse uma raiz conectada a um terreno energético comum: o inconsciente coletivo.

Sincronicidade

 

Mas como uma carta ou uma sequência de cartas se conecta ao inconsciente coletivo, ao consciente e ao inconsciente de quem a manipula? Sincronicidade. Esse é o conceito junguiano para nomear dois ou mais eventos que não têm relação de causa e efeito entre eles, mas que estabelecem correlação. A consciência, focada na pergunta, afetaria energeticamente o entorno. 

Assim, a carta destacada aleatoriamente das demais ou a sequência em que as cartas são colocadas permitiriam uma interpretação simbólica do inconsciente que a consciência não alcançaria sem ter o tarô como ponte. 

Seja para uma cigana prever o futuro ou para facilitar o processo de individuação de um intelectual urbano, o tarô tem sido instrumento útil a pessoas espalhadas por todo o planeta. Passou pela Idade Média, pelo Renascimento e pela crença total na ciência moderna. Pode também ser útil nos tempos de crise atuais como ponte de acesso ao saber ancestral na compreensão de quem somos, do que sentimos e do que desejamos, seja como indivíduos ou como multidão que ocupa, ou assiste quem ocupa, as ruas. 

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Imagens: The Jungian Tarot

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Tarot Terapêutico como caminho de vida.

Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem.

Esta é uma expressão em latim muito utilizada pelos antigos alquimistas, e significa: “Visita o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta (ou Filosofal)”.


 Devemos sempre lembrar que a linguagem dos alquimistas é simbólica, então este “Centro da Terra” é o nosso próprio centro, nosso interior, nosso inconsciente. Ao olharmos para dentro, conseguimos nos “retificar”, ou purificar, para então encontrar a Pedra Filosofal, ou nosso Verdadeiro Ser. A essência da nossa Alma.

"Quem olha para fora, sonha;
quem olha para dentro, desperta!"

Carl Jung

Jung foi um grande conhecedor da mente humana, e foi também um grande estudioso da Alquimia. Com esta frase ele nos deixa claro a importância de tomarmos contato com o que está no nosso interior, no nosso inconsciente, e uma das formas para fazermos isso é justamente com a utilização do Tarot.

O Tarot é um conjunto de 78 cartas, ou Arcanos (Arcanum = mistérios), sendo 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. A verdadeira origem do Tarot é incerta, mas muitos ocultistas fazem uma ligação a Kabbalah, e esta ligação faz muito sentido para mim. A Kabbalah é baseada na Torá, e podemos ver que Tarot ao contrário nos traz justamente esta palavra. Outros indícios que nos remetem à isso são outras relações, como o fato de termos 22 Arcanos e 22 Letras Hebraicas.
Independente de sua origem, o Tarot traz um poder incrível de nos revelar o nosso inconsciente. O próprio Jung gostava muito do Tarot:

"O Tarô é um dos espelhos do pensamento inconsciente. Cada uma de suas cartas tem por base uma importante imagem arquetípica cujo significado nem sempre é claro para o homem moderno, que jogou fora seus mitos ao querer interpretá-los literalmente. Os arquétipos não são literais, são mensagens do inconsciente. Cada uma das cartas do Tarô é uma mensagem da mente universal. Mas, como nossa mente inconsciente está divorciada do consciente – a mente literal – e costuma ser por ele ignorada, essa mensagem se perde. As explanações arquetípicas do Tarô, feitas por Sallie Nichols, fazem com que as imagens e, muitas vezes, as respostas às perguntas mais profundas venham à tona. Aluna de Jung no Instituto de Zurique, a autora analisa as cartas do Tarô de Marselha como uma representação das diferentes etapas da jornada do indivíduo e sua relação com os arquétipos e o inconsciente coletivo."
Temos então uma ferramenta que nos permite trazer o inconsciente à tona, e sabemos que existe grande riqueza de informações no nosso inconsciente. A imagem abaixo nos traz uma representação da comparação entre consciente e inconsciente:


A premissa principal é a de que o poder está em você, e eu devo atuar apenas como um facilitador para que você acesse todo o seu poder interno, e o Tarot então se torna uma ferramenta de grande ajuda para isso. A ideia principal é trazer informações, para que você possa tomar as suas decisões e escolher o seu caminho.  

