O PAI NOSSO
do original em aramaico
Ó Fonte da Manifestação! Alento da vida!
Pai-Mãe do Cosmo!
Faze Tua Luz brilhar dentro de nós,
para que possamos torná-la útil.
Ajuda-nos a seguir nosso caminho
movidos apenas pelo sentimento que emana de Ti.
Que nosso eu possa estar em sintonia contigo,
para que caminhemos com realeza com todos
os outros seres criados.
Estabelece Teu Reino de unidade agora.
Que Teu desejo e os nossos sejam um só,
em toda a luz, assim como em todas as formas.
Dá-nos o que precisamos cada dia, em pão e compreensão.
Desfaz os laços dos erros que nos prendem,
assim como nós soltamos as amarras que mantemos da culpa dos outros.
Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iludam.
Mas liberta-nos de tudo que nos aprisiona.
E não nos deixe sermos tomados pelo esquecimento
de que de ti nasce a vontade que tudo governa,
o poder e a força viva de todo movimento,
e a melodia que tudo embeleza
e de idade em idade tudo renova.
Amém.
O PAI NOSSO
em aramaico transliterado
Abwun d'bwashmaya
Nethqadash shmakh
Teytey malkuthakh
Nehwey tzevyanach aykanna d'bwashmaya aph b'arha
Hawylan lachma d'sunqanan yaomana.
Washboqlan khaubayn (wakhtahayn) aykana daph khnan shbwoqan l'khayyabayn.
Wela tahlan l'nesyuna
Ela patzan min bisha.
Metol kilakhie malkutha wahayla wateshbukta
L'ahlam almin.
Ameyn.
Por
dois milênios o Pai Nosso é a principal prece de todos os cristãos.
Ainda que muitos a recitem de forma mecânica e apressada, um número
crescente de devotos está se tornando cônscio de que esse tesouro, que
nos foi legado diretamente pelo Senhor, é uma iguaria sem par que merece
ser saboreada lenta e conscientemente.
Ao
meditarmos sobre o significado mais profundo das frases e até mesmo de
cada palavra da oração do Senhor, verificamos que elas realmente
encobrem um profundo tesouro. Alguns estudiosos verificaram que o Pai
Nosso, em sua versão original em aramaico, apresenta uma gama bem mais
ampla de significados que não são percebidos nas traduções para as
línguas modernas. Para atender o anseio daqueles que buscam conhecer os
ensinamentos de Jesus em sua forma mais pura, procuramos resgatar a
versão original como provavelmente foi ensinada pelo Mestre.
O
aramaico era a língua em que Jesus ministrava seus ensinamentos. Como
esses ensinamentos foram conservados pela tradição oral por várias
décadas em aramaico, alguns estudiosos acreditam que eles foram
primeiramente escritos naquela língua e só mais tarde traduzidos para o
grego.
Com a tradução para o grego, e
mais tarde para o latim e outras línguas européias, surgiram vários
problemas na transmissão dos ensinamentos em virtude da estrutura destas
línguas. O aramaico é uma língua antiga e bastante sintética; suas
palavras podem ter diferentes significados como ocorre com suas línguas
irmãs, hebraico e árabe. Ao contrário do grego, o aramaico não tem
divisões rígidas entre meios e fins, ou entre qualidades internas e ação
externa.
Ambos estão sempre presentes. O
grego só foi introduzido no oriente médio bem mais tarde: os vários
significados de cada palavra em aramaico eram expressos por duas ou mais
palavras diferentes em grego. Poderíamos dizer que as palavras em
aramaico são ricas em significado enquanto o grego é uma língua rica em
palavras.
Quando os lingüistas comparam
os textos bíblicos existentes em aramaico e em grego, verificam que o
texto grego invariavelmente limita o significado mais profundo e
abrangente da versão original em aramaico. Isso explica parte das
dificuldades que os cristãos têm para entender os ensinamentos do
Senhor. O significado mais amplo das palavras de Jesus foi limitado, e
até mesmo distorcido em alguns casos, com as diferentes traduções e
editorações ao longo dos séculos. Esse é um sério problema para o
devoto, pois Jesus usava os diferentes significados de suas palavras
para despertar na alma de seus ouvintes uma sintonia com a profunda
verdade transformadora que ele procurava transmitir sob a aparência de
coisas simples. Verificamos que muitas das confusões idiomáticas nas
parábolas de Jesus na Bíblia em grego, tornam-se claras para o leitor do
texto em aramaico, em vista do significado mais amplo das palavras que
ele usou.
Felizmente ainda existe uma versão da Bíblia em aramaico,
ainda que pouco conhecida. Ela é referida como Peshitta, sendo ainda
hoje adotada pela Igreja do Oriente, principalmente em partes da Síria e
da Armênia. A propósito, a palavra peshitta em aramaico significa
"simples", "sincero" e "verdade."