Em hipótese alguma o Tarot pode “decidir por você”.

Fraternalmente
Paz e Luz!

FONTE: Jung e o Tarô

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Carl Gustav Jung e o Tarô Analítico.

O fascínio pelos oráculos é fruto da consciência do homem de que terá um futuro – o que pode ser uma dádiva ou um castigo a depender do momento e de quem observa. A prática oracular é ancestral e tem origem incerta. Acredita-se que surgiu a partir da observação de fenômenos naturais e da correlação destes mesmos acontecimentos com fatos da vida cotidiana. Com o tempo, passou a ser interpretada como tentativa de preleção do futuro e, posteriormente, como instrumento de orientação para decisões.

Dessa forma, é seguro dizer que esses sortilégios tiveram uma participação ativa no papel de formação das civilizações e que estão presentes em todas as culturas. Junto com elas, os sistemas oraculares sofrem adaptações e atualizações – basta observar os inúmeros oráculos eletrônicos que temos na atualidade, e a eficácia atestada por indivíduos que a eles recorrem.

 O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, criador da Psicologia Analítica, estudou atentamente a participação da crença mística no funcionamento da psique. Naturalmente, encontrou nos oráculos um campo fértil de pesquisa, dedicando-se principalmente à astrologia e ao I Ching. Jung concordava que os instrumentos promoviam um diálogo franco com forças invisíveis. Mas, em vez de espíritos e gênios, ouvia nos oráculos a voz do inconsciente. Ao receber essa interpretação, os sortilégios ganham outra roupagem: se transformam em veículos interessantes ao processo de autoconhecimento.

O Tarot é certamente um dos oráculos mais populares do mundo ocidental contemporâneo. Composto por 78 cartas, constitui um forte conjunto de símbolos, que vêm sendo usados por anos a fio como instrumento de preleção do futuro e autoconhecimento. A incerteza da origem das imagens reforça o quê mágico e ainda provoca uma série de especulações. Uns associam o baralho ao conhecimento hermético advindo do antigo Egito, enquanto outros dão aos indianos o crédito de elaboração do sistema. Há ainda aqueles que garantem a origem cigana nos tarôs – embarcados na aura de mistério e misticismo que acompanha este povo. No entanto, pesquisas apontam para sua criação em meados da Renascença – bem depois do que acredita a maioria – com uma função recreativa, simplesmente.

No entanto, os personagens, virtudes e situações descritas nas cartas sinalizam pontos importantes da trajetória humana. Jung enxergou no Tarot uma rica expressão do inconsciente coletivo – conceito que criou para designar uma espécie de conteúdo residual de todas as experiências da humanidade, atualizada por repetição com o passar dos anos. Lá estão representados, por exemplo, o amor materno, o impulso para a guerra e o fascínio pelo divino. Assim como os demais oráculos, o Tarot seria um sistema de representação dessas e muitas outras potencialidades humanas, chamadas arquétipos. A partir das figuras estampadas nas cartas, o indivíduo seria chamado a refletir sobre as virtudes e dissabores da própria existência. E, a partir dessa reflexão, levar a decisões mais favoráveis ao próprio desenvolvimento.

Mas qual seria a mágica que levaria a escolha da carta certa para ilustrar o momento em que estamos vivendo? Para Jung, tudo se processa como resultado do movimento psíquico, uma forma peculiar de diálogo. Para entendê-la, é preciso saber que a expressão do inconsciente se dá a partir de símbolos. E esta também é a linguagem que compõe cada lâmina do Tarot. Quando escolhe, ao acaso, um certo número de cartas de um monte, o consulente concede ao inconsciente um veículo para que se expresse. Este usará, a partir da simbologia das cartas, um canal de comunicação com a consciência.
Ao tarólogo cabe o papel de decodificação e organização das informações, a partir dos símbolos que surgem, de forma acessível à compreensão do consulente. Obviamente, essa atividade exige atenção para que as informações sejam transmitidas com o menor grau de interferência, de preconceitos e de opiniões próprias.

Sincronicidade

A “mágica” das coincidências significativas, que se manifesta nos oráculos, foi conceituada por Jung como sincronicidade. Ela é uma dos métodos usados pelo inconsciente para trazer à tona uma percepção – não só a partir das artes adivinhatórias, mas também daquelas outras “coincidências” que nos tocam de forma tão profunda, a ponto de despertar a uma nova observação do momento já conhecido. Essa foi uma das mais controversas teorias junguianas, pois era considerada mística demais para ser considerada ciência. No entanto, desde Einstein, a Física Quântica aponta para a comprovação das hipóteses a partir do estudo da energia como condutora de informação.

Muitas vezes, os eventos sincronísticos nos conduzem aos insights que tanto esperamos: é como se, em um breve momento, a ignorância se descortinasse e pudéssemos vislumbrar a realidade. E, assim, nos sentíssemos seguros para superar as dificuldades impostas pelo momento.

A percepção do espaço e do tempo são atributos da consciência. Ou seja, no inconsciente eles se perdem, não têm a mesma importância que damos na vida lúcida. Como manifestação do inconsciente, a sincronicidade é capaz de ensinar sobre a sensação de relatividade do tempo, inclusive durante uma consulta oracular. Assim surgem, com a mesma facilidade, evocações do passado e lampejos de futuro. Da mesma forma, distâncias físico-espaciais se encurtam.

O que ordena a prioridade do que é apresentado durante um jogo é a carga afetiva dos acontecimentos, e não os fatos em si. Por esse motivo, muitas vezes o consulente chega com questionamentos pré-formulados e, ao iniciar a consulta, uma nova problemática se apresenta e domina o assunto. Antes de debruçar sobre o que quer saber, ele deve se debruçar sobre o que precisa saber.

Tarot Analítico

Já praticava o tarot quando tive os primeiros contatos com as teorias junguianas. A partir delas, percebi que os símbolos presentes em cada carta eram ricos demais para serem reduzidos a um quê adivinhatório das consultas. Isso muitas vezes levava o consulente a mais expectativas que certezas – e a experiência me fez entender o risco que isso envolvia. Ao buscar um aprofundamento na Psicologia Analítica, percebi que o oráculo poderia funcionar, na verdade, como uma eficaz ferramenta de acesso ao inconsciente. E que, em vez de previsões, o foco deveria estar nos esclarecimentos – algo mais pertinente ao desenvolvimento pessoal, ao autoconhecimento.

Assim, busquei desenvolver uma metodologia que proporcionasse uma chance maior e mais segura para esse mergulho. Em referência às teorias junguianas, resolvi denominá-la por Tarot Analítico. Nesse enfoque, a consulta se transforma em um exercício de ampliação da consciência, com base em símbolos, mitos e dinâmicas psíquicas revelados a partir das cartas. A consulta se divide em duas fases: uma explanação geral sobre as dificuldades enfrentadas no presente momento e, em seguida, um espaço destinado a explorar temáticas não apresentadas na primeira fase.

A partir dos símbolos e mitos presentes em cada arcano, o consulente é chamado a refletir sobre os padrões emocionais, expectativas e negligências vividas no momento – e também sobre a participação de cada um desses aspectos na manutenção do problema, em vez da solução do mesmo. Ou seja, o tarot convida à autoanálise e, consequentemente, à revisão de valores e de posturas adotadas.

Enxergar o oráculo como uma chave para o desenvolvimento pessoal é, antes de tudo, confiar que podemos ser guiados com sabedoria por esse invisível – sendo ele chamado de Deus, de Self etc.
O oráculo desmascara a nossa tentativa de controle exaustivo, mas também nos desperta a agir. Dá a clareza necessária para o entendimento da postura adotada diante dos nossos objetivos, e do que precisa ser feito para que possamos alcançá-los. Aprendemos a medir nossos medos e ansiedades. Entendemos sobre a verdadeira função dos outros em nossa vida, e vice-versa. Tornamo-nos mais responsáveis pelo futuro que tanto desejamos.