Uma
leitura meditativa da versão do Pai Nosso de acordo com o original em
aramaico, pode revelar outros significados profundos que não foram
conservados na versão tradicional da oração do Senhor. O texto abaixo
foi adaptado do livreto do estudioso Neil Douglas-Klotz, "Orações do
Cosmo", em cotação com outras versões da tradução do aramaico.
Em sua versão em aramaico, a oração do Senhor tem a força de uma invocação.
O
que está sendo invocado é a Fonte da Manifestação, que é também o
Alento da Vida.
Ainda que seja referido como o Pai-Mãe do Cosmo, as duas
polaridades de todos agentes criadores, nossos geradores celestiais não
são referidos como os criadores do cosmo, mas sim como a Fonte da
Manifestação. O mundo em que vivemos, nos movemos e temos nosso ser não é
uma ‘criação' divina, no sentido de estar separado de seu criador, mas
sim é uma manifestação, portanto, uma extensão ou um reflexo de sua
fonte divina original. Tudo o que existe é uma extensão ou expressão de
Deus; o Pai-Mãe celestial é imanente em todos os seres, é o sopro da
vida que permanece em todos nós.
A
natureza imanente do divino genitor é geralmente referida como um cerne
de luz em todos os seres, ainda que na grande maioria essa luz permaneça
latente. O devoto invoca ao Pai/Mãe celestial para que faça brilhar a
luz divina em seu interior. O brilho da luz interior, geralmente
conhecido como iluminação, ocorre quando o Cristo interior muito
apropriadamente vem à luz. Somente quando a luz de Cristo está atuando
conscientemente em nós, é que nos tornamos verdadeiramente útil ao
mundo, promovendo a paz, iluminando e amando incondicionalmente a todos
os seres.
O sentimento que emana do
Pai-Mãe celestial é o amor, a energia divina que harmoniza toda natureza
bem como a vida dos membros da família humana, guiando-os em segurança
pelo caminho de retorno à Casa do Pai-Mãe. Quando alcançamos a sintonia
como nosso divino genitor, fruto do nascimento de Cristo em nós, sabemos
por experiência própria que ‘eu e o Pai-Mãe somos um.' Uma vez
conscientes de nossa natureza divina, iremos naturalmente caminhar com
realeza com todos os outros seres, fazendo o bem sem olhar a quem,
servindo de apoio e indicando o rumo a todos nossos companheiros de
jornada neste mundo que ainda não despertaram para a realidade.
A
unidade do Reino sempre existiu no plano espiritual. Somente no plano
material vivemos na ilusão da separatividade, até que nossa visão
espiritual seja desperta com o nascimento de Cristo em nós. A unificação
do desejo dos homens com o desejo de Deus é o momento portentoso da
libertação deste mundo; essa unificação é uma realidade permanente nos
mundos de luz, ou seja, nos planos espirituais, mas deve ocorrer também
no mundo das formas, para que possamos nos adentrar no Reino.

Ninguém
é mais amoroso e mais sábio do que nosso Pai-Mãe celestial, portanto
pedimos que nos seja concedido aquilo que Ele-Ela sabe que realmente
precisamos, tanto em alimento material como em alimento para a alma, a
compreensão da Verdade. O conhecimento da verdade é a dádiva celestial
que nos possibilita desfazer os laços dos erros que nos prendem a este
mundo. A raiz de todos os erros é a ignorância de nossa natureza divina e
da operação das leis de Deus: o conhecimento da verdade desfaz os laços
da ignorância. Mas para que isso ocorra, devemos, de nossa parte,
relevar o comportamento de nossos irmãos que ainda cometem erros por
ignorância. Ao perdoarmos de coração a todos os que nos ofenderam ou
prejudicaram estaremos desfazendo os elos que nos prendem aos nossos
inimigos, ou aos nossos devedores.
Quantas vezes nos deixamos iludir
pelas aparências ao darmos atenção excessiva em nossa vida diária à
natureza superficial das coisas. Ó Pai-Mãe celestial, conceda-nos a
visão da realidade das coisas para que possamos nos libertar das ilusões
que nos aprisionam.
Ó Pai-Mãe celestial,
conceda-nos a Graça de vivermos permanentemente na Tua divina
lembrança, jamais nos esquecendo que Tu és a Fonte de tudo o que existe.
As leis que governam os mundos materiais e espirituais são expressões
de Tua vontade. Ó Alento da Vida, Tu és o poder e a força viva de todo
movimento, desde os mundos cósmicos aos mundos atômicos, passando por
todas expressões da natureza em nossa Terra. Tu és também, ó Divino
Músico, o compositor da música das esferas que a tudo embeleza com
harmonia melodiosa, e que ao ritmo de Teus acordes renovas de idade em
idade todas as coisas em Teu universo sem fim. Que assim seja para todo o
sempre.
Fraternalmente.
Paz e Luz.
fonte: God Anubys Gnosticismo.