Gratidão.
Paz e Luz!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

TAROT e seus caminhos iniciáticos

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Como diz meu querido amigo e irmão,
NEI NAIFF...

TARÔ É TARÔ.
 
O Tarot é um jogo de cartas, sem dúvida, dos mais antigos, apresenta um mundo de símbolos. Não se pode duvidar do seu ensinamento esotérico, mais ou menos secretamente transmitido ao longo dos séculos. O problema de sua origem é muito difícil, senão impossível de ser resolvido. Desde Court de Gébelin que, no século XVIII, apaixonou-se por sua interpretação, as mais diversas teorias foram propostas. Que tenha vindo da China, da Índia, do Egito; que seja obra do próprio Tot-Hermes Trismegisto, dos boêmios, dos alquimistas, dos cabalistas, ou de um homem, o mais sábio dos sábios.  
O Tarot, na verdade, apresenta uma iconografia nitidamente medieval, misturada a símbolos cristãos. 



 As cores e os números


Na sua forma mais tradicional, a do Tarô de Marselha (ao qual as nossas descrições detalhadas se referem), o jogo compõe-se de 78 cartas: 56 arcanos menores, 22 arcanos maiores. Esses números merecem atenção. Observemos, primeiramente, que o número vinte e dois é o número das letras hebraicas que, segundo a cabala, apresentam o Universo. Esse número, no tarot, é feito de vinte e um arcanos numerados e do Louco: o número vinte e um, ou seja, três vezes sete, é o da perfeição humana, enquanto três vezes sete (é preciso lembrar aqui que o arcano de número 21 representa o mundo). O Louco que lhe é acrescentado, diria um sábio africano, é a palavra dada a essa perfeição, a sua animação.  

Dos 56 arcanos menores, lembraremos apenas que constituem quatro grupos, poder-se-ia dizer, quatro colunas de quatorze cartas, que correspondem aos quatro naipes dos jogos de cartas, derivados do tarot. Mas, acima de tudo, é preciso assinalar que setenta e oito, total de todo o jogo de Tarot, é também a soma, e portanto, segundo a linguagem dos esoteristas que inventaram o Tarot, a significação secreta dos doze primeiros números. Secretamente, esse livro que se apresenta como um jogo contém, portanto, a substância somada do número que estrutura tanto o universo quanto o pensamento. Todas as cartas são vivamente coloridas. Antes de examinarmos as suas significações particulares, lembraremos em algumas linhas o simbolismo das cores dominantes do Tarot: rosa-ocre (carne), azul, vermelho e amarelo. O rosa-ocre sempre indica o que é humano ou o que se liga á humanidade (rostos, corpos, construções). O azul, cor noturna, passiva, lunar, é a cor do segredo, do sentimento, da anima, dos valores femininos por excelência. O vermelho, é a cor masculina da força interna, da energia potencial, das manifestações do animus, do sangue e do Espirito. O amarelo*, por fim, em toda a sua ambivalência, é ao mesmo tempo a cor da terra e do sol, da riqueza do mel e das colheitas, da luz intelectual na sua pureza de ouro inalterável. (Para a aplicação detalhada desse simbolismo, ver, pelo nome, o estudo de cada arcano maior.)


Os arcanos maiores: caminhos iniciáticos

Os próprios arcanos maiores são caminhos iniciáticos, cujas etapas foram interpretadas de inúmeras formas. Apresentam-se como a quintessência do hermetismo, como os Altos Graus colocados acima da massa anônima.
São estudados em detalhe sob o nome de cada carta:

I. O Mago.
II. A Sacerdotisa (a Papisa).
III. A Imperatriz.
IV. O Imperador.
V. O Papa.
VI. O Enamorado.
VII. O Carro.
VIII. A Justiça.
IX. O Eremita.
X. A Roda da Fortuna.
XI. A Força.
XII. O Enforcado.
XIII. A Morte (arcano sem nome).
XIV. A Temperança.
XV. O Diabo.
XVI. A Torre Fulminada (
habitação divina).
XVII. A Estrela.
XVIII. A Lua.
XIX. O Sol.
XX. O Julgamento (o Juízo final).
XXI. O Mundo.
e o arcano sem número, O Louco.


Os ternários e os setenários

Excluindo o louco, que não faz parte do grupo numerado, temos vinte e um arcanos que se dividem seja em sete ternários, seja em três setenários. Em cada ternário, o primeiro termo é ativo; o segundo, intermediário: ativo em relação ao seguinte, mas passivo em relação ao precedente, enquanto o terceiro é estritamente passivo. O primeiro corresponde ao espirito, o segundo á alma e o terceiro ao corpo (WIRT, 68). Assim agrupam-se: O Mago (I), a Sacerdotisa (II) e a Imperatriz (III); depois , o Imperador (IV), o Papa (V), e o Enamorado (VI); o Carro (VII), a Justiça (VIII) e o Eremita (IX) etc. Esta mesma distinção, espirito, alma e corpo, é encontrada nas relações dos três setenários: do Mago (I) ao Carro (VII), os valores do espirito; da Justiça (VIII) á Temperança (XIII), os da alma; e do Diabo (XV) ao Mundo (XXI), os do corpo.

Uma mesma carta pode, assim, ser interpretada como espirito e alma, ou como alma e corpo, segundo o lugar que ocupa no conjunto escolhido e segundo os níveis da analise. Por exemplo, a Imperatriz é corpo no primeiro conjunto ternário, espirito no primeiro conjunto setenário; as relações se alteram no interior dos diferentes conjuntos. Todas as chaves da interpretação chegam a diferentes aspectos de uma mesma carta. Nenhuma delas possui um sentido absoluto e definitivo. É sempre um sistema móvel de relações que exige a maior flexibilidade de interpretação.

No interior de cada setenário, os três primeiros arcanos opõem-se aos três seguintes e o sétimo traz o todo de volta a unidade (WIRT, 77); o que põe em valor a significação sintetizante do Carro (VII), da Temperança (XII) e do Mundo (XXI): dominação da vontade no mundo do espirito (VII), do equilibro no mundo da alma (XIV), do eterno movimento no mundo do corpo (XXI).

NOTA: A foto acima no canto esquerdo, é a representação do terceiro olho e sua conexão com os “mundos superiores” pelo Alquimista rosacruciano Robert Fludd. (Rosacruzes [séc. XVII]: “Nós temos a Palavra Maçônica e a segunda visão, Coisas por acontecer nós podemos prever acertadamente.”)


Relações com o Zodíaco e os Planetas

É possível comparar esse agrupamento ternário á concepção astrológica segundo a qual a roda zodiacal representa, nas suas três posições sucessivas, os quatro elementos: nascimento ou início da evolução, culminação, queda ou involução. Os signos do Fogo, da Terra, do Ar e da Água, que nascem com o Áries, o Touro, Os Gêmeos e o Câncer, culminam em ion, Virgem, Libra, Escorpião, e vão ao encontro de sua queda em Sagitário, Capricórnio, Aquário e peixes. No agrupamento ternário do Tarot, as cartas em que os símbolos do Zodíaco são nitidamente indicados têm uma posição correspondente: o Sagitário do Enamorado(VI), em queda, a Libra da Justiça(VIII) em culminação, assim como o Leão da força(XI), enquanto os Gêmeos do sol(XIX) estão no inicio de uma evolução.

Mas, se quisermos ir mais longe e reconstruir um Tarot astrológico, deparamo-nos com profundas divergências entre os autores. Existem tantas correspondências diferentes entre os arcanos, planetas e o Zodíaco quanto autores especializados no estudo do Tarot. A mais absoluta fantasia parece reinar. Oswald Wirt, por exemplo, vê Mercúrio no Mago; Fomalhaut Vê o sol; Th. Terestchenko, Netuno etc. sem a pretensão de uma pesquisa completa, encontramos facilmente uma boa dúzia de correspondências astrológicas diferentes e muitas vezes contraditórias para certas cartas.
Diante dessa quantidade de hipóteses, A.Voguine propôs, em i’Utilization du Tarot em Astrologie Judiciaire (utilização do tarô na Astrologia Judiciária) (Paris,1933), fazer a correspondência dos arcanos maiores, não com os planetas e os signos, mas com as casas horoscópicas, cujos setores representam um domínio bem definido. Assim, o Mago e a morte têm relação com a primeira casa do horóscopo: a Papisa e a Temperança, com a segunda, e assim por diante. Os arcanos do Tarot também podem ser vistos em pares: cada um deles manifesta, na dualidade que compõem, uma analogia dos contrários mais ou menos evidente: a associação das cartas ás casas horoscópicas justifica esse acasalamento.


A interpretação cabalística

Varias observações se impõem, segundo os cabalistas que estudaram o Tarot. Há o mesmo número de arcanos maiores e de letras no alfabeto hebreu. Esse número é exatamente o das vinte e duas vias da sabedoria, dos canais intersefiróticos que reúnem, entre si, os dez Sefiroths, os sublimes princípios metafísicos da cabala judaica (RIJT, 198). Os próprios Sefiroths, atributos místicos de Deus, desenvolvem-se sob forma de trindades, nas quais dois extremos são unidos por um termo médio (MARD, 154). E eles correspondem ao sentido simbólico das cartas: ao Mago, causa e ponto de partida de todas as coisas, corresponde a Coroa sefirótica; á Sacerdotisa, a Sabedoria; á Imperatriz*, a Inteligência; ao Imperador, a Grandeza e a Misericórdia; ao Papa, o Rigor e o Julgamento; ao Enamorado, a Beleza; ao Carro, a Vitória; á Justiça, a Glória; ao Eremita, o fundamento; e á Roda da Fortuna, que representa o turbilhão involutivo, o Reino (WIRT, 71-73). Como há correspondências entre todas as cartas, é possível desenvolver todo um simbolismo cabalístico do tarô a partir daí, pois, na cadeia que contém os diferentes graus da essência, tudo é magicamente ligado.


O antropocentrismo do Tarot

Tarot alquímico, tarot mágico, até mesmo o Tarot Maçônico (WIRT, 281-86), todas as chaves de interpretação foram tentadas, desde que se tenha encontrado um ou dois signos simbólicos que possam ser associados a essa ou áquela doutrina; estes foram indicados á medida que examinamos cada arcano em particular. Mas o tarot permanece, acima de tudo, antropocêntrico, e as figuras que o compõem têm uma significação psicológica e cósmica; referem-se ao homem, em si mesmo e no mundo, mesmo que não nos mostrem personagens humanos, como a Roda da Fortuna (X) e a Lua (XVIII), em que os animais não passam de caricaturas do homem. Porém, para estudar o simbolismo do tarot sob este ângulo é preciso dispor os arcanos, ou em forma circular, o que situa o Louco entre o Mago e o Mundo, ou em duas fileiras, a primeira de I a XI e a segunda, no sentido contrário, de XII ao Louco.

Assim, aparece claramente que o eixo vertical do Tarot une os arcanos VI e XVII, o Enamorado e a Estrela, o primeiro sendo a afetividade e o outro, a esperança, como se esses dois valores fossem o pivô em torno do qual gravitam todos os outros. 

clique para breve apliação da imagen acima.

Um caminho de evolução em direção á sabedoria

Só diante do mundo, o homem busca o caminho da sabedoria na aquisição de um domínio duplo: o do mundo exterior e o do seu universo interior. Esse domínio provém de uma iniciação progressiva que, por sua vez, distingue duas vias, duas formas ou duas fases principais, de predominância ativa ou passiva, solar ou lunar.

A primeira se baseia na exaltação do princípio de iniciativa individual, na razão e na vontade. Convém ao erudito que tem sempre o domínio de si mesmo, que só conta com os recursos da sua própria personalidade, sem esperar ajuda das influências exteriores. A segunda é totalmente diferente, pois toma uma posição exatamente contrária á da primeira. Longe de desenvolver o que tem dentro de si e de dar de acordo com toda a expansão de suas energias intimas, o místico deve ficar em estado de receber em toda a medida de uma receptividade especialmente cultivada (WIRT, 49)
Assim, de dois em dois, o racional e o místico - como o masculino e o feminino – se opõem e se completam. A força (XI) e o Enforcado (XII), por exemplo, são apenas dois aspectos de um mesmo símbolo: força exterior do arcano XI, força interiorizada e espiritualizada do enforcado (XII). Nesse sentido, também, o Mago em busca da iniciação se choca, primeiramente, com a Sacerdotisa (II), detentora dos segredos do mundo: para ler no seu livro, é preciso ter inteligência da Imperatriz (III) e do Imperador (IV). Com o papa (V), a iniciação torna-se efetiva: o homem conseguirá elevar-se através das provas dos demais arcanos, a primeira das quais será a tensão do Enamorado (VI), centro da primeira fileira de cartas, pois sem o impulso afetivo nada é possível. Após essa escolha que o compromete, o senhor do Carro (VII) pode vir a abusar do seu poder e a orgulhar-se de sua força: a Justiça (VIII) lembrar-lhe-á a lei do equilíbrio indispensável e, forte com o seu ideal. 
Ele vai partir, como um Eremita (IX) através do mundo; mas, na medida em que o Eremita procura a verdade, julga e põe em movimento a Roda da Fortuna (X) que dá o que ele deve receber, segundo o seu estado interior e seu próprio desejo de evolução. Só a força (XI) pode deter a Roda da Fortuna.
No final dessa primeira via, o iniciado encontrou o que procurava; a força usa o mesmo chapéu que o Mago: a lemniscata do signo do infinito.


A fase mística

Com o Enforcado (XII), começou da segunda fileira, o iniciado entra num mundo invertido, onde os meios materiais já não são eficazes: é a via mística e passiva. O arcano sem nome do n° XIII indica-nos a morte, cuja foice vermelha, cor de sangue e de fogo, corta e queima as ilusões, e que, longe de ser um fim, é um começo. Mas, nessa nova vida que nos é prometida, não se deve forçar as etapas: as exigências da Temperança (XIX) são as mesmas que as do Eremita (VIII); é só depois de ter tomado consciência dos seus limites e adquirido o equilíbrio interior que o homem poderá enfrentar o Diabo (XV), símbolo da mais grave tentação, a que nos promete poderes ocultos tão grandes quanto os claros poderes de Deus, mas que tecem ligações igualmente grandes com a força diabólica. 
Infelizmente, as construções do orgulho humano estão todas destinadas á queda, e eis a Torre fulminada da Habitação divina (XVI). Daí em diante, só a estrela (XVII) de vênus resta ao homem, dupla estrela de esperança e de amor, centro da segunda fileira de cartas e base do eixo vertical do tarô. Como a Lua (XVIII) acompanha a estrela no céu físico, ela a segue no mundo simbólico do tarot, condutora dos valores do passado, rica de todo o inconsciente, domínio do imaginário onde são reforçados os devaneios. Sem a aliança da Estrela e da Lua, não poderíamos enfrentar a luz e o fogo do sol (XIX), arcano da iluminação total, sob o qual, pela primeira vez, o homem não está mais só. A partir de então, ele pode ser julgado na sua totalidade, nele próprio e nas suas obras. O seu filho, aos olhos do anjo do juízo (XX), simbolizará a testemunha. Alcançou o cume da iniciação, e o mundo (XXI) só existe como síntese do que ele adquiriu. Conseguiu operar a transmutação do mundo objetivo em valor psíquico, i.e., em linguagem alquímica que, tendo saído junto com o Mago da matéria-prima, vai chegar ao ouro (DELT, 11, 488).

Assim, enquanto a primeira via da iniciação conduzia á força (XI), condição do Mago que realizou o seu programa (WIRT, 53), a segunda via, a da mística, parte do Enforcado (XII) e nos conduz ao Louco, cuja passividade reveste-se, aqui, de um caráter sublime (WIRT, 55). É aquele que, depois de ter obtido deste mundo tudo o que ele pode dar, reconhece que não possui nada válido e, em consequência, volta ao desconhecido, ao não conhecível que precede a vida e continua após ela. Diante desse duplo impasse, sós nos é possível continuar a procurar, tendo, porém, enfim admitido na nossa inteligência e aceito nos sofrimentos da nossa carne, que há uma diferença entre a nossa diferença entre a nossa natureza e a de Deus; a única relação possível com ele reside na esperança, no abandono e no amor. Essa é a ultima lição do tarô concebido como um caminho iniciático.

Os arquétipos do Tarot

Mas os dois caminhos que distinguimos se prestam,  ainda, a outras interpretações. Carl Gustav Jung vê neles os dois aspectos da luta do homem contra os outros e contra si mesmo; a via solar da extroversão e da ação, da reflexão prática e teórica de motivação racional; e a via lunar da introversão, da contemplação e da intuição, em que as motivações são de ordem sensível, imaginativa e global. 
Observamos também que aparecem, no tarot, vários arquétipos essenciais: a Mãe (Papisa, Imperatriz, Julgamento), o Cavalo (Carro), o Velho (Imperador, Papa, Eremita, Julgamento), a Roda (Roda da fortuna), a Morte, o Diabo, a Casa ou a Torre (Habitação Divina, Lua), o Pássaro (Estrela, Mundo), a Virgem, a Fonte, a estrela (Estrela), a Lua, o Sol, os Gêmeos (Diabo, Sol), a Asa (Enamorado, Temperança, Diabo, Julgamento, Mundo), a Chama (Habitação Divina)..

Qualquer que seja o valor de todos esses pontos de vista, não devemos esquecer que o Tarot não se submete inteiramente a nenhuma tentativa de sistematização: há sempre alguma coisa que nos escapa. O seu aspecto divinatório não é o menos difícil de ser apreendido. Não o consideraremos aqui, pois as combinações são infinitas e as interpretações, mesmo que se baseiam em símbolos que tentamos esclarecer, exigem uma educação da imaginação que só se adquire com longa prática e uma grande reserva de julgamento. 


IMAGENS:
http://taroteca.multiply.com/photos/album/123/Barbara_Walker
http://taroteca.multiply.com/photos/album/148/Marseilles
Demais imagens: Google Images: http://www.google.com.br/imghp?hl=pt-BR&tab=wi

ADAPTAÇÃO E REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
DICIONÁRIO DE SÍMBOLOS:
Mitos, sonhos, Costumes.
Autor: Jean Chevalier e Alain Cheerbr
Editora: José Olímpio
Seria pouco dizer que vivemos num mundo de símbolos: um mundo de símbolos vive em nós. Da psicanálise à antropologia, da crítica de arte à publicidade e à propaganda ideolágica ou política, ciências, artes e técnicas tentam, cada vez mais, atualmente, decifrar a linguagem dos simbolos, não só para ampliar o campo do conhecimento e aprofundar a comunicação, como também para domar uma energia de um tipo especial, subjacente aos nossos atos, reflexos, tendências e repulsões, das quais apenas começamos a vislumbrar o extraordinário poder. Anos de reflexão e de estudos comparativos sobre um conjunto de informações reunidas por uma equipe de pesquisadores, abrangendo áreas culturais através do desenrolar da história e da extensão do povoamento humano, levaram os autores a demonstrar o caráter profundo da linguagem simbólica, tal como ela se subdivide nas camadas ocultas da nossa mente. Todos sentirão a importância deste Dicionário. Mais de 1600 artigos, entrelaçados por comparações e remissiva, muitas vezes reestruturados após longa maturação, permitem o desvendar do símbolo melhor do que a razão por seus próprios meios. Este conjunto único abre as portas do imaginário, induz o leitor a refletir sobre os símbolos.

Fraternalmente, luz e Paz Profunda

